O Superior Tribunal de Justiça (STJ) adiou, nesta sexta-feira (6), o prazo para a conclusão pela Comissão de Sindicância para apuração dos supostos casos de importunação sexual contra o ministro catarinense Marco Buzzi. A informação foi confirmada ao NSC Total. Buzzi é alvo de duas denúncias: uma feita por uma jovem de 18 anos, e outra de uma mulher que trabalhou no gabinete do ministro.
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Antes, a sessão da Comissão de Sindicância para a análise da apuração estava prevista para o dia 10 de março. Agora, ela será realizada no dia 14 de abril, às 16h30min. O pedido de adiamento, segundo o STJ, foi feito pela própria Comissão. O órgão, no entanto, não explicou o motivo do pedido.
Buzzi está afastado do cargo desde fevereiro, investigado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Segundo o STJ, o afastamento é cautelar, temporário e excepcional. Ele não pode “utilizar seu local de trabalho, veículo oficial e demais prerrogativas inerentes ao exercício da função“.
Neste período de afastamento, ocupa a função de Buzzi o desembargador do Tribunal de Justiça de Minas Gerais e ex-deputado estadual, Luís Carlos Gambogi.
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Denúncias
A primeira denúncia foi feita por uma jovem de 18 anos, que afirma ter sido agarrada pelo ministro no mar da praia do Estaleiro, em Balneário Camboriú, no início de janeiro. O caso veio à tona no começo de fevereiro, após reportagem da revista Veja, e foi confirmado pelo colunista da NSC, Ânderson Silva, e pela reportagem da NSC TV.
De acordo com um relato feito à TV Globo, a jovem contou aos pais que estava no mar e percebeu a aproximação do ministro. Marco Buzzi teria puxado o corpo dela para junto do dele e a agarrado pela lombar. A vítima tentou se soltar por pelo menos duas vezes, mas o ministro teria insistido em forçar o contato, conforme o boletim de ocorrência. A jovem conseguiu se soltar, saiu da água e foi pedir ajuda aos pais.
Já a segunda denúncia foi feita alguns dias depois, onde uma mulher, que seria servidora do Judiciário, relata ter sofrido importunação sexual no gabinete do ministro. De acordo com o CNJ, o procedimento tramita sob sigilo para “preservar a intimidade e integridade das pessoas envolvidas e para a adequada condução das investigações”.
O que diz a defesa de Buzzi
Em nota divulgada após as denúncias, o ministro Marco Buzzi se disse impactado pelas notícias veiculadas e afirmou repudiar os fatos imputados contra ele. “Tudo está causando mágoas às pessoas da minha família e convivência. Creio que nos procedimentos já instauradas demonstrarei minha inocência. Tenho quase 70 anos de idade, trajetória pessoal e profissional ilibadas, casamento feliz, de 45 anos, que frutificou três filhas amorosas e minha família está coesa ao meu lado. Jamais adotei conduta que envergonhasse a família ou maculasse a magistratura”, afirmou, em nota. Leia na íntegra:
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“Caros colegas,
Muito impactado com as notícias veiculadas e também por me encontrar internado em hospital, sob acompanhamento cardíaco e emocional, até o momento estive calado. De modo informal soube de fatos contra mim imputados, os quais igualmente repudio.
Tudo está causando mágoas às pessoas da minha família e convivência. Creio que nos procedimentos já instauradas demonstrarei minha inocência.
Tenho quase 70 anos de idade, trajetória pessoal e profissional ilibadas, casamento feliz, de 45 anos, que frutificou três filhas amorosas e minha família está coesa ao meu lado.
Jamais adotei conduta que envergonhasse a família ou maculasse a magistratura. Esse histórico não é invocado como prova de inocência, mas como elemento relevante de coerência biográfica, o que clama por cautela redobrada na apreciação das graves acusações.
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Sem ainda compreender as razões das imputações feitas, lamento todo esse grande sofrimento e também desgaste da nossa Corte, revelando que estou submetido a dor, angústia e exposição que ninguém desejaria vivenciar.
De consciência tranquila, mas alma muitíssimo agitada, ante a prematura divulgação de informações, agradeço aqueles que me franquearam o benefício da dúvida. Confio que, por meio de apuração técnica e imparcial, os fatos serão plenamente esclarecidos.”





