O South by Southwest (SXSW) 2026 começou nesta quinta-feira (12), em Austin, nos Estados Unidos. Logo no primeiro dia do evento, os painéis focaram em temáticas que marcam grande parte da programação deste ano, com debates sobre Inteligência Artificial (IA), criatividade e relações humanas.

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Durante o primeiro dia, muito do conteúdo teve como objetivo refletir sobre o impacto das inovações tecnológicas nas relações humanas e sociais. Nas trilhas de conteúdo, a IA está presente por meio de reflexões sobre os impactos que provoca na vida cotidiana. Nos primeiros debates do festival, especialistas discutiram como as novas formas de trabalho e transformações culturais estão redesenhando a forma de pensar, aprender e se relacionar.

Considerado o maior evento de inovação, criatividade e cultura do mundo, o SXSW reúne, em uma só plataforma, pesquisadores, executivos, artistas e criadores de diferentes áreas para discutir tendências e desafios contemporâneos. A NSC acompanha a programação do festival para trazer ao mercado catarinense os principais debates apresentados no evento.

Entre os temas que marcaram a abertura da edição de 2026 estão a relação entre tecnologia e cognição humana, o papel da criatividade em um mundo cada vez mais automatizado, o desenvolvimento de jovens em ambientes digitais e a importância das conexões sociais para o bem-estar.

Tecnologia e cérebro humano entram no centro do debate

Uma das primeiras sessões do dia abordou a relação entre inteligência artificial e funcionamento do cérebro humano. No painel “AI & the Brain: As We Embrace AI, Let’s Not Forget Our Minds”, os especialistas Olivia Joseph, pesquisadora em Computação e Cognição no MIT, Sanjay Sarma, professor de Engenharia Mecânica do MIT, Izzat Jarudi, cofundador e CEO da Edifii, e Chris Gabrieli, presidente do Conselho de Educação Superior de Massachusetts, discutiram como o avanço da IA pode alterar hábitos cognitivos.

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A discussão partiu da ideia de que muitas funções mentais são delegadas às tecnologias e à IA. Navegação, memória e até processos de escrita passaram a ser mediados por aplicativos e sistemas automatizados. Esse movimento pode gerar debates sobre o que acontece com as habilidades cognitivas quando deixam de ser exercitadas com frequência.

Pesquisas em neuroplasticidade indicam que o cérebro responde ao uso constante de determinadas capacidades. Quando essas funções deixam de ser utilizadas, podem se enfraquecer ao longo do tempo. Por isso, os especialistas debateram o fato de que as ferramentas tecnológicas ampliam possibilidades, mas também exigem atenção para que não substituam completamente processos de pensamento e reflexão.

Criatividade ganha valor em cenário dominado por IA

Outro painel que movimentou o público na programação foi o “Thrive or Survive: Why Creativity is the Key to an AI-Future”, que discutiu o papel da criatividade em uma realidade cada vez mais automatizada. Participaram da conversa Ned Johnson, educador e autor de The Self-Driven Child, Ifeoma Ajunwa, professora e vice-diretora da Emory School of Law, Mike Pell, pesquisador e autor ligado à Microsoft, e Andrea Virgin, presidente do Center for Arts & Innovation.

Os participantes argumentaram que a inteligência artificial tem grande capacidade de resolver tarefas baseadas em eficiência e repetição, mas a criatividade continua como um diferencial humano fundamental para lidar com complexidade e interpretar contextos. Eles ainda reforçaram que habilidades como pensamento crítico, capacidade de análise, sensibilidade cultural e interpretação estão cada vez mais relevantes no trabalho.

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Para os próximos anos, o acesso à tecnologia deixa de ser o principal diferencial competitivo e passa a dividir espaço com repertório, imaginação e capacidade de formulação de ideias. Além disso, de acordo com os especialistas, os processos criativos frequentemente dependem de tentativa, erro e experimentação, elementos que podem desaparecer quando respostas são fornecidas de forma instantânea por sistemas automatizados.

Narrativas continuam no centro da experiência humana

A programação também teve espaço para reflexões sobre cultura e comunicação. No painel “The Story of Stories: The Million Year History of Storytelling”, o autor Kevin Ashton apresentou uma perspectiva histórica sobre o papel das narrativas na formação da humanidade.

Segundo Ashton, histórias acompanham a trajetória humana desde muito antes do surgimento da escrita ou das primeiras cidades. A ideia central apresentada na sessão propõe uma inversão: em vez de a linguagem ter criado as narrativas, as narrativas teriam moldado a própria linguagem e ajudado a construir formas de organização social.

A discussão do autor teve como ideia central que, mesmo em um contexto marcado por avanços tecnológicos, a capacidade de contar histórias permanece como uma ferramenta essencial para a comunicação, a cultura e a transmissão de conhecimento.

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Juventude e educação em um mundo mediado por tecnologia

O impacto da inteligência artificial no desenvolvimento das novas gerações também foi tema de discussão, no painel “How to Support Resilient Youth in an AI World”, com a presença de Miriam Schneider, diretora de iniciativas de aprendizagem do Google DeepMind, Maureen Polo, CEO da Hello Sunshine, Martin McKay, fundador da Everway, e Rebecca Winthrop, pesquisadora da Brookings Institution.

Os painelistas discutiram os impactos de crescer em um ambiente que tem a IA como fonte de informação. Eles comentaram os efeitos que essa mudança tecnológica tem na formação de identidade, autonomia e pensamento crítico entre crianças e adolescentes, que estão em fase de desenvolvimento da personalidade.

Como conclusão, os especialistas afirmaram que o desenvolvimento de resiliência e a capacidade de lidar com desafios ainda são parte fundamental do processo educacional. Segundo eles, ambientes de aprendizagem precisam criar espaço para experimentação, erro e construção gradual de conhecimento, sem dependência de inteligência artificial.

Conexões humanas são novo indicador de bem-estar

Além das discussões sobre tecnologia, alguns painéis abordaram o papel das relações sociais na qualidade de vida. No debate “Social Health Trends & Predictions: Connection is the New Frontier”, a pesquisadora Kasley Killam apresentou o conceito de saúde social como um dos pilares do bem-estar humano.

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A ideia da especialista parte do princípio de que, além da saúde física e da saúde mental, a qualidade das relações sociais exerce influência direta sobre longevidade, imunidade e equilíbrio emocional. Segundo Killam, a redução das interações presenciais nas últimas décadas e o aumento do isolamento, especialmente entre jovens, indicam a necessidade de repensar como as comunidades, empresas e instituições estimulam conexões humanas.

No mesmo tema, o primeiro dia teve na programação a keynote “A Conversation with Jennifer B. Wallace”, na qual a jornalista e autora discutiu o conceito de mattering, termo usado para descrever a necessidade humana de sentir que é vista, ouvida e valorizada dentro de uma comunidade.

A palestra da profissional explorou como os ambientes altamente orientados por desempenho podem ampliar sentimentos de ansiedade e comparação constante. Ela reforçou, também, a importância de vínculos sociais no desenvolvimento de crianças, jovens e adultos.

A presença da NSC no evento conta com o patrocínio de Rudnik e F/BRAVE.

A NSC acompanha a programação do SXSW 2026 ao longo da semana para trazer os principais insights apresentados no festival. Acompanhe para não perder os detalhes!

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