Servidores públicos de Joinville se reuniram na manhã desta sexta-feira (27) em frente à prefeitura da cidade para uma manifestação em prol do aumento salarial. O ato faz parte de uma paralisação dos trabalhadores da saúde, educação e outros setores. Segundo o governo municipal, os serviços essenciais não foram impactados pela paralisação.

Continua depois da publicidade

Segundo o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Joinville e Região (Sinsej), a ação acontece porque a categoria está sem aumento real há pelo menos 10 anos, ganhando apenas reajustes salariais, o que representaria 30% de perdas ao longo dos anos.

A presidente do sindicato, Mara Tavares, lembra que, recentemente, a prefeitura de Joinville aprovou um aumento de 37% no salário de secretários enquanto, segundo ela, os servidores ganharam apenas reajustes.

Mara comenta que a campanha salarial contou com apenas uma reunião entre sindicato e prefeitura. Conforme a presidente do Sinsej, não houve muito diálogo ou discussão por parte da gestão municipal.

— O que a gente pede para a prefeitura hoje é que ela abra as portas para o sindicato, que reabra a mesa de negociações, porque nós tivemos apenas uma mesa no dia 20 de fevereiro, em que a vice-prefeita estava presente. O prefeito estava de férias na ocasião. A gente teve uma mesa onde não houve muita discussão, embora a gente tivesse argumentado bastante.

Continua depois da publicidade

Mara argumenta que a prefeitura segue com propostas já feitas anteriormente, sem acordo com a nova campanha salarial, e explica que os demais servidores estão de acordo com o pedido de aumento real do salário.

— A gente tem feito visitas aos locais trabalho, feito inúmeras assembleias e a gente tem essa capacidade de falar pelo servidor. Mas, nessa reunião do dia 20, embora a gente argumentasse, a gente teve respostas engessadas e requentadas da prefeitura, de coisas que já estavam em andamento no ano passado e não são respostas objetivas à pauta desta campanha salarial — cita a presidente.

A partir disso, o sindicato quer fazer nova reunião com a prefeitura, com aumento real do salário e do vale-alimentação.

— Porque não dá para os servidores aceitarem que uma pequena camada tenha 37% de aumento e nós nem um ganho real, nem o aumento do vale-alimentação — finaliza.

Continua depois da publicidade

O que diz a prefeitura sobre a campanha salarial

Segundo a prefeitura de Joinville em nota, na reunião de 20 de fevereiro, Rejane Gambin formalizou uma proposta que atende a 10 itens da pauta apresentada pela categoria no final do ano passado. Além disso, a negociação de quatro novas propostas tiveram avanço, conforme o governo municipal.

O principal ponto apresentado pela gestão municipal confirma a reposição de todo o índice inflacionário em parcela única, calculada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). 

— Nossa gestão preza pelo diálogo ético e pela transparência. Ao protocolar e formalizar esses itens, reafirmamos que a valorização do servidor é uma prioridade tratada com responsabilidade fiscal e respeito profissional”, afirmou Rejane na época.

No campo da saúde do trabalho, foi confirmada a abertura da nova Unidade de Saúde do Servidor no ano de 2026, com implantação de um novo serviço de saúde, bem-estar e qualidade de vida. Com a unidade, será possível garantir atendimento preferencial e multidisciplinar a servidores que tenham alguma intercorrência no exercício da função, em fluxo a ser elaborado com a participação do sindicato.

Continua depois da publicidade

A gestão também instituirá, por meio de Decreto, a Política Municipal de Educação Permanente, reorganizando as ações de desenvolvimento do servidor e regulamentando as liberações para atividades educativas. Outro ponto relevante é a regulamentação para a liberação de servidoras vítimas de violência para realizar denúncia e também receber atendimento e suporte.

Na área da Educação, a prefeitura garante o cumprimento do Piso Nacional do Magistério, com o encaminhamento de Projeto de Lei para adequação dos níveis salariais que, porventura, fiquem inferiores ao mínimo.

Também foi assegurado o acesso dos auxiliares de educador aos avisos e informes do sistema EVN e a reavaliação do posicionamento de câmeras nas unidades.

O documento protocolado reforça, ainda, a continuidade da realização periódica de concursos públicos, conforme a validade dos editais vigentes, e a implantação do plano de adequação à NR01, com reunião técnica já agendada para apresentação ao Sinsej.

Continua depois da publicidade

Além dos itens previstos na proposta elaborada pela prefeitura, a reunião resultou na negociação de quatro novos pontos de avanço para a categoria.

Ficou acordado o avanço das discussões para a reestruturação das carreiras junto às categorias profissionais, incluindo representantes do sindicato e dos servidores beneficiados, com base em um cronograma de atividades estabelecido em comum acordo.

Além disso, ficou assegurada a manutenção da previsão do acréscimo no valor de R$ 1 milhão mensal destinado à conversão de licenças-prêmio em pecúnia, com o acréscimo adicional de R$ 250 mil mensais para acelerar esses pagamentos. Este avanço foi possível após o término do parcelamento dos débitos da Prefeitura junto ao Ipreville.

A Prefeitura de Joinville, por meio das secretarias de Gestão de Pessoas e da Fazenda, irá realizar e apresentar ao sindicato os impactos da Lei Complementar 226/2026, a respeito do pagamento retroativo de vantagens funcionais impactadas durante a pandemia da Covid-19 quanto à sua viabilidade de aplicação.

Continua depois da publicidade

Por fim, a gestão municipal confirmou que, tão logo regulamentada pelo Ministério da Educação, buscará a adequação ao disposto na Lei 15.326/2026, sobre o piso salarial nacional para os profissionais do magistério público da Educação Básica.