O tutor de Kiko, cão que foi deixado para banho em um pet shop no Ribeirão da Ilha, em Florianópolis, foi indiciado por abandono e maus-tratos na quarta-feira (28). A informação foi confirmada ao NSC Total pela delegada Mardjoli Valcareggi, titular da Delegacia de Proteção Animal do Departamento de Investigação Criminal da Capital (DPA/DIC). Agora, o caso será encaminhado ao Poder Judiciário e para apreciação do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC).

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Ser indiciado significa que foram encontrados indícios suficientes de autoria, além das provas preliminares de um crime. Com isso, o investigado é apontado formalmente como provável autor durante o inquérito policial, ou seja, é movido de “suspeito” para principal investigado.

Kiko foi deixado no pet shop há 13 dias

Kiko, um Shitzu, foi deixado no pet shop no dia 16 de janeiro. O banho do cão havia sido agendado pelo próprio tutor para as 13h. Por volta das 12h50min, o homem deixou o animal no estabelecimento. Às 17h, quando a dona, Alini Cristini Schmidt, de 44 anos, tentou avisá-lo de que o banho estava concluído, não conseguiu mais contato com o homem.

Após cerca de 20 minutos sem resposta, ela tentou novamente contato telefônico, mas constatou que o número fornecido não possuía WhatsApp ativo e que as ligações caíam diretamente na caixa postal. (veja imagens da conversa abaixo)

Diante da ausência do tutor, Alini registrou um Boletim de Ocorrência. Desde o dia da denúncia, o caso era investigado como abandono.

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Veja fotos de Kiko

O tutor chegou a ser localizado pela Polícia Civil e intimado para prestar depoimento, mas nunca compareceu. Por isso, segundo a delegada, o abandono “ficou claro”. O inquérito foi concluído e será encaminhado ao Poder Judiciário e para a apreciação do MPSC.

Kiko já foi adotado

Kiko ficou por um tempo aos cuidados de Alini e, na última semana, foi movido para um lar temporário oferecido por uma cliente de confiança do pet shop. Com o indiciamento do antigo tutor, agora o lar se tornará definitivo.

— O Kiko está super bem. Os novos tutores me mandam vídeos e fotos dele, e ele está ganhando carinho para caramba. Eu acredito que 1 milhão de vezes melhor do que ele estava na mão dessa pessoa. Ele tem um terreno gigante para brincar, a casa é enorme. A gente está bem feliz, e esperamos que o tutor seja punido pelo que fez — disse Alini ao NSC Total.

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De acordo com a legislação brasileira, o abandono de animais é considerado crime ambiental. A prática é enquadrada como maus-tratos pelo artigo 32 da Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998), que prevê punição para quem praticar abuso ou ferir animais domésticos. Desde 2020, com a sanção da Lei nº 14.064, conhecida como Lei Sansão, as penas para crimes contra cães e gatos foram ampliadas e podem chegar de dois a cinco anos de reclusão, além de multa e proibição da guarda de animais.