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    "Remei como nunca antes na minha vida", diz surfista mordido por tubarão em Navegantes

    Ocorrência rara no Estado tranquiliza vítima, que tem convicção de ter sido um acidente, não ataque

    25/01/2021 - 15h51 - Atualizada em: 29/01/2021 - 15h15

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    Bianca
    Por Bianca Bertoli
    Júnior se recupera do susto
    Júnior se recupera do susto
    (Foto: )

    O surfista que levou uma mordida de um tubarão-mangona em Navegantes neste domingo (24) conta que o susto não o fará desistir do hobby preferido dele. Wilson Gevard Júnior, 43 anos, é empresário, mora em Blumenau, mas praticamente toda semana vai ao litoral para praticar o esporte. Nessa última vez, foi surpreendido pelo animal, que acabou causando um ferimento no pé do homem.

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    — Foi um acidente, não um ataque. Infelizmente ele esbarrou com o meu pé. Não é uma espécie perigosa, mas na hora você só pensa em sair da água, fica com a sensação de que vai te pegar de novo. Quando ele me mordeu, eu puxei a perna e remei como nunca antes na minha vida — lembra, já conseguindo dar risada do ocorrido.

    Júnior chegou à praia cedo e por volta das 8h estava no mar. Com as chuvas que castigam o Estado, a água estava mais suja que o habitual e repleta de pequenos peixes. Depois de pegar uma onda, sentou na prancha, com os pés para baixo, à espera de outra. Foi neste momento que sentiu a mordida. 

    O tubarão o puxou e com o susto Júnior ergueu o pé e remou sobre a prancha o mais rápido que conseguiu em direção à areia, onde havia um posto de guarda-vidas. Aos gritos de “mordeu meu pé”, foi atendido pelos amigos que estavam com ele e os socorristas.

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    O homem foi levado ao hospital e recebeu dois pontos. Durante dez dias deve cuidar do ferimento, que precisa ficar parcialmente aberto para cicatrização. 

    Empresário surfa há dez anos
    Empresário surfa há dez anos
    (Foto: )

    O atendimento para este tipo de caso é algo atípico em Santa Catarina, que não tem histórico de acidentes envolvendo tubarões. Júnior, que surfa há dez anos, garante nunca ter passado por nada parecido.

    Para o pesquisador Jules Soto, do Museu Oceanográfico da Univali, em Balneário Piçarras, o animal provavelmente estava atrás de alimento e mordeu de leve o pé do surfista para ‘sondar’ do que se tratava. Esse é um comportamento típico da espécie.

    Sabendo disso, Júnior não se diz preocupado com a situação e pretende voltar a surfar no mesmo lugar de sempre. O único cuidado, a partir de agora, será em dias em que a água estiver muito suja, como aconteceu neste domingo. Nesses casos os pés ficarão mais juntos à prancha, brinca o empresário.

    Raridade

    Colo explicou a colunista Dagmara Spautz, antes de ser ameaçado de extinção pela pesca predatória, o tubarão-mangona era facilmente encontrado na costa catarinense. De acordo com o curador do Museu Oceanográfico, eles eram vistos nadando a um ou dois metros de profundidade, especialmente à noite.

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    Com a população praticamente dizimada, o mangona sumiu das praias catarinenses. Mas outros tubarões costumam dar o ar da graça com mais frequência – entre as espécies costeiras mais comuns estão o tubarão-anjo, o cação cola-fina, o cação-bagre e o cação bico-doce.

    Vez ou outra, espécimes raros também aparecem. Em 2019, por exemplo, um anequim, conhecido como o tubarão mais rápido do mundo, surgiu na praia em Itapema.

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