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    TELEMEDICINA 

    Um benefício da pandemia: a expansão da telemedicina

    Sem a necessidade de ir a um consultório médico ou a uma clínica, os pacientes podem ter muitas doenças "vistas" em um computador, tablet ou smartphone por um profissional de saúde e receber a prescrição para o tratamento conforme necessário

    14/05/2020 - 13h34

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    Por The New York Times
    telemedicina
    (Foto: )

    *Por Jane E. Brody

    Mesmo que nenhum outro bem para os cuidados da saúde surja da crise do coronavírus, um desenvolvimento promete ser transformador: a incorporação da telemedicina nos cuidados médicos de rotina. Usando a tecnologia que já existe e os dispositivos que a maioria das pessoas tem em casa, a prática médica via internet pode gerar diagnósticos e tratamentos mais rápidos, aumentar a eficiência dos cuidados e reduzir o estresse do paciente.

    Sem a necessidade de ir a um consultório médico ou a uma clínica, os pacientes podem ter muitas doenças "vistas" em um computador, tablet ou smartphone por um profissional de saúde e receber a prescrição para o tratamento conforme necessário. Para pacientes como eu, que não retornam aos consultórios médicos que me fazem esperar muito além do horário agendado, a possibilidade de ser "vista" pelo médico em minha casa com mais frequência no horário combinado será mais do que suficiente para me encorajar a ter mais consultas via telemedicina, quando possível.

    Uma televisita é como uma videoconferência com o médico, com a tecnologia melhorando os cuidados de saúde de maneiras que ninguém ainda havia pensado, disse-me a dra. Angela Fusaro, fundadora da Physician 360, uma empresa de telemedicina.

    O dr. Emil Baccash, um geriatra do Brooklyn, que criou um acesso remoto para seus pacientes quando a Covid-19 atingiu a cidade, comentou: "A telemedicina definitivamente fará parte do futuro da medicina." Baccash é meu médico pessoal e, durante uma recente consulta via telemedicina, enquanto eu estava sentada em frente ao computador pessoal, ele diagnosticou uma provável lesão em meu manguito rotador ao me pedir para mover o dolorido braço direito em diferentes posições. Embora uma ressonância magnética seja provavelmente necessária para confirmar meu problema com exatidão, até que a ameaça do coronavírus cesse e eu possa fazer o exame com segurança, exercícios de fisioterapia, também disponíveis via telemedicina, podem aliviá-la.

    Há cerca de dois meses, à medida que o coronavírus devastava muitas comunidades grandes e pequenas em todo o país, a maioria dos pacientes não conseguiu ou não quis receber os cuidados pessoais dos profissionais de saúde. Mesmo que alguém consiga ir a um consultório médico ou a uma clínica com segurança, quem quer se sentar em uma sala de espera onde você ou outro paciente possa transmitir a infecção? Porém, conectando o computador, o tablet ou o smartphone à internet, os pacientes conseguem mostrar, com segurança, várias partes do corpo a um examinador que, por sua vez, pode recomendar um tratamento, solicitar um exame ou prescrever um medicamento a ser entregue em domicílio pela farmácia mais próxima.

    "A telemedicina não substitui a consulta presencial ou o exame físico em um paciente, mas há alguns, principalmente os idosos, que não podem sair de casa. Consigo conversar com eles e analisar seu problema pelo meu computador, tirar uma foto, digamos, de uma infecção na perna e inseri-la diretamente em seu prontuário médico. Se for preciso um exame de sangue, posso solicitar que um técnico de laboratório vá até a casa deles", disse Baccash, que ainda faz visitas domiciliares quando necessário. Ele explicou que até exames de raio X podem ser feitos em casa com uma máquina portátil que manipula as imagens digitalmente.

    "Na faculdade de medicina, aprendemos que o histórico médico fornece 90 por cento das informações necessárias, e os outros 10 por cento são provenientes do exame físico. Se você conversar com os pacientes por tempo suficiente, eles lhe dirão o que há de errado com eles, e é por isso que a telemedicina pode ser tão útil – obtemos a maioria das informações de que precisamos conversando e ouvindo os pacientes. E, em casa, os pacientes ficam mais relaxados e se sentem menos apressados", continuou Baccash.

    Ele acrescentou que, com uma consulta de telemedicina, o médico poderá avaliar as condições de vida de um paciente e determinar como elas ajudam ou atrapalham seu problema de saúde. Por exemplo, para aqueles que se levantam várias vezes durante a noite para ir ao banheiro, há algum obstáculo no caminho que pode resultar em um acidente? Quão seguro é o banheiro de pacientes com limitações físicas?

    A telemedicina também pode promover acesso médico fácil a pacientes que moram em comunidades rurais muito distantes de um bom atendimento de saúde. Muitos problemas de saúde comuns ou consultas de retorno dispensam o atendimento presencial de um médico. Os pacientes podem ser atendidos via teleconsulta por um enfermeiro registrado ou um médico assistente.

    Mesmo em áreas onde as pessoas não têm uma boa conexão de internet, cibercafés com recursos de telemedicina podem ser criados para conectar os pacientes aos especialistas apropriados, talvez a milhares de quilômetros de distância.

    "Antes da Covid, a telemedicina parecia um luxo, mas agora as pessoas estão achando que uma experiência de assistência médica baseada em tecnologia se tornará o novo normal", disse Fusaro. Mesmo para uma empresa como a dela, que recebe por consulta, a telemedicina pode ser interessante para pacientes que têm plano de saúde, mas que preferem evitar o tempo e as despesas envolvidas no deslocamento até o consultório médico ou a clínica de urgência, bem como pagar pela consulta que terá de ser reembolsada posteriormente, sugeriu ela.

    Para os muitos milhões de pacientes com condições crônicas de saúde, um precioso recurso da telemedicina pode ser o uso de sensores colados ao corpo, por meio dos quais mudanças potencialmente graves no estado de saúde de um paciente podem ser monitoradas remotamente. E, como um grupo de especialistas em distúrbios neurológicos crônicos recentemente observou na "JAMA Neurology", "as opções de monitoramento remoto que oferecem informações confiáveis a respeito das questões mais importantes para os pacientes permitirão que os médicos forneçam atendimento personalizado por meio de videoconferência".

    Em estudos com pacientes infectados pelo vírus da hepatite C, que causa danos ao fígado, por exemplo, as respostas ao tratamento fornecidas por videoconferência foram tão boas ou melhores do que as feitas em atendimento presencial, relataram pesquisadores que estudam doenças hepáticas crônicas.

    Pelo menos por ora, a crise da Covid-19 tornou a prestação de assistência via telemedicina reembolsável por qualquer condição por intermédio do Medicare e da maioria das seguradoras complementares. Ela também flexibilizou requisitos que exigiam que o paciente e o profissional de saúde estivessem no mesmo estado, permitindo que um especialista, por exemplo, em Nova York seja reembolsado por uma consulta de um paciente em Vermont feita via telemedicina. Para o benefício de todos nós, médicos e pacientes, esperamos que essas novas regras durem mais do que a pandemia.

    Baccash disse suspeitar fortemente de que, "quando o vírus desaparecer, alguns pacientes que usaram a telemedicina preferirão o atendimento remoto à ida ao consultório médico". No entanto, por mais detalhadas que tais consultas possam ser, ele enfatizou que "nada substitui ver e analisar presencialmente um paciente. Caso contrário, perde-se muito". Ele citou alguns exemplos como um nódulo na mama, um sopro cardíaco ou uma massa no abdômen.

    "Cedo ou tarde, temos de examinar os pacientes pessoalmente. A maioria de nós quer ver os pacientes pelo menos uma vez por ano, ou até a cada quatro meses, mais ou menos, caso eles tenham uma doença crônica", completou o médico.

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