Com a primeira reunião registrada em ata do em julho de 1922, a Liga da Sociedade Joinvilense completou o centésimo aniversário neste ano. O registro está, inclusive, no Álbum Histórico do Centenário de Joinville. Os materiais históricos mostram que a sociedade surgiu com a fusão de diversos sócios. Após dois anos de consultas, estudos e debates, cinco sociedades decidiram se juntar oficialmente com a denominação “Vereinsbundou”, ou Liga das Sociedades. Desde lá, a ideia era cada um manter os princípios, mas utilizando um patrimônio comum, com uma direção geral.

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A oficialização da “Liga” aconteceu durante a semana de comemoração do centenário da independência do Brasil. Para celebrar a ocasião, Joinville promoveu uma grande solenidade, com a participação das associações, além do 13º Batalhão de Caçadores. Pelo estatuto, as sociedades entregavam os bens e capitais, sem direito a nenhum retorno. No estatuto, em alemão e em português, assinado em 1928, um dos compromissos da diretoria com os sócios era oferecer frequentes e diferentes opções de distração. Entre os compromissos estava “cuidar da cultura espiritual dos sócios por meio da criação de uma biblioteca”.

Um dos primeiros atos da Liga foi adquirir um local próprio, para a instalação da sede, que aconteceu com a compra do Salão Walther, anteriormente Kuehne, construído em 1880 pelo cervejeiro Teodoro Kuehne, situado na Rua Jaguaruna, localizado no Centro da cidade.

O início teve dificuldades, mas a instalação do Cinema Majesty, o primeiro de Joinville, começou a atrair mais público ao salão. No entanto, em 9 de outubro de 1936, um incêndio, que começou no momento de uma projeção, destruiu todo o edifício, com a perda de documentos e do mobiliário. Apesar do dano material, ninguém morreu.

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Para arrecadar dinheiro e reformar o espaço, os sócios realizaram uma festa de despedida sobre os escombros e, voluntariamente, fizeram a remoção dos itens. Após a reforma, a pedra fundamental foi lançada em abril de 1937. A festa da cumieira aconteceu em agosto e a inauguração em novembro do mesmo ano.

Segunda Guerra Mundial

Às vésperas da Segunda Guerra Mundial, em 1938, o presidente do Brasil à época, Getúlio Vargas, decretou a “campanha de nacionalização”, política-chave do Estado Novo. Essa determinação atingiu, principalmente, os estados do Sul, onde havia a maior concentração de imigrantes alemães e descendentes. A campanha de nacionalização atingiu a cultura, economia, o ensino e as artes.

A partir de agosto de 1942, o Brasil se envolveu nos conflitos apoiando os Aliados, impactando na vida dos moradores de Joinville, incluindo perseguições e detenções de alemães e descendentes. A Liga da Sociedade Joinvilense passou esse período acompanhada de dificuldades. Para sobreviver, arrecadou dinheiro com o uso do salão, cinema, competições esportivas, cursos de dança e outras atividades.

Com o fim da guerra em 1945, a situação passou à normalidade e a Liga foi se reavivando, com uma nova geração frequentando as festas.

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Palco da cultura

Fechado pela Fundação Municipal do Meio Ambiente e Vigilância Sanitária em 2007 por falta de isolamento acústico, o local permaneceu inativo durante três anos. Para juntar recursos e cumprir as exigências dos órgãos fiscalizadores, o presidente Flávio Piazera vendeu parte do terreno e arrecadou R$ 2,6 milhões.

A partir de 2013, na busca de mais eventos para o espaço, a administração optou por estabelecer uma parceria com o produtor cultural Luciano Cavichioli, como uma saída para mantê-la como um espaço de cultura.

Desde então, a Liga já foi e é palco festas na boate Vagão, cinema, festas de chope, Carnaval, exposição de flores e até de uma pista de gelo para patinação.

Liga de Sociedades depois do incêndio, 1936

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