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Torcedoras do Avaí criam grupo para irem juntas ao estádio 

Intenção é incentivar outras mulheres a irem aos jogos e mostrar que arquibancada é sim lugar para elas 

12/02/2019 - 06h20

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Por Dayane Bazzo
As Leoas da Ilha: Fernanda, Manoella e Christiane são apaixonadas pelo Avaí
As Leoas da Ilha: Fernanda, Manoella e Christiane são apaixonadas pelo Avaí
(Foto: )

Sempre que há jogo do Avaí elas vestem a camisa azul e branca e, faça chuva ou sol, estão lá, no setor D da Ressacada ou no Orlando Scarpelli ou em qualquer outro estádio em que o Leão da Ilha esteja jogando. As mulheres ainda são a minoria nas arquibancadas, mas isso está mudando. Um exemplo é o Movimento Leoas da Ilha, torcedoras que se uniram para mostrar que estádio é sim lugar de mulher, e pretende incentivar outras torcedoras a perderem o medo de irem aos jogos de futebol.

Fernanda Schuch, de 31 anos, Manoella Pereira, 26, Christiane Baron, 36, e Viviane Cabral, 46, se conheceram há mais de um ano pelas redes sociais do Avaí. Da internet, elas passaram a se reunir para ir aos jogos e foi assim que a amizade nasceu. Já a ideia de criar oficialmente um movimento de torcedoras surgiu após Fernanda ver uma reportagem sobre a torcida do Santos.

— Eu mandei para elas no nosso grupo do WhatsApp, falando pra gente ter um grupo também e elas toparam de cara — conta Fernanda.

A ideia foi discutida na noite de 24 de janeiro deste ano e, no dia seguinte, já tinha logo e redes sociais criadas. Para a surpresa delas, o movimento ganhou as redes e chuva de likes e compartilhamentos no Instagram e Twitter.

— Muita gente parabenizou a ideia, tanto mulheres quanto homens. O reconhecimento masculino foi muito interessante, a gente não espera, porque estávamos fazendo o movimento para as mulheres, mas ver os homens reconhecendo é muito importante, mostra que aos poucos vem mudando a realidade — avalia Manoella, referindo-se ao preconceito que ainda existe em relação à mulher e o futebol.

Fernanda explica que o movimento não é uma torcida organizada, não há faixa nem camiseta que distingue as Leoas da Ilha. E o principal objetivo do grupo é atrair mais e mais mulheres para as arquibancadas.

— Somos torcedoras e queremos trazer outras mulheres que, muitas vezes, querem ir ao estádio, mas sentem medo de irem sozinhas por não terem companhia e acham que só vai ter homem — esclarece Fernanda.

Torcedoras Leoas da Ilha
(Foto: )

Outra questão que elas querem desconstruir é sobre a violência no estádio. Para Chris, muitas pessoas acabaram se afastando dos jogos em função das brigas e violência que rola entre as torcidas antes ou depois das partidas.

— Isso precisa ser desconstruído, a gente sabe que acaba ocorrendo, infelizmente, mas não é só isso que tem. A magia que o futebol fez a gente se apaixonar é completamente diferente disso. A Ressacada foi sempre a minha segunda casa, é um local que eu me sinto segura. Meu lugar favorito no mundo — revela Manoella.

É essa paixão pelo futebol e pelo time do coração que elas querem passar adiante e mostrar que no esporte não deve haver discriminação, preconceito e violência.

— Nada se compara a estar no estádio. Você pode ter ar-condicionado, pode ter sofá, pode ter Premier, mas pra mim nada se compara a você estar lá e sentir a emoção. É isso o que a gente quer passar pra outras pessoas, deixar o medo e a preguiça de lado e voltar a frequentar o estádio, o time precisa disso — diz Fernanda.

É paixão que se diz?

Fernanda começou a ir ao estádio na adolescência, na companhia de um tio avaiano. Em uma família em que os pais e o padrasto são Figueirense, a ida à arquibancada foi decisiva para a escolha do time que levaria para o resto da vida no coração.

— Parte da minha família é Figueirense, mas eles não são de ir ao estádio e o que me conquistou foi o meu tio me levar para ver os jogos. Eu tive essa sensação de ir para lá, ver que era legal e começar a torcer de verdade pelo time — revela.

Leoas da Ilha torcem para o Avaí
(Foto: )

No caso de Manoella, a paixão pelo Avaí pode-se dizer que está no sangue. Ela cresceu em uma família azurra que sempre acompanhou o time desde

os tempos do estádio Adolfo Konder – onde hoje está construído o shopping Beiramar – e seu primeiro jogo ao vivo foi com apenas um ano de vida já na Ressacada.

— Depois meu pai parou um tempo porque minha mãe não deixava. Ela tem esse preconceito com o futebol, acha realmente que é coisa de homem. Mas meu pai resistiu e, como eles são separados, final de semana era dia de eu ficar com ele e dia de jogo do Avaí. Meu pai me mostrou esse caminho, mas já estava no sangue, porque com seis, sete anos eu já fazia desenhinhos de Avaí, sou Avaí pra sempre — conta.

Já Christiane virou torcedora por influência do irmão mais velho que é apaixonado pelo time. Os pais são de Curitiba, então acabam torcendo mais para o Coxa (Coritiba), mas Chris não teve dúvidas ao escolher o time.

— Eu sou sócia do Avaí e, por conta desse amor, tem situações engraçadas. Às vezes, quando a família vai se reunir por algum motivo, ou quando vem algum parente pra cá, antes eles olham o calendário de jogo pra ver se não tem jogo do Avaí, porque se tiver já sabem que eu não vou estar em casa — conta.

Preconceito existe dentro e fora do estádio

Como cresceram na arquibancada e em meio à torcida do Avaí, elas foram ganhando espaço e respeito dos torcedores do sexo masculino. Mas nem todos os jogos são assim. Elas contam que nunca sofreram discriminação por estarem em um ambiente predominantemente masculino, mas já viram outras mulheres sendo alvo de piadas e xingamentos.

— Já ouvi essas coisas, mas direcionado para outras mulheres como bandeirinha e juíza. ‘Ah, tinha que ser mulher’, ‘Vai pra cozinha, tinha que tá lavando louça’. Ainda tem esses pensamentos machistas e são essas falas que, muitas vezes, afastam as torcedoras — alerta Manoella.

— Nosso intuito é marcar presença na arquibancada e dizer que estamos aqui para torcer, independente do gênero — dispara Fernanda.

Dentro de casa algumas também sentem a resistência de parentes. No caso de Fernanda, que além de torcedora é jogadora de futebol, o pai nunca aceitou muito bem essa relação dela com o esporte.

— Eu e meus primos sempre jogamos futebol na rua, então minha mãe se acostumou com isso, mas meu pai só foi me ver jogar depois que casei.

Na cabeça dele é coisa de homem, talvez ele achava que por eu gostar de futebol poderia ser homossexual, não sei, mas ele só foi aceitar depois que casei – revela.

COMO FAZER PARTE

Desde que criaram o grupo, ao menos 18 mulheres já se juntaram ao movimento. Para quem quiser participar, basta entrar em contato com as meninas pelas redes sociais: no Instagram é @mleoasdailha e no Twitter é Movimento Leoas.

Elas já estão em contato com os grupos de torcidas de outros times do Brasil à fora para criarem uma grande ação de fortalecimento e incentivo às torcidas femininas.

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