O Hospital e Maternidade Marieta Konder Bornhausen, o maior hospital público de Santa Catarina, inaugura nessa quarta-feira (11) a Unidade de Acidente Vascular Cerebral (U-AVC), instalada no 11º andar do Complexo Madre Teresa. A nova estrutura foi criada para ampliar o atendimento especializado a pacientes com AVC, uma das principais causas de morte e incapacidade no Brasil.

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A implantação da unidade ocorre após a habilitação estadual que garantiu ao hospital a medicação necessária para a realização da trombólise intravenosa pelo Sistema Único de Saúde (SUS), conforme a Portaria SES/SC nº 394/2026. O procedimento, utilizado para dissolver coágulos que obstruem artérias cerebrais, já vem sendo realizado na instituição desde fevereiro deste ano.

O médico Vinícius Borges Soares, neurocirurgião e coordenador da Unidade de Acidente Vascular Cerebral do complexo Marieta Konder Bornhausen, reforça que cada minuto é fundamental para a recuperação do paciente.

— A Unidade de AVC representa um avanço estratégico, ampliando o acesso a terapias tempo-dependentes, ou seja, tratamentos que precisam ser iniciados muito rápido para evitar sequelas. No AVC, cada minuto faz diferença: quanto antes o paciente recebe diagnóstico, remédio e cuidado especializado, maior a chance de recuperação. A nova unidade garante exatamente isso: rapidez, organização e uma equipe preparada para agir imediatamente — afirma.

A Unidade de Acidente Vascular Cerebral

A unidade oferecerá atendimento em fase hiperaguda, monitoramento especializado e uma linha de cuidado completa para pacientes com AVC. O serviço contará com equipe multiprofissional integrada, formada por neurologistas, neurocirurgiões, enfermeiros especializados, fisioterapeutas e fonoaudiólogos, além de gestão clínica dedicada.

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A estrutura também dispõe de tomografia computadorizada 24 horas, monitorização neurológica contínua e protocolos assistenciais baseados em evidências para garantir rapidez e segurança no atendimento.

O tratamento hiperagudo envolve intervenções realizadas nos primeiros minutos e horas após o início dos sintomas, período que é considerado crítico. Segundo a instituição, cada minuto sem atendimento representa a perda de milhões de neurônios, o que aumenta o risco de sequelas permanentes.

Paciente já teve 100% de eficácia com o tratamento

Um caso recente atendido no Hospital Marieta Konder Bornhausen reforça a importância da rapidez no diagnóstico e tratamento, em casos de AVC. O policial militar do BOPE de Santa Catarina, Michael Cardoso Araújo, de 40 anos, procurou atendimento médico após sentir uma forte dor de cabeça e perda de força no lado direito do corpo.

Ele chegou ao hospital dentro da chamada janela terapêutica, período de até 4 horas e 30 minutos após o início dos sintomas em que é possível aplicar o medicamento que dissolve o coágulo responsável pelo Acidente Vascular Cerebral isquêmico.

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Com o tratamento realizado em tempo hábil, o policial teve 100% de recuperação neurológica após receber a trombólise endovenosa. O caso fortalece a importância de procurar o atendimento médico assim que o paciente perceber os sintomas ligados ao AVC.

O que é a trombólise?

A trombólise endovenosa, ou intravenosa, é um dos principais tratamentos para o Acidente Vascular Cerebral do tipo isquêmico, que ocorre quando um coágulo bloqueia uma artéria responsável por levar sangue ao cérebro. O medicamento utilizado atua dissolvendo esse coágulo e restabelecendo o fluxo sanguíneo, reduzindo os danos ao tecido cerebral.

Quais os sintomas e quando buscar atendimento

Entre os principais sinais de alerta para o AVC, estão fraqueza ou formigamento repentino em um lado do corpo, assimetria facial, conhecida popularmente como “boca torta”, dificuldade para falar ou compreender, perda de visão, falta de equilíbrio ou coordenação e dor de cabeça intensa e súbita.

Diante de qualquer um desses sintomas, a orientação é buscar atendimento médico imediatamente. Segundo o Hospital Marieta Konder Bornhausen, quando o paciente recebe atendimento dentro de até 4h e 30 minutos após o início dos sintomas, aumentam significativamente as chances de recuperação e diminuem os riscos de sequelas permanentes.

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