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Um mês após morte de motociclista, crescem denúncias sobre linhas com cerol em SC

Josiane Marques, 34 anos, morreu no dia 20 de julho ao ser atingida por linha de cerol quando trafegava de moto na Via Expressa, em São José

20/08/2019 - 14h53 - Atualizada em: 21/08/2019 - 18h16

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Lucas
Por Lucas Paraizo
pipa
(Foto: )

A dor da família de Josiane Marques, 34 anos, não passou. Há exatamente um mês a moradora de Biguaçu ia de Florianópolis para São José, às 12h30min de um sábado, para almoçar com o pai. No meio do caminho, na Via Expressa (BR-282), uma linha com cerol encerrou o trajeto da motociclista.

Um mês depois o caso segue sem muitas explicações, mas com muitas movimentações que trouxeram o debate novamente para o dia a dia. Linhas com cerol são proibidas por lei em Santa Catarina desde 2001, no entanto a proibição parece não surtir efeito.

Segundo o delegado responsável pela investigação da morte de Josiane, Manoel Galeno, um levantamento da Polícia Civil durante o inquérito apurou que "praticamente todo comércio, bar e loja" nos arredores do ponto do acidente vendiam algum tipo de linha com cerol.

A polícia ainda não chegou ao suspeito de ser dono da linha que matou Josiane, mas o delegado Galeno explica que diligências estão sendo feitas e foram autorizadas pela Justiça, o que deve levar a novidades sobre o caso.

— O poder de multar esses estabelecimentos que vendem cerol não é da DIC (Divisão de Investigação Criminal), mas fizemos o levantamento e repassamos aos responsáveis. Agora estamos atuando para chegar ao responsável pela linha com cerol que causou o acidente — explicou o delegado.

Denúncias aumentaram nos dias seguintes ao caso

Polícia Militar, Guarda Municipal, Polícia Rodoviária Federal e Polícia Militar Rodoviária são órgãos que fazem a fiscalização do uso de cerol e linhas cortantes em pipas durante rondas de rotina e após denúncias de moradores.

Em relação a rodovias federais como a BR-282, onde Josiane morreu, a PRF diz que em média recebia em Santa Catarina uma denúncia a cada dois ou três dias. Na semana seguinte ao acidente em São José, o inspetor Adriano Fiamoncini diz que o número aumentou para uma denúncia por dia.

As denúncias chegam para a PRF através do telefone 191 e, através delas, a polícia mobiliza unidades para fiscalização e até mesmo retirada de linhas presas.

Ações de fiscalização aumentaram

Motivadas pelo caso do mês passado, ações de fiscalização e conscientização em relação ao uso do cerol em pipas se intensificaram na região nas últimas semanas. Na quinta-feira passada a PRF e a Autopista Litoral Sul distribuíram antenas corta-linha de pipa na BR-101 em São José e Palhoça. Pelo menos 50 antenas foram entregues para motociclistas no dia.

Conforme a divulgação da PRF, ações deste tipo devem ocorrer com mais frequência nas rodovias em áreas urbanizadas, onde ainda são comuns na Grande Florianópolis as ocorrências com linhas de pipa.

PRF distribuiu antenas que cortam linhas de pipa para os motociclistas
PRF distribuiu antenas que cortam linhas de pipa para os motociclistas
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Projeto tramita no Congresso

Um projeto de lei apresentado pelo deputado federal Carlos Chiodini (MDB-SC) pretende proibir o uso do cerol no país inteiro e multar infratores. Apresentado em junho deste ano, um mês antes da morte na Grande Florianópolis, o PL segue tramitando na Câmara Federal e foi juntado a outras propostas semelhantes que já haviam sido feitas por deputados de legislaturas anteriores.

Segundo os registros da Câmara, atualmente estão em tramitação 11 propostas semelhantes que citam a proibição do cerol e linhas cortantes no Brasil. Nenhuma delas chegou a ser votada em plenário ainda.

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