Subiu para 81% as chances do El niño atingir a categoria “super” em 2026. A atualização das projeções, que é feita mensalmente pela Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (Nooa), dos Estados Unidos, uma das principais instituições do mundo no monitoramento do fenômeno, reforçou nesta quinta-feira (9) que este pode ser um dos maiores El Niño da história. O pico, por enquanto, é esperado entre outubro e dezembro.

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O novo boletim mudou alguns pontos das estatísticas feitas em junho. Antes, havia 63% de probabilidade do aquecimento mais expressivo ocorrer entre novembro e janeiro. Pelo comportamento de diferentes fatores, como o vento, agora os pesquisadores acreditam que o ápice deve ser registrado um pouco antes. O El Niño deve continuar em atuação ao menos até o outono de 2027.

“Há 81% de chance de um El Niño muito forte durante o período de outubro a dezembro, que estaria entre os maiores eventos de El Niño registrados historicamente desde 1950. Mesmo os eventos de El Niño mais fortes não levam ao impacto típico em todos os lugares, mas eventos mais intensos podem inclinar significativamente as probabilidades a favor dos resultados esperados”, cita o comunicado.

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O que o órgão quis dizer é que isso não significa os maiores estragos de todos os tempos para as regiões afetadas. Um El Niño forte apenas torna os impactos mais prováveis. Ou seja, no caso de Santa Catarina, onde as chuvas são frequentes na primavera e verão, as precipitações tendem a ficar mais intensas. Para que haja um grande desastre relacionado às precipitações, é preciso um combo entre El Niño e outros fatores climáticos e meteorológicos, explicam profissionais da área.

Efeitos do El Niño se intensificam quando fenômeno não está sozinho

Alice Grimm, cientista reconhecida internacionalmente por pesquisas sobre o tema, destaca em um artigo que, apesar do El Niño deixar o Sul do país ainda mais vulnerável para chuvas extremas, oscilações oceânicas e atmosféricas que mudam semanalmente, anualmente e até em décadas precisam estar alinhadas para que o pior aconteça. Foi o que ocorreu durante a catástrofe do Rio Grande do Sul em 2024, quando houve um combo de El Niño, oscilações favoráveis e impacto das mudanças climáticas.

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O ano em que Santa Catarina teve o maior número de ocorrências relacionadas às chuvas nas últimas três décadas, por exemplo, foi em 2022, um período marcado pela atuação da La Niña.

Super El Niño é incomum, mostram dados históricos

O El Niño nada mais é do que o nome dado ao aquecimento das águas superficiais de um trecho do Oceano Pacífico, perto do Peru. Oficialmente não existe a classificação de “super El Niño”, mas o termo é usado popularmente quando o aumento da temperatura do oceano ultrapassa os 2°C acima da média, patamar considerado elevado e pouco comum, explica o meteorologista da Defesa Civil de Santa Catarina, Caio Guerra.

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Para se ter uma ideia, desde 1950, dos 25 episódios de El Niño, cinco tiveram registros acima dos 2ºC, mostram dados da Noaa. O que o levantamento também indica é uma diminuição no intervalo de El Niños de forte intensidade.

Entre a metade do século passado e meados do atual, foram mais de 10 anos entre um “super El Niño” e outro. Na história recente, esse tempo caiu para oito anos. E agora, se de fato o próximo aquecimento ficar acima dos 2ºC, a “pausa” será de menos de cinco anos.

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As intensidades do El Niño

  • Fraco: 0,5°C a 1,0°C acima da média
  • Moderado: 1,0°C a 1,5°C acima da média
  • Forte: 1,5°C a 2,0°C acima da média
  • Muito forte: acima de 2,0°C acima da média

O efeito do El Niño em SC

Apesar de já estar em aquecimento, cientificamente são necessários cerca de seis meses consecutivos com as anomalias a partir de 0,5ºC acima da média para que haja oficialmente um El Niño. No entanto, não há mais dúvidas sobre a “chegada” dele.

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Com o oceano cada vez mais aquecimento, os impactos também são percebidos de forma gradual em Santa Catarina. O El Niño deixa os episódios de frio intenso e duradouro mais escassos em relação ao inverno sem ele.

A diferença entre La Niña e El Niño

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o El Niño é o nome dado ao aumento na temperatura da superfície da água em um trecho do Oceano Pacífico perto do Peru, fazendo ela evaporar mais rápido. O ar quente sobe para a atmosfera, levando umidade e formando uma grande quantidade de nuvens carregadas.

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Com isso, no meio do Pacífico chove mais, afetando a região Sul do Brasil, pois a circulação dos ventos em grande escala, causada pelo El Niño, também interfere em outro padrão de circulação de ventos na direção norte-sul e essa interferência age como uma barreira, impedindo que as frentes frias, que chegam pelo Hemisfério Sul, avancem pelo país. Logo, elas ficam concentradas por mais tempo na região Sul.

O contrário, o resfriamento dessas águas, é chamado de La Niña. Os efeitos do La Niña para Santa Catarina são o oposto do outro fenômeno, já que as chuvas caem em menor volume no Estado.

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O El Niño em 10 passos