A preocupação com a superlotação nos hospitais de Joinville pode ganhar um novo agravante com a baixa cobertura de vacinação. O tema foi discutido pela diretora regional de saúde de Santa Catarina durante uma reunião da comissão da Câmara de Vereadores da cidade nessa quarta-feira (22).
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Juntos, os hospitais São José e o Regional contam com 504 leitos, mas têm 677 pacientes internados. Os pacientes ainda sem leito regular ficam em atendimento nos setores de emergência. Critérios de risco e regulação são levados em conta na organização das prioridades para internação.
Veja fotos dos hospitais e da reunião
No encontro da comissão da saúde, foi informado que o Hospital São José, administrado pela prefeitura, tem 260 leitos e está com 336 pessoas internadas. Enquanto o Hospital Regional Hans Dieter Schmidt, de gestão pelo governo do Estado, são 244 leitos, com 341 internados.
Baixa vacinação piora situação
Neste cenário, a diretora regional da Secretaria Estadual de Saúde, Graziela Vieira de Alcântara, que também estava presente na reunião da comissão, destacou que a cobertura vacinal contra influenza em Santa Catarina, em relação aos grupos prioritários, está em apenas 16% do total esperado.
A falta da proteção vacinal faz com que casos de gripe sobrecarreguem as portas de entrada dos hospitais São José e Regional, além do restante da rede de saúde, segundo a diretora.
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De maneira simples, a baixa vacinação impacta diretamente a superlotação das unidades ao aumentar o número de pacientes que buscam atendimento para doenças que poderiam ser prevenidas.
— A nossa cobertura está muito baixa e isso vai impactar muito mais as portas, tanto do regional quanto do São José, e o resto da rede como já acontece todo o ano — argumenta.
Prevenção para evitar superlotação
Além disso, Graziela também destaca que quando a prevenção falha pela falta de vacina, o sistema é forçado a focar no tratamento de doenças agudas, o que contribui para o represamento de pacientes nos prontos-socorros e agravam a situação que já é enfrentada em Joinville.
— Quando a gente fala em leito, e vamos sim buscar aumentar sempre a capacidade de leitos, não significa entregar saúde para as pessoas. Leito é entregar cuidado para pessoas que já estão doentes, com exceções, mas nós estamos entregando tratamento de doença. Nós precisamos entregar saúde e saúde é prevenção — reforça a diretora.
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Apelo à população
Também presente no encontro da comissão da saúde na quarta-feira (22), Daniela França Cavalcante, secretaria de saúde de Joinville, destacou que se a baixa adesão à vacina persistir, como aponta Graziela, a tendência é de agravamento da superlotação nos hospitais, com o aumento de casos de síndromes respiratórias, que poderiam ter sido evitados.
Nesse sentido, quando pacientes de grupos de risco, elegíveis para a vacinação prioritária, desenvolvem complicações respiratórias agudas, eles necessitam de cuidados que muitas vezes envolvem leitos de alta complexidade, dificultando o tratamento de outras doenças.
Por fim, a secretária Daniela aproveitou a ocasião para fazer um apelo direto à população, para que as famílias busquem as vacinas nas unidades de saúde.
— A síndrome respiratória aguda é um desafio para a gente, chegando o inverno. Então, fica aí o nosso chamado e o nosso pedido: busquem a vacina. Vacina é saúde, vacina é vida — finaliza.
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Conforme o painel do Ministério da Saúde, com dados extraídos nesta quinta-feira, apenas 19,29% do público prioritário para receber a vacina contra a Influenza em Joinville foi vacinado.
Assista a reunião da comissão
O que a rede de saúde alega na cidade
A direção do Hospital Municipal São José alegou o crescimento da cidade e dos municípios do entorno foi maior do que o avanço da estrutura hospitalar de Joinville. Além disso, em torno de 40% dos atendimentos no pronto-socorro são de pacientes que deveriam ter sido atendidos em outras unidades da rede. Na manifestação, foram citadas medidas para agilizar o atendimento, como maior capacidade de atendimento dos ambulatórios e as internações domiciliares.
A direção do Hospital Regional Hans Dieter Schmidt citou que está preparando atendimento pelo Emad (equipes multiprofissionais de atenção domiciliar) para as internações hospitalares. A contratação dos profissionais está em preparação, com chamamento de aprovados. São 100 pacientes que poderão ter alta para atendimento domiciliar. Também foi citada a reforma do pronto-socorro, com melhor estrutura para atendimento. O setor de cardiologia está em reforma.
A secretária de Saúde de Joinville, Daniela Cavalcante, apontou a defasagem “significativa” de leitos em Joinville ao longo das décadas, em análise com base em portaria de proporção pelo tamanho da população. Em abordagem sobre os conceitos em saúde, a secretária citou ainda a avaliação sobre o tempo médio de internação e os critérios de internação, entre outros temas.
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*Sob supervisão de Leandro Ferreira





