Muito mais do que parece à primeira taça ou ao primeiro batuque, vinho e carnaval caminham juntos desde o início da humanidade. E sempre esteve presente em vários rituais. A origem ancestral é comum aos dois; remonta à Grécia antiga, quando as sociedades eram essencialmente agrícolas, A vinha (vinhedo) foi um dos primeiros símbolos das civilizações assentadas na agricultura.
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Para os gregos, celebrar a fertilidade da terra e o ciclo da vida era algo essencial, e essas celebrações aconteciam em festas dedicadas a uma figura mitológica muito especial: Dionísio, o deus do vinho, do prazer, da liberdade e da celebração coletiva, que nasceram de rituais de pessoas que precisavam esquecer o peso da vida e lembrar do prazer de estar vivo.
Há mais de 2.500 anos, as festas de Dionísio, já reuniam o que hoje associamos facilmente ao Carnaval: música, dança, máscaras, cortejos e consumo compartilhado de vinho. O povo cantava e dançava ao som de tambores, enquanto grandes cântaros eram abastecidos com vinho, símbolo de união, igualdade e celebração da vida. Séculos depois estas comemorações foram incorporadas pelos romanos, que passaram a chamar Dionísio de Baco.
Com o tempo, o carnaval atravessou fronteiras, misturou culturas, que foram adaptadas por diferentes sociedades e chegaram até nós transformadas no que hoje conhecemos como Carnaval. Portanto vinho e folia sempre caminharam juntos na história.
Hoje, o vinho e o carnaval continuam juntos até no excesso, o vinho no excesso de aromas, sabores e emoções, no carnaval o de cores, corpos, sons, suor e liberdade. O vinho traduz a terra, o clima, o tempo. O carnaval traduz o povo, a história, a liberdade e resiliência.
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Para quem o vinho é sempre a bebida para acompanhar a vida, seja nos momentos de reflexão, calmaria ou de alegria, o vinho harmoniza e muito com este momento festivo que são as festas carnavalescas. Escolher vinhos leves, refrescantes, fáceis de beber, que são perfeitos para o calor, a festa e os encontros é prazer garantido. Não é preciso investir em rótulos caros, pois o principal objetivo é refrescar-se sem pesar no bolso e no corpo, mas deixar a alma voar na alegria.
Evite vinhos tintos de alto teor alcoólico que são mais estruturados e que aumentam a temperatura corporal. Escolha vinhos espumantes (aposte nos rótulos brasileiros são de excelente qualidade e preço), vinhos brancos e rosés jovens e sem passagem em madeira, para apresentarem um perfil mais fresco e leve no paladar, com notas cítricas e frutadas, que trazem refrescância para o corpo.
Aposte em castas que possuam o perfil de acidez elevada, corpo leve, frescor e vinhos preferencialmente de baixo teor alcoólico, as castas que produzem vinhos com este perfil são Sauvignon Blanc (SC possui exemplares maravilhosos) Pinot Grigio, Alvarinho, Vinhos Verdes, Riesling, a austríaca Grüner Veltliner e a famosa e internacional chardonnay.
Os espumantes são os reis do carnaval, pois sempre trazem uma deliciosa acidez que limpa o paladar, refresca do calor, o perlage que explode como confetes, trazendo prazer. Harmoniza muito com as comidinhas e alegria das festas de Momo.
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Os brancos jovens e sem barrica garantem o frescor, acidez e baixam a temperatura interna. Já os Rosés jovens, além de garantir a delicadeza, a vivacidade e elegância da cor é um diferencial que combina com estes dias de festa, sendo também um coringa na harmonização. Acompanhando lindamente, desde pratos leves a mais estruturados e todos os frutos do mar.
Agora, se você não abre mão do vinho tinto, o que eu acho que deveria, pois garanto uma experiência que vai te surpreender. Então esteja atento que carnaval e calor não combina com taninos, portanto com vinhos de guarda que tem como “regra” ser estruturado, possuir álcool elevado e taninos bem presentes.
Escolha tintos leves e jovens. A casta (uva) é determinante nesta escolha, pois determinará o estilo de vinho que será produzido. As que fazem vinhos mais menos encorpados, mais leves, menos alcoólicos e menos tânicos e deliciosos sao: A Pinot Noir, Gamay, Grenache e Bobal. A Merlot faz Rosés que irão agradar quem quer mais estrutura no vinho, sem abrir mão da leveza e frutas. Estes vinhos serão harmonizados mais facilmente com a gastronomia de verão que deve ser leve e refrescante, não correndo o risco de termos uma experiência desastrosa.
Atenção à temperatura dos vinhos, que no verão devem ser servidos mais frescos que a temperatura de serviço indica; porque com o calor externo alto, após poucos minutos servido na taça, sua temperatura aumenta muito rápido. Sirva o vinho em pequena quantidade para garantir uma ótima experiência. Não esqueça nunca, a temperatura de serviço correta é muito importante, é onde o vinho te proporciona a melhor experiência. E não esqueça que a água deve ser tua companheira inseparável nestes dias de folia. Dela deves beber sem moderação.
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Carnaval é intensidade, mas o vinho precisa ser cúmplice da alegria, não precisa ser o mais caro, nem o mais complexo, mas aquele que dança com você, que refresca o corpo, acorda os sentidos e acompanha o ritmo sem pesar, e ainda deixa a alegria fluir com espaço para acordar sorrindo no dia seguinte. Desejo que nosso carnaval seja entre muita purpurina e abraços. E que o vinho seja leve como a alma, intenso no corpo e feliz como a vida!
Saúde!
Néa Silveira
@neasommeliere






