A televisão aberta como você conhece está prestes a mudar, e o Brasil deu o primeiro passo oficial rumo à era da TV 3.0 (DTV+). A nova tecnologia, lançada nesta semana, promete transformar o aparelho de TV em uma plataforma inteligente, misturando os canais tradicionais com aplicativos de streaming e serviços do governo na mesma tela. A estreia do sistema começou através de um projeto piloto, com operação da chamada Plataforma Comum, desenvolvida pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC), ditando o futuro da transmissão digital no país.

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Nesta fase inicial, o sistema funciona em caráter experimental nas cidades de Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro, alcançando mais de 21 milhões de brasileiros. O desenvolvimento da plataforma recebeu investimento inicial de R$ 7,5 milhões, enquanto a expansão nacional deverá ocorrer de forma gradual, com previsão de até 15 anos para atingir todo o país.

Em entrevista à Agência Brasil, a presidente da EBC, Antonia Pellegrino, afirmou que a proposta amplia o acesso da população aos serviços públicos por meio do aparelho de televisão, permitindo, futuramente, o acesso a plataformas como o SUS Digital, o gov.br e a Tela Brasil diretamente pela TV.

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— Em breve, poderemos acessar pela televisão o SUS Digital, o gov.br, a Tela Brasil. É uma revolução no acesso, na inclusão e na democratização dos serviços que o governo do Brasil oferece, uma vez que estará tudo à disposição do brasileiro por meio de um eletrodoméstico com que a gente tem uma relação de muitos anos, que é o mais popular no país — , afirmou a presidente da EBC, Antonia Pellegrino, à Agência Brasil.

Como a TV 3.0 vai misturar canais abertos e internet 

Com a chegada da TV 3.0, a experiência do telespectador deixa de ser baseada apenas na troca de canais. A tela inicial passa a funcionar como um sistema operacional semelhante ao encontrado em Smart TVs e dispositivos de streaming, reunindo programação ao vivo, conteúdos sob demanda e aplicações digitais em um único ambiente.

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Segundo o secretário de Políticas Digitais da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), João Brant, a plataforma altera a lógica tradicional de navegação. Em vez de o usuário procurar serviços específicos, a interface poderá destacar conteúdos de interesse público conforme o período do ano.

Entre os exemplos citados pelo secretário estão materiais preparatórios para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), cursos de qualificação profissional e outras informações consideradas relevantes para o momento.

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A plataforma também centraliza o acesso aos canais públicos federais, como TV Brasil, TV Câmara, TV Senado e TV Justiça, além de permitir interação do público por meio de enquetes realizadas em tempo real utilizando apenas o controle remoto.

Nos testes atualmente em andamento, o sistema já oferece funcionalidades como consulta a unidades da Farmácia Popular e acesso a listas de cursos profissionalizantes gratuitos.

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O salto de qualidade e acessibilidade na transmissão brasileira

Além da nova interface, a TV 3.0 traz avanços técnicos em relação ao atual padrão de transmissão.

O novo sistema oferece suporte para conteúdos em resolução 4K e 8K, além de tecnologias que proporcionam maior qualidade sonora.

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Outro destaque é a evolução dos recursos de acessibilidade. A nova arquitetura permite que funcionalidades como a audiodescrição sejam utilizadas individualmente por cada espectador.

Na prática, uma pessoa com deficiência visual poderá ouvir a descrição das cenas por meio de um fone de ouvido sem fio conectado ao televisor, enquanto os demais usuários acompanham o programa normalmente pelo áudio reproduzido nos alto-falantes da TV.

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Vou ter que trocar de aparelho? O impacto do novo sinal nos televisores atuais

Como utiliza um padrão de transmissão diferente do atual, a TV 3.0 não poderá ser recebida pelos televisores convencionais sem equipamentos compatíveis.

Para acessar o novo sistema nas cidades onde a tecnologia já está disponível, será necessário utilizar um aparelho que já venha de fábrica com receptor compatível ou instalar uma set-top box, conversor externo conectado entre a antena e a televisão.

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Até o momento, o governo federal não anunciou programas de subsídio ou distribuição gratuita desses equipamentos para a população. Os primeiros modelos disponíveis no mercado têm preços na faixa de R$ 685 a R$ 700.

Calendário de transição

A implantação da TV 3.0 ocorrerá em etapas. Inicialmente restrita a três capitais, a expectativa é que a cobertura seja ampliada gradualmente até alcançar todo o território nacional ao longo dos próximos anos.

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A proposta é transformar a televisão aberta em uma plataforma digital mais interativa, reunindo programação tradicional, conteúdos sob demanda e acesso a serviços públicos em um único ambiente, ampliando as possibilidades de utilização do aparelho mais presente nos lares brasileiros.

*Com edição de Luiz Daudt Junior.