O que era para ser um resgate rotineiro da fauna local se tornou um registro inusitado para o biólogo Christian Raboch Lempek, de Jaraguá do Sul, no Norte catarinense. Isso porque uma cobra-coral verdadeira, serpente mais venenosa do Brasil, foi resgatada de barriga cheia e acabou vomitando o alimento: uma cobra-de-duas-cabeças.

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O animal estaria no quintal de uma casa e o resgate da Fundação Jaraguaense de Meio Ambiente (Fujama) foi solicitado pelos moradores. No local, o biólogo encontrou a cobra escondida na grama. 

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Já ao ver a serpente Christian notou que ela estaria “gordinha”, ou seja, que teria se alimentado há pouco tempo. Por conta do estresse a serpente acabou vomitando a comida, neste caso, uma cobra-de-duas-cabeças.

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Veja fotos do resgate

A Amphisbaenia, também conhecida como cobra-cega ou cobra-de-duas-cabeças, é um réptil que não tem os olhos desenvolvidos, vive debaixo do solo e que pode morder ao se sentir ameaçado. Ela não é considerada uma serpente.

Após o resgate, a cobra-coral verdadeira foi devolvida para uma área de mata em segurança.

Veja o vídeo

Cobra-coral verdadeira, a mais venenosa do Brasil


A coral-verdadeira (Micrurus) é conhecida principalmente pelo padrão de cores com listras que intercalam preto, vermelho e branco. Conforme o Instituto Butantan, algumas espécies da região amazônica podem apresentar também listras amareladas. O objetivo da coloração da serpente é sinalizar aos predadores que ela é perigosa. De acordo com o órgão, na natureza, esse tipo de recurso se chama coloração de advertência ou aposematismo. Outro detalhe que chama atenção são seus hábitos alimentares. As corais se alimentam de presas alongadas, como lagartos sem patas, cecílias e outras cobras.

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A espécie é considerada uma das serpentes mais peçonhentas do território brasileiro com um veneno de alta toxicidade que afeta diretamente o sistema nervoso. “Se uma pessoa é picada, os primeiros sintomas são dormência no local, visão turva e dificuldade na fala. Porém, aos poucos, a peçonha começa a afetar o restante do sistema nervoso, provocando paralisia de músculos importantes, como coração e diafragma – esse último, por exemplo, é um órgão importante que auxilia na respiração”, explica o Butantan em nota.

No Brasil, os ataques de cobras venenosas têm maior incidência e são consideradas as mais perigosas na seguinte ordem: Jararacas, Cascavéis, Surucucus-pico-de-jaca e, por fim, Corais-Verdadeiras. Porém, a potência do veneno dessas cobras pode ser ranqueada em:

  1. Corais-Verdadeiras: o veneno age no sistema nervoso, paralisando músculos como coração e diafragma
  2. Surucucus-pico-de-jaca: o veneno age no sistema nervoso, na corrente sanguínia, com negrose local e até óbito
  3. Jararacas: o veneno pode causar necrose no local da picada
  4. Cascavéis: o veneno age no sistema nervoso e pode destruir as fibras musculares do local da picada

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Apesar de representar perigo, a coral-verdadeira não é considerada agressiva, sendo, na verdade, muito tímida. É um animal tranquilo, que em raras ocasiões ataca, além de viver geralmente escondida entre a vegetação rasteira, buracos no chão e debaixo de pedras.

Outra curiosidade bem conhecida é que a coral-verdadeira tem diversas sósias, as corais-falsas, aponta o instituto. Essas não são perigosas perigosas, mas mimetizam as características físicas das corais-verdadeiras para afastar possíveis predadores. As espécies são de famílias diferentes. 

O Instituto Butantan alerta que, caso encontre uma possível coral, não se deve tentar diferencia-lá. O recomendado é se afastar dela e, se estiver em ambiente urbano, avise as autoridades responsáveis. Caso seja picado por uma coral-verdadeira, busque atendimento médico imediatamente.

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