O dia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Santa Catarina teve agenda cheia e compromissos que envolveram de pressão política ao adversário Jorginho Mello (PL) a entrega da esperada tainha. Lula participou de duas cerimônias em estaleiros de Itajaí, no Litoral Norte.
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Visita aos estaleiros e batismo de fragata
A terceira visita de Lula a SC no atual mandato teve início pela manhã. Lula desembarcou no aeroporto de Navegantes, onde já foi recebido pelos pré-candidatos da chapa de esquerda a Santa Catarina. Uma espécie de foto oficial da pré-campanha com os pré-candidatos a governador, Gelson Merisio (PSB), a vice Angela Albino (PDT) e ao Senado, Décio Lima (PT) e Afrânio Boppré (PSOL) foi feita ao final do primeiro evento, destinado ao gatismo da fragata Cunha Moreira, a terceira dos quatro navios de guerra construídos pelo consórcio Águas Azuis em Itajaí.
Lula e o comboio de autoridades seguiram para o estaleiro TKMS em trajeto de carro, pelas rodovias BR-470 e BR-101. O ministro dos Transportes, George Santoro, afirmou em discurso que o presidente chegou a ver um congestionamento no trecho da BR-101 entre Navegantes e Itajaí, ao citar investimentos e concessões de rodovias federais no Estado.
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Na chegada, Lula posou para fotos com funcionário do estaleiro TKMS em frente à fragata. Em palco, o presidente logo chamou a atenção. Chegou ao primeiro ato com um chapéu e um sobretudo preto, contrastados por uma meia com desenho de cachorrinhos – design pelo qual o seu vice Geraldo Alckmin (PSB) já ficou famoso nas redes sociais.
Com o frio de Itajaí e Lula envolto no sobretudo, o fotógrafo oficial da Presidência, Ricardo Stuckert, chegou a oferecer um objeto semelhante a uma manta ao presidente no início da solenidade, mas Lula descartou o acessório.
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Recuperação médica e discurso político
Durante o hino nacional, Lula tirou o chapéu, deixando à mostra um curativo na parte de cima da cabeça. Segundo a assessoria da Presidência, trata-se de uma proteção a uma região sensível da pele após procedimentos de radioterapia sofridas pelo presidente. Em junho, Lula anunciou o fim das sessões e a cura, após retirar um câncer de pele em abril.
Chamado ao discurso, Lula quebrou o protocolo para pedir um minuto de silêncio em homenagem às vítimas do terremoto na Venezuela e pediu ao ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, que viajasse ao país vizinho na próxima semana para ajudar nos resgates. No restante da fala, Lula destacou a importância das Forças Armadas na defesa da soberania nacional e criticou o ambiente de conflitos no cenário internacional, chegando a afirmar que tem muito louco no mundo, para citar em seguida o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
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Impasse da tainha e ampliação de cotas
Em um dos intervalos do evento, Lula recebeu uma caixa de tainha e posou para fotos com o peixe que está em época de safra no litoral catarinense. No início do mês, Lula acionou o Ministério da Pesca e Aquicultura e do Meio Ambiente para solicitar uma solução para um impasse após o fim da cota para pesca de tainha por arrasto de praia em SC. Lula chegou a gravar um vídeo afirmando que havia pedido solução e anunciando a visita no fim do mês a Itajaí. Na gravação, Lula afirmou que iria querer uma tainha.
Dias após o pedido de Lula, o governo federal anunciou a ampliação da cota de arrasto de praia da tainha em mais 430 toneladas, sendo 200 para o Litoral Sul e 230 para o Litoral Norte de SC. A entrega dos peixes a Lula teve a presença dos pré-candidatos da chapa de esquerda, incluindo o ex-presidente do Sebrae Décio Lima, e também do empresário itajaiense Paulo Seára.
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Cobranças ao governo estadual em arena
A segunda cerimônia da qual Lula participou era uma visita ao estaleiro Detroit para acompanhar a construção de navios de apoio para atuação da Petrobras em alto-mar. As embarcações fazem parte de um investimento massivo na indústria naval de Itajaí e devem ajudar a estatal no transporte de pessoas, produtos e equipamentos para plataformas de petróleo.
O segundo ato teve formato diferente, com um palco em modelo de arena, em que Lula circulava entre apoiadores e a imprensa, separado por grades. Mais à vontade, o presidente aproveitou o discurso para criticar a postura do governador Jorginho Mello, que não comparece aos eventos em que Lula vem ao Estado, chegando a afirmar que fica indignado com a situação.
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Lula também destacou investimentos do atual mandato em SC, comparou sua gestão com anteriores como a de Jair Bolsonaro e falou de temas como o combate à violência contra a mulher. Ao final do discurso, abraçou apoiadores, posou para fotos e autografou livros sobre sua biografia.
Reconhecimento às mulheres na indústria naval
Um dos atos que chamou a atenção ocorreu ainda no evento de batismo da fragata da Marinha, pela manhã. Ao final do discurso, Lula mencionou o aumento do número de mulheres em profissões da indústria naval, como soldadoras, e fez uma homenagem à profissional Marcilene Ribeiro Pires, que atua há 18 anos na função, e há seis meses no estaleiro TKMS, que fabrica as fragatas da Classe Tamandaré. Ao final do evento, ela falou sobre a sensação de ser homenageada em nome da categoria. – Quando Lula me abraçou e falou sobre a mulher, me senti privilegiada, abraçada, por ele entender o campo da mulher na solda. Gostei, me senti muito bem. – afirmou.
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