*Por Taísa Rodrigues, especial

Se procurarmos no dicionário, costureira significa pessoa que talha ou confecciona roupas de forma informal ou profissional. Talvez seja difícil imaginar, mas sem costureiras não teríamos roupas, mochilas, calçados e outras séries de itens. Mas, até chegar ao produto final, pronto para vestirmos, a engrenagem dessa máquina não para de funcionar: um processo minucioso, cheio de detalhes, que deve ser conduzido com maestria para conectar todas as costureiras nessa verdadeira arte de transformar tecidos em peças cheias de estilo.

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Mas, afinal, você sabe como elas trabalham e onde elas estão?

A Associação Brasileira do Vestuário (Abravest), em uma pesquisa feita em 2020, mostra que 87% dos profissionais da costura são mulheres, com um total de 1,3 milhão de pessoas. Em Santa Catarina não é diferente. Para marcar o Dia da Costureira, celebrado no último dia 25 de maio, conhecemos histórias de mulheres que vivem da costura e encontram nas facções uma forma de se entregar, se realizar profissionalmente e ainda sustentar a família.

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AN 100 anos

Atualmente, esse mercado é extremamente competitivo, principalmente depois que o valor da importação ficou muito alto.

— Todas as empresas sofreram com isso e tiveram que trazer essa demanda para o mercado interno, o que deixou a busca por facções de costura uma disputa mais acirrada. Neste sentido, organizamos uma forma de trabalhar com as costureiras olhando para o valor/minuto de acordo com a complexidade de cada peça — explica Luís Vicentin, Gerente Industrial do Grupo Açucena, empresa têxtil de Guaramirim.

Quebra-cabeça

As facções de costura que existem no Estado, na sua grande maioria, atendem as indústrias têxteis da região. Para chegar na excelência de entregar peças premium e com qualidade, é preciso montar um quebra-cabeça. 

As peças chegam com uma ficha piloto, onde há todo o descritivo e modelo de como devem ser feitas; os tecidos vêm separados e eles vão sendo distribuídos para um grupo específico de costureiras. Na Amarilis, por exemplo, facção que fica em Jaraguá do Sul, as mulheres conduzem as costuras como uma dança. Os passos devem estar no compasso certo para que o grupo que assume a peça na sequência siga sem perder o ritmo e a qualidade.

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— Cada peça é estudada para não perdermos em produtividade e qualidade. Para chegarmos na excelência é preciso ter mão de obra qualificada e hoje, nesta área, é um grande desafio — conta a coordenadora de costura, Debora Zeppe Nichelatti, que lidera cerca de 25 mulheres entre costureiras, encarregadas, auxiliares e revisoras.

De mãe para filha

Atuando há 28 anos como costureira, Adriana Moreira, de 43 anos, se sente realizada com a profissão que tem e ainda mais feliz por saber que sua filha Kamyla Moreira, de 18 anos, está seguindo seus passos:

— Um sentimento de dever cumprido e um orgulho. Ver meus filhos formados na profissão que gostam e acompanhar eles trilhando seu futuro é bem gratificante. A Kamyla ama o que faz. 

E não é que a filha ama mesmo? Kamyla desde sempre acompanhou a mãe e iniciou costura aos 13 anos.

— Ficava esperando a mãe depois das aulas e era muito legal ver ela mexer nas peças — conta a jovem que já fez curso de modelagem, corte e costura e agora está na faculdade estudando Design de Moda.

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Hoje, Kamyla já é costureira e diz que adora conhecer e participar desse processo de criação:

— Eu olho para todos os detalhes. A moda, pra mim, é uma questão de identidade, de expressão humana. Comecei me inspirando na minha mãe e hoje realizo não só um sonho meu, mas também o dela.

Paixão por fazer

Ver as costureiras com mãos, pés e olhos bem atentos em cada movimento é acreditar que elas entendem o que estão fazendo e mais do que isso: se entregam de corpo e alma para o que está sendo produzido. Costura é paixão, assim como muitas profissões. Para entregar cerca de 3 mil peças por semana é preciso dedicação, cuidado e amor, ingredientes que dona Carmelita Schulz, de 61 anos, têm de sobra. Não é por acaso que ela costura desde os 14.

— Costuro com muito amor. Quando eu olho para a peça pronta é uma emoção que nem sei explicar.

Outros ingredientes necessários neste ramo, segundo a costureira Kelen Veloso, de 37 anos, são a paciência e o dom:

— É gratificante ver o resultado e saber que deste trabalho que amo sustento o meu filho.

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