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Segurança

Sete pessoas que tentaram explodir muro da Penitenciária de Joinville vão a julgamento

Eles tentavam libertar um homem que já havia sido alvo de um "resgate" frustrado meses antes, com um helicóptero que caiu e causou a morte de três pessoas

13/02/2020 - 11h00 - Atualizada em: 13/02/2020 - 11h29

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Cláudia
Por Cláudia Morriesen
foto mostra o muro com apenas uma pequena fissura
Os explosivos causaram apenas uma pequena fissura no muro
(Foto: )

Os sete réus acusados de tentar explodir o muro da Penitenciária Industrial de Joinville, com o intuito de libertar um detento da unidade, está enfrentando o júri popular a partir desta quinta-feira (13). O julgamento continuará na sexta-feira (14), sempre a partir das 8 horas, e ocorre no Fórum de Joinville. O juiz Gustavo Henrique Aracheski é o responsável por estas sessões do Tribunal do Júri.

O grupo é acusado pelo episódio que aconteceu na madrugada do dia 13 de agosto de 2018 e que envolveu nove acusados. Segundo a denúncia do Ministério Público, o grupo dirigiu-se aos fundos da Penitenciária Industrial de Joinville e colocou um artefato explosivo no muro do estabelecimento prisional. A detonação, no entanto, causou apenas algumas fissuras no muro, o que impediu o grupo de invadir a unidade prisional.

Após a explosão, três agentes prisionais que estavam em uma guarita próxima ao local da explosão avistou o grupo e atirou contra eles. Com isso, o grupo revidou, efetuando vários disparos contra os agentes penitenciários. Nenhum dos policiais se feriu.

A denúncia sustenta que a tentativa de homicídio contra os agentes foi cometida por motivo torpe, pois decorreu da tentativa de resgate de um membro de facção criminosa detido na Penitenciária Industrial de Joinville. Dentro do planejamento arquitetado pelos acusados, quatro deles participaram de toda a empreitada criminosa, cientes da explosão e das tentativas de homicídio.

Consta nos autos que um outro acusado deu auxílio moral e instigou a prática do crime, enquanto os demais tiveram participação material ao facilitar a execução do delito. Além disso, um dos acusados foi o responsável por ensinar os envolvidos a andar na mata para terem acesso aos fundos da Penitenciária e, de lá, vigiar o funcionamento da unidade.

Conforme o MP, outro rapaz repassou instruções sobre o crime e aconselhou os faccionados sobre os melhores ângulos para efetuar disparos contra as guaritas. Ele também apontou onde deveriam ser colocados os "miguelitos", como são chamadas as peças metálicas retorcidas que furam pneus para danificar as viaturas policiais e auxiliá-los na fuga.

Da parte de dentro da Penitenciária Industrial de Joinville, dois detentos estavam focados em causar tumulto, distrair vigilantes durante a execução do plano e, assim, lograr êxito em deixar aberta a cela onde estava o mentor do plano de fuga.

A fuga dos detentos não teve êxito porque o artefato explosivo não derrubou o muro da unidade e eles não conseguiram dar prosseguimento ao plano de fuga. Um dos homens que participaram da ação foi baleado e morreu a caminho do hospital.

O detento que estava preso no momento do ataque e articulou todo o plano também será julgado. Ele foi identificado como Paulo Henrique Artmann dos Santos, o Calango, que já havia sido condenado a 15 anos de prisão por tráfico de drogas e por ser o suposto líder de uma facção criminosa.

Antes da explosão do muro, o traficante já havia participado de outra tentativa desastrada de resgate. Em março de 2018, um dois homens locaram e depois sequestraram um helicóptero. A aeronave caiu no trajeto, ainda no bairro Paranaguamirim, e três pessoas morreram — entre eles, o piloto e o assistente dele.

Depois do episódio do helicóptero, Calango passou por outras duas penitenciárias, em Criciúma e em Itajaí, mas retornou para a Penitenciária de Joinville quando terminou o prazo da medida disciplinar. Depois da tentativa de invasão da penitenciária com a explosão do muro, ele voltou a ser transferido para Criciúma.

Todos os réus estão presos desde 2018. Eles foram identificados e detidos um mês depois.

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