Comprar um carro 0 km de entrada ainda tem seus atrativos: cheirinho de novo, garantia de fábrica, menor risco de manutenção e a sensação de ser o primeiro dono. Mas com o atual patamar do mercado automotivo, em que muita gente prefere carros maiores, o preço de um compacto novo encosta no valor de SUVs usados mais espaçosos, potentes e confortáveis.

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No site da Renault, o Renault Kwid aparece atualmente com preço a partir de R$ 82.790 na versão Zen, enquanto a Outsider parte de R$ 91.190. Com esse dinheiro, já é possível olhar para SUVs usados como Renault Duster, Ford EcoSport, Mitsubishi ASX, Hyundai Tucson e Chevrolet Tracker.

A pergunta, então, não é só qual cabe no bolso. É qual deles faz mais sentido para quem aceita abrir mão do carro zero em troca de mais espaço, motor maior e posição de dirigir elevada.

O usado que parece mais racional

Entre os cinco, o Renault Duster é o que aparece como escolha mais racional para a maioria dos compradores. Ele não é o mais refinado, nem o mais moderno, mas costuma entregar o pacote que muita gente procura em um SUV usado: bom espaço interno, porta-malas generoso, mecânica conhecida e manutenção relativamente simples.

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Na Tabela Fipe de junho de 2026, um Duster 2020 aparece em faixas que vão de R$ 68.181 a R$ 80.029, dependendo da versão. Isso coloca o SUV abaixo ou perto do preço de um Kwid zero, mas com porte bem superior.

O ponto de atenção está no estado do carro. Duster usado pode ter passado por uso pesado em estrada de terra, aplicativo, frota ou família grande. Vale procurar unidades com histórico de manutenção, pneus em bom estado, suspensão sem ruídos e câmbio revisado.

EcoSport é boa, mas exige cuidado na escolha

O Ford EcoSport também entra forte nessa comparação, principalmente em unidades 2019 e 2020. A vantagem é que ele costuma ser mais fácil de encontrar, tem bom pacote de equipamentos e ainda agrada quem quer um SUV compacto para cidade.

A faixa de Fipe do EcoSport 2020 vai de R$ 69.076 a R$ 79.677, enquanto modelos 2019 aparecem de R$ 66.091 a R$ 77.733.

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A dica aqui é fugir de compra por impulso. Em versões mais antigas, o câmbio Powershift é um ponto sensível conhecido no mercado. Nas unidades mais novas, o conjunto ficou mais interessante, mas a saída da Ford da produção de carros no Brasil ainda pesa na cabeça de parte dos compradores e pode influenciar revenda.

Tracker é a opção mais urbana

A Chevrolet Tracker talvez seja a mais interessante para quem quer um SUV usado com pegada mais urbana. Ela não tem o espaço de um Duster, mas agrada pelo tamanho compacto, posição de dirigir e câmbio automático.

A Tracker 2016 LTZ 1.8 automática aparece com Fipe de R$ 68.147 em junho de 2026. Já a Tracker 2017 1.4 turbo automática sobe para a casa dos R$ 73.293 na versão LT e R$ 79.607 na LTZ.

Se a ideia for gastar menos, a 1.8 pode resolver. Se o orçamento permitir, a 1.4 turbo é mais agradável de dirigir. O cuidado fica para manutenção preventiva, histórico de óleo correto e análise do câmbio automático.

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ASX entrega porte, mas cobra mais

O Mitsubishi ASX é o nome mais “diferentão” da lista. Ele tem visual de SUV médio, motor 2.0, câmbio automático CVT e uma imagem de robustez. Para quem quer sair de um subcompacto zero para algo com presença bem maior, é uma troca tentadora.

O problema é que essa troca também traz custos maiores. Um ASX 2014 aparece entre R$ 65.376 e R$ 69.262 na Fipe, enquanto o ASX 2015 vai de R$ 67.897 a R$ 74.810.

Mesmo cabendo no orçamento, ele tende a cobrar mais em pneus, peças, consumo e seguro. É uma boa compra para quem quer um SUV mais encorpado e aceita pesquisar bastante antes de fechar negócio.

Tucson é barato pelo tamanho, mas sente a idade

O Hyundai Tucson chama atenção porque parece oferecer muito carro por pouco dinheiro. Em junho de 2026, o Tucson 2016 2.0 automático aparece com Fipe de R$ 59.768. Modelos 2017 e 2018 sobem para faixas mais altas, chegando a R$ 63.676 e R$ 75.408 nas versões 2.0 flex automáticas.

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Só que o Tucson mais antigo é um projeto de outra época. Ele tem espaço, mecânica conhecida e visual que ainda agrada, mas costuma beber mais, tem acabamento datado e não entrega o mesmo pacote de segurança e tecnologia de SUVs mais novos.

Para quem roda pouco e quer espaço, pode fazer sentido. Para quem usa o carro todo dia em trânsito pesado, o consumo pode transformar o “bom negócio” em conta salgada no posto.

Ranking: qual vale mais a pena?

Considerando preço, idade, manutenção, liquidez e uso familiar, eu colocaria assim:

  1. Renault Duster — melhor escolha racional pelo espaço e custo geral.
  2. Chevrolet Tracker — melhor para uso urbano, especialmente se achar uma 1.4 turbo bem cuidada.
  3. Ford EcoSport — boa compra nas unidades mais novas, com atenção ao histórico.
  4. Mitsubishi ASX — interessante, mas com custo de manutenção mais alto.
  5. Hyundai Tucson — muito espaço por pouco dinheiro, mas consumo e idade pesam.

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