Simone Tebet admite resistências no MDB e diz contar com PSDB e voto feminino

Tebet recebeu o aval do MDB nesta terça-feira para ser a candidata da terceira via

Compartilhe:

Pré-candidata do MDB à presidência da República Simone Tebet (Foto: Sergio LIMA / AFP)

A pré-candidata do MDB à presidência da República Simone Tebet afirmou nesta quinta-feira (25) que não tem dúvidas de que o PSDB vai apoiar o seu nome e dar o aval para concorrer em nome do grupo de partidos da chamada terceira via.

Continua após a publicidade

> Receba as principais notícias de Santa Catarina pelo Whatsapp

Tebet também minimizou eventuais resistências a seu nome dentro do próprio MDB. Disse que pode não ser unanimidade no partido atualmente, mas que a sigla estará unida na convenção partidária — que dará a palavra final sobre a candidatura.

Continua após a publicidade

— Nós não temos a unanimidade do partido, mas teremos a unanimidade na convenção. Isso que é importante. Essa unanimidade significa unidade — afirmou em entrevista a jornalistas.

O presidente Baleia Rossi (MDB-SP) havia dito no dia anterior que seu nome era chancelado por 90% do partido, embora haja alguns diretórios, em particular no Nordeste, que são contrários a uma candidatura própria.

Tebet também completou que a construção de uma aliança com o PSDB está em andamento e disse estar segura de que os tucanos estarão ao seu lado. Nesta semana, o ex-governador João Doria anunciou a desistência de concorrer, após se ver isolado e perder o apoio do seu próprio partido.

TSE aprova a 1º federação partidária das Eleições de 2022

Continua após a publicidade

— O Brasil chama e clama pelo centro democrático. E a esse clamor o MDB também grita: “presente”, junto com o Cidadania, e, em breve, não tenho dúvidas, o PSDB […] Eu não tenho dúvida que estaremos com aqueles que sempre foram nossos aliados de primeira hora, homens e mulheres de bem do PSDB. Não tenho dúvida que essa construção está sendo muito bem feita pelo nosso presidente Baleia Rossi junto do presidente [do PSDB] Bruno Araújo — completou.

Tebet recebeu o aval do MDB nesta terça-feira (24) para ser a candidata da terceira via. No mesmo dia, o Cidadania também realizou reunião da sua executiva nacional e chancelou o nome da senadora.

Continua após a publicidade

Dentre os partidos que permanecem no bloco, falta ainda a aprovação do PSDB, em reunião que deve ser realizada no dia 2 de junho. Para uma parcela dos políticos tucanos, no entanto, há resistência ao nome de Tebet.

Ânderson Silva: pré-candidato ao governo de SC pela esquerda, Dário define prioridades da campanha

Continua após a publicidade

Ainda patinando nas pesquisas eleitorais, Tebet disse que agora começa uma nova caminhada, com viagens ao Brasil para tentar divulgar as suas propostas. Afirma que ainda é desconhecida da população que por enquanto se manifesta escolhendo atualmente o “menos pior”.

Afirma ser capaz de conquistar metade da intenção de voto dos atuais dois líderes das pesquisas, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o atual presidente Bolsonaro.

Continua após a publicidade

— Estou pronta, preparada, me sinto honrada com essa missão, ciente dessa responsabilidade. Mas com fé em Deus vamos lograr êxito, vamos para o segundo turno, e, no segundo turno, vamos ganhar essa eleição — afirmou.

Simone Tebet também ressaltou a importância do voto feminino nessas eleições e disse que hoje “mulher vota em mulher” e também “homem vota em mulher”. Ressaltou a importância de haver uma política candidata à Presidência, argumentando que uma “mulher que se empodera, empodera outra mulher”.

Continua após a publicidade

Pedro Machado: Moisés cancela agenda em Blumenau após Hildebrandt testar positivo para Covid-19

— Eu era risco [sem intenção de votos nas pesquisas], virei 1% e agora sou 2%, aumentei 200% sem sequer me apresentar ao Brasil. Não vamos menosprezar a força das mulheres eleitoras que não estão satisfeitas com o Brasil que têm — afirmou,

Continua após a publicidade

No entanto, ela foi perguntada na sequência sobre sua fala inicial, na qual elencou políticos que a inspiraram na sua trajetória política e apenas citou homens.

Respondeu que não mencionou mulheres justamente pela falta de representatividade delas na política no passado e que sua candidatura é justamente um passo nesse sentido.

Continua após a publicidade

— Eu não consigo fazer referência a uma mulher que pode estar naquele momento, pelo menos que a história conta. Eu falo de muitas, eu poderia citar. Mas o que eu estou dizendo é que é por isso [falta de representatividade] que eu faço política — afirmou.

A senadora emedebista também adiantou que seu eventual governo terá paridade entre homens e mulheres nos cargos de primeiro escalão.

Continua após a publicidade

— Já está no meu programa de governo a criação de um governo paritário entre homens e mulheres. Bastam dois requisitos: que tenham competência e vontade de servir ao Brasil — afirmou.

Ainda na questão de gênero, a senadora foi questionada sobre a possibilidade e importância de ter uma candidata à vice-presidência mulher, hipótese que foi levantada pela também senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA), de um partido que integra a terceira via. Tebet evitou responder a pergunta e afirmou que a questão da escolha do vice cabe aos presidentes dos partidos do bloco terceira via.

Continua após a publicidade

Outro ponto de seu ponto de governo que adiantou foi a recriação do ministério da Segurança Pública, para centralizar algumas ações nessa área. Simone Tebet também foi questionada sobre a operação policial na Vila Cruzeiro, no Rio de Janeiro, que deixou pelo menos 25 mortos. A senadora descreveu como “massacre” e criticou duramente a postura do presidente Jair Bolsonaro (PL), que elogiou os policiais. E também disse que “lugar de bandido é na cadeia”.

— É preciso que utilizemos exatamente essa palavra [massacre]. O que aconteceu ontem foi um massacre. E nenhum dirigente, o presidente da República ou o cidadão mais comum, tem o direito de festejar a morte de quem quer que seja — afirmou.

Continua após a publicidade

— A questão de segurança pública é séria. Lugar de bandido é na cadeia, mas o papel da política é de prevenção, de repressão de utilizar-se da inteligência para poder abordar, prender e deixar com a justiça o papel que lhe cabe de julgar e condenar — afirmou.

*Reportagem de Renato Machado