O Tribunal de Contas da União (TCU) define nesta terça-feira (14) seu novo integrante em uma votação secreta no Plenário da Câmara, que escolherá o sucessor de Aroldo Cedraz entre sete candidatos.

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Atualmente, o grupo que dá a palavra final sobre os gastos do governo federal é composto por nove ministros: o presidente Vital do Rêgo Filho, Bruno Dantas, Antônio Anastasia, Jhonatan de Jesus, Augusto Nardes, Jorge Oliveira, Walton Alencar Rodrigues, Benjamin Zymler e a vaga em disputa nesta terça. São esses ministros que analisam as contas da Presidência e podem paralisar desde obras públicas até licitações bilionárias.

Disputa e sucessão na Câmara

A vaga em aberto é de indicação exclusiva da Câmara dos Deputados, o que transformou a sucessão em um termômetro da força das bancadas. Após a sabatina realizada na segunda-feira, sete nomes disputam o voto dos colegas: Danilo Forte (PSDB/Cidadania), Hugo Leal (PSD), Elmar Nascimento (União Brasil), Gilson Daniel (Podemos), Odair Cunha (bloco PT/MDB), Soraya Santos (PL) e Adriana Ventura (Novo).

Vencer na Câmara, contudo, é apenas a primeira etapa. Após a escolha dos deputados, o nome indicado ainda precisa passar pelo crivo do Senado Federal, onde será submetido a uma nova sabatina e votação. Só após essa dupla aprovação legislativa é que o escolhido poderá ocupar o cargo vitalício, o que explica o peso das articulações de última hora nos corredores de Brasília.

Sete candidatos disputam nesta terça-feira vaga vitalícia de ministro no Tribunal de Contas da União (Foto: Arquivo/Leopoldo Silva/Agência Senado)

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O equilíbrio entre o peso político e o rigor técnico

A estrutura do TCU é pensada como um sistema de pesos e contrapesos para evitar que um único poder domine a fiscalização. Das nove cadeiras, seis são indicadas pelo Congresso (três pela Câmara e três pelo Senado). As outras três cabem à Presidência da República; contudo, com regras rígidas: uma é de livre escolha e as outras duas devem ser preenchidas por auditores de carreira e membros do Ministério Público de Contas.

Essa composição cria um tribunal híbrido. De um lado, nomes como os ex-senadores Vital do Rêgo e Antônio Anastasia trazem a vivência política; de outro, magistrados como Walton Alencar e Benjamin Zymler garantem o olhar técnico de quem fez carreira na burocracia do controle estatal.

O filtro da sabatina e os critérios de estado

Para assumir o posto, não basta apoio político, é preciso ter “reputação ilibada” e conhecimentos profundos em Direito, Economia ou Administração. A lei exige que o indicado tenha mais de 35 anos e, em regra, menos de 65 no momento da posse, embora os ministros possam permanecer no cargo até os 75 anos, idade da aposentadoria compulsória.

O grande debate público em torno da votação de hoje é a independência da Corte. Como o TCU atua como o principal fiscal do orçamento federal, uma escolha baseada apenas em conveniências políticas pode fragilizar o controle das contas. Acompanhar esse processo é a garantia de que o tribunal continue transformando planilhas complexas em relatórios transparentes sobre como o imposto do cidadão é aplicado.

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*Com edição de Luiz Daudt Junior.