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    TURISMO NA PANDEMIA

    Temporada de inverno na Serra de SC começa com restrições e expectativa de retomada econômica

    Empresários e entidades ligadas ao turismo apostam no frio para a retomada econômica do setor na Serra Catarinense, com uma série de adaptações sanitárias

    20/06/2020 - 04h00

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    Eduarda
    Por Eduarda Demeneck
    Inverno na serra catarinense
    Paisagem de São Joaquim durante geada
    (Foto: )

    Oficialmente o inverno começa neste sábado. A estação é a mais esperada na Serra Catarinense, mas neste ano chega com um desafio: a pandemia da covid-19. O setor do turismo, que vinha crescendo economicamente na região, tem uma projeção de queda no faturamento de 73% nos meses de março, abril, maio e junho em comparação ao mesmo período do ano passado, segundo levantamento da Associação dos Municípios da Região Serrana. Os empreendimentos estão se adaptando às novas regras.

    Quem chega à região traz na mala muito mais que agasalho para enfrentar o frio. A máscara é item essencial e obrigatório. Nos restaurantes, hotéis, pousadas e pontos turísticos, além de adotar medidas para evitar a aglomeração, os empreendedores também precisam cumprir uma série de exigências sanitárias para garantir a segurança dos turistas e funcionários. Os cuidados e higienização foram redobrados. Os mais de 9 mil leitos da região reduziram pela metade, com as regras sanitárias impostas pelo governo do Estado. Algumas pousadas decidiram fechar as portas nesta temporada. É o caso da Reserva Faldum, em Urupema, que está fechada desde março, no início da pandemia, e só deve voltar a receber hóspedes em setembro, mas em um formato diferente.

    – Em setembro voltaremos com as nossas atividades, não mais como pousada, mas como casa de campo, justamente para receber grupos únicos, não ter vários grupos em um lugar só. Não ter em um único final de semana pessoas de São Paulo, Rio de Janeiro, de Porto Alegre, Florianópolis se juntando aqui – comenta a gerente da pousada Winni Rio Apa.

    Já as pousadas e hotéis que decidiram abrir estão tentando minimizar os impactos econômicos. Em Bom Jardim da Serra, na Estalagem Carucacas, investimentos previstos foram cancelados e ações de economia estão sendo colocadas em prática.

    – Estamos renegociando com fornecedores, melhorando o controle e a racionalização das compras, tomando todos os cuidados para que esse impacto do fluxo de caixa seja o menor possível – explica o proprietário do estabelecimento, Mario Michels.

    Aposta está no contato com a natureza

    Conforme o tempo passa a procura pelo setor hoteleiro na região serrana tem aumentado, principalmente nas pousadas rurais. A busca pela natureza, em locais mais afastados dos grandes centros tem sido um refúgio para quem está em isolamento. Isso tem ajudado na retomada econômica do setor, que tem sido lenta, mas segundo a assessora de turismo da região, Ana Vieira, está acontecendo:

    – As pousadas rurais elas estão tendo procura. As pessoas estão em isolamento, as crianças dentro de apartamento, então é a oportunidade que essas pessoas têm de sair – comenta.

    Os pontos turísticos também tiveram uma procura maior no último mês. Na região apenas o Morro da Igreja, em Urubici, continua fechado por determinação federal. Todos os demais estão operando com até 50% do limite de ocupação. O uso de máscara também é obrigatório e no caso do Mirante da Serra do Rio do Rastro barreiras sanitárias estão sendo feitas todos os finais de semanas para garantir o cumprimento das medidas.

    Geada em São Joaquim
    (Foto: )

    Daniel Scortrgagna Pagani é proprietário de um parque de aventuras Snow Valley, em São Joaquim, e comenta que no início, quando os empreendimentos abriram, nem todas as pessoas que chegavam ao local respeitavam as normas sanitárias. Agora, segundo ele, o comportamento está mudando.

    – São raras as pessoas que chegam e não estejam seguindo as normas e os protocolos de segurança para minimizar a transmissão – pontua.

    Pagani comenta ainda que a serra tem sido uma fuga para muitas pessoas:

    – Os turistas estão vindo naturalmente, esse fluxo tem sido natural de procura a serra, principalmente pelo aspecto de ser uma região mais isolada, menos populosa e de muito contato com a natureza – pondera.

    Até a última quarta-feira, dia 17, eram pouco mais de 260 casos de pessoas infectadas com a covid-19 na Serra Catarinense, segundo o governo do Estado. O Conselho de Turismo da Serra Catarinense acompanha o ritmo de retomada e abertura do setor. A expectativa é de uma reação nos próximos meses.

    – Tem roteiros surgindo, e isso é importante. Tenho recebido procura das agências de turismo toda semana, então isso nos dá uma perspectiva bem boa. Mas, isso tudo vai depender do retorno das aulas e da liberação da capacidade hoteleira – comenta Ana Vieira.

    O aumento na procura também faz crescer a responsabilidade para garantir que as normas sanitárias sejam cumpridas. Urupema está fazendo barreiras na entrada da cidade: todos que entram no município são abordados por servidores municipais, que verificam, por exemplo, a temperatura do corpo. A operação inverno, do 6º Batalhão de Polícia Militar também está ajudando no cumprimento das medidas sanitárias. Cerca de 50 policiais fazem a fiscalização nos empreendimentos turísticos, em Urupema, Urubici, São Joaquim, Bom Jardim da Serra e Bom Retiro.

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