Tomar uma cápsula pela manhã, misturar um pó no suco e completar o dia com mais uma vitamina antes de dormir já é uma realidade dentro da rotina de muita gente. A promessa costuma ser simples: mais energia, imunidade em alta, pele melhor, sono regulado e corpo funcionando no máximo.
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O problema é que esse hábito, é vendido muitas vezes como autocuidado, e pode sair do controle. Quando suplementos são usados sem as necessidades comprovadas, em doses altas ou misturados entre si, o resultado pode ser o oposto do esperado.
Especialistas ouvidos pela BBC alertam que cresce o número de pacientes com problemas no fígado, rins e sistema digestivo associados ao consumo exagerado de vitaminas, minerais, ervas e fórmulas combinadas.
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Consumo nem sempre necessário
Suplementos podem ser importantes em casos específicos, como deficiência nutricional, restrições alimentares, gestação, algumas doenças ou orientação médica. O risco aparece quando eles passam a substituir a alimentação ou são tomados como garantia de saúde.
Uma pesquisa citada pela BBC, feita pelo grupo britânico Which?, mostrou que 76% dos entrevistados tomavam pelo menos um suplemento regularmente. Quase um quinto usava quatro ou mais por dia.
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Esse acúmulo aumenta a chance de repetir ingredientes sem perceber, ultrapassar doses recomendadas ou combinar substâncias que competem entre si no organismo.

Risco para o fígado e rins
O fígado é um dos órgãos mais afetados pelo uso excessivo de suplementos, principalmente os fitoterápicos e fórmulas vendidas supostamente como “naturais”. Produtos como vitamina A, ashwagandha e extrato de chá verde, quando usados em doses altas, já foram associados a toxicidade hepática.
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Os rins também podem sofrer. O consumo exagerado de algumas vitaminas, minerais e eletrólitos pode favorecer desequilíbrios e, em certos casos, contribuir para problemas como cálculos renais.
A ideia de que “natural” significa “sem risco” é uma das armadilhas mais comuns. Plantas, extratos e compostos concentrados também têm ação no corpo e podem causar efeitos colaterais.
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Misturas perigosas
Outro problema está nas combinações. Tomar multivitamínico junto com suplementos isolados pode levar a doses repetidas do mesmo nutriente.
O excesso de vitamina B6, por exemplo, pode causar danos nos nervos quando usado por longos períodos. Já ferro, cálcio e magnésio podem atrapalhar a absorção um do outro quando tomados juntos.
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Vitaminas A, D, E e K também merecem atenção porque são lipossolúveis, ou seja, ficam armazenadas por mais tempo no organismo. Por isso, nem sempre precisam ser consumidas diariamente.
Alimentação é a base
A orientação de especialistas é simples: suplemento não deve ocupar o lugar de uma dieta equilibrada. Antes de comprar vários produtos, o ideal é avaliar se existe uma deficiência real.
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Cansaço, queda de cabelo, baixa imunidade ou alteração no sono podem ter várias causas. Nem sempre uma cápsula resolve o problema.
Quando há suspeita de carência nutricional, exames e avaliação profissional ajudam a definir se a suplementação é necessária, qual dose usar e por quanto tempo.
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Quando ter cuidado
O alerta é maior para pessoas que usam medicamentos contínuos, têm doenças no fígado ou nos rins, estão grávidas, fazem tratamento hormonal ou consomem vários suplementos ao mesmo tempo.

Ler o rótulo, conferir a dose diária recomendada e avisar o médico sobre tudo o que está sendo usado são cuidados básicos.
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Suplementos podem ajudar quando há indicação. Mas, usados no impulso, podem transformar uma tentativa de cuidar da saúde em um risco silencioso.
