O Brasil deu o primeiro passo prático para mudar a forma como assistimos televisão com a inauguração de uma estação experimental da TV 3.0 em Brasília, nesta terça-feira (14). O cronograma oficial do Ministério das Comunicações e da Anatel prevê que capitais como Rio de Janeiro e São Paulo recebam as primeiras transmissões comerciais até junho de 2026. A meta é que o novo padrão, chamado de DTV+, esteja operando a tempo da Copa do Mundo, permitindo que o público acompanhe o mundial com salto na qualidade técnica e novos recursos de interatividade.
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Diferente do que conhecemos hoje, a TV 3.0 opera de forma híbrida, integrando o sinal de rádio da antena com a conexão de internet. Isso transforma a experiência de navegação; em vez de apenas sintonizar números de canais, o telespectador passa a usar uma interface baseada em aplicativos e menus, similar ao que já existe nos serviços de streaming. A grande vantagem é que o sistema mantém o acesso livre e gratuito, uma marca da TV aberta no país.
Imagem de cinema e som imersivo
A mudança será sentida principalmente na qualidade da transmissão durante os grandes eventos. Enquanto o sinal digital atual trabalha com resoluções HD, ou Full HD, a TV 3.0 entrega o conteúdo nativamente em 4K. A tecnologia também conta com o HDR, que melhora o contraste e deixa as cores mais próximas da realidade, e áudio imersivo, que distribui o som pelo ambiente para criar uma sensação de maior profundidade.
Além da parte técnica, o novo padrão amplia o que o telespectador pode fazer na frente da tela. Durante um jogo ou programa, será possível acessar informações extras, participar de enquetes e consumir conteúdos sob demanda das próprias emissoras diretamente pela interface da TV, sem a necessidade de usar o celular para interagir com a programação.
Transição gradual e equipamentos
Para quem tem receio sobre a validade dos aparelhos atuais, a migração será feita de forma lenta. Assim como ocorreu na saída do sinal analógico, os dois sistemas devem funcionar juntos por cerca de dez anos. Quem já possui televisores com entrada HDMI e suporte a 4K poderá acessar os novos recursos por meio de um receptor externo (set-top box) compatível com o padrão DTV+.
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A indústria e o governo já trabalham na padronização desses conversores para que eles cheguem ao mercado à medida que a cobertura avance. A estação de testes em Brasília é o ponto de partida para garantir que toda a infraestrutura de dados suporte as transmissões ao vivo em ultra-alta definição que estão planejadas para o próximo ano.
*Com edição de Luiz Daudt Junior.







