Não, a losartana não vicia e não causa dependência química. Por ser um medicamento de uso contínuo para controle da hipertensão, o corpo necessita da substância para manter os vasos relaxados, mas isso é uma necessidade terapêutica, não um vício. A resposta rápida é que o uso contínuo da losartana, de forma adequada e recomendada por médicos, não traz risco, mas a principal preocupação é outra. Acompanhe o texto para entender.

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Segundo o g1, a losartana é o genérico mais vendido do país, ficando à frente de medicamentos mais populares como a dipirona e a nimesulida. Esse número alto de vendas reflete um problema que cresce cada vez mais no Brasil: a hipertensão.

Para o cirurgião cardiovascular Ricardo Katayose, da Beneficência Portuguesa de São Paulo, o país se move pouco, dorme mal, come mal e chega tarde ao diagnóstico, disse o médico ao g1.

Como funciona a losartana potássica

Os vasos sanguíneos podem contrair ou relaxar e o sistema renina-angiotensina-aldosterona é que regula isso, regulando também pressão e volume de líquidos.

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Se a pressão cai, o rim libera renina, que ativa a angiotensina I (AT1), uma molécula intermediária que é convertida em angiotensina II. Esse hormônio contrai os vasos e estimula a liberação de uma substância que faz o corpo reter sódio e água, a aldosterona. O conjunto aumenta o volume e, por consequência, a pressão.

Esse mecanismo deveria atuar apenas em situações de queda de pressão, mas na hipertensão ele fica hiperativado, como se o corpo estivesse permanentemente em alerta.

O efeito da losartana é esse, o fármaco age como bloqueio do receptor AT1, evitando que a “mensagem” de que precisa se contrair não chegue ao vaso sanguíneo.

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Losartana vicia?

Primeiro é preciso entender que existem três grandes classes de medicamentos usados como primeira linha no tratamento da hipertensão no Brasil.

São os diuréticos, que ajudam a eliminar sal e água, reduzindo volume circulante de líquidos; os bloqueadores de canais de cálcio, que são medicamentos como a anlodipina e nifedipina que relaxam e dilatam artérias mais finas e os bloqueadores do sistema renina-angiotensina-aldosterona, onde entra a losartana.

Para o cardiologista Márcio Sousa, chefe do Ambulatório de Hipertensão do Instituto Dante Pazzanese, a losartana não “vicia” e nem causa dependência. Também não há, segundo ele, preocupação de que o efeito do medicamento pare de funcionar.

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O uso contínuo não traz risco, mas é importante tratar a pressão. Além de fazer o uso do medicamento é preciso reduzir ingestão de sal, aumentar potássio, fazer atividades físicas regulares, dormir melhor e controlar o peso. As recomendações básicas como evitar álcool, tabaco, gerenciar o estresse e medir a pressão de forma regular também são essenciais.