Usar telas de celulares e computadores de forma excessiva é um hábito cada vez mais associado ao aumento de problemas relacionados à saúde mental no Brasil. Durante o Setembro Amarelo, mês de conscientização sobre prevenção ao suicídio, o cenário acende um alerta, já que mais da metade da população brasileira já considera os transtornos mentais como o principal desafio médico do país. O dado faz parte do Health Service Report 2024, pesquisa que mostrou, ainda, que 54% dos brasileiros estão priorizando o tema pela primeira vez.

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O uso prolongado de telas digitais pode ser um dos pontos que têm incentivado essa preocupação. Um levantamento inédito da Sociedade Catarinense de Pediatria (SCP) em parceria com a Associação Catarinense de Medicina (ACM), lançado em abril de 2025, revelou que cerca de 50% das crianças de Santa Catarina passam de três a quatro horas diárias em frente a celulares ou computadores. O mesmo estudo apontou que 30% das crianças catarinenses são inativas e 44% apresentam peso inadequado.

Entre os adultos, os índices são ainda mais expressivos. Uma pesquisa da Global Overview Report – DataReportal mostra que o brasileiro passa, em média, nove horas por dia em frente às telas, o que corresponde a mais da metade do tempo que ele passa acordado. O país ocupa a segunda posição no ranking mundial de tempo de uso, atrás apenas da África do Sul.

A médio e longo prazo, toda essa exposição prevê consequências de grande impacto, especialmente no aumento do número de casos de ansiedade, irritabilidade, fadiga, queda no rendimento acadêmico ou profissional, fragilidade nas relações familiares e sociais, dependência digital e até o agravamento de transtornos já existentes, como ansiedade e TDAH.

Riscos neurobiológicos

Para o psiquiatra João Felipe Wanrowsky Fissmer, cooperado da Unimed Grande Florianópolis e membro do corpo clínico do Hospital Unimed, as evidências científicas apontam para conexões diretas entre o uso excessivo de smartphones e alterações no cérebro.

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— O uso noturno de smartphones, em particular, está associado à pior qualidade do sono, ao aumento do estresse e a sintomas depressivos. Em adolescentes, o tempo de tela elevado está relacionado a maior risco de sintomas depressivos, baixa autoestima e aumento do risco suicida — destaca.

O médico alerta que não se trata de condenar a tecnologia, mas de buscar um equilíbrio saudável. Segundo ele, é preciso ter um compromisso individual e coletivo sobre o tema, para que as pessoas façam escolhas mais assertivas.

Por fim, o Dr. João Fissmer avalia o papel do psiquiatra nesse contexto. “O indivíduo que está com qualquer grau de dificuldade em se gerenciar merece ser auxiliado a efetivamente encontrar o seu particular bem-estar. O profissional da Psiquiatria precisa estar conectado com o cenário tecnológico que hoje envolve o ser humano. Inclusive o atendimento psiquiátrico e psicológico remoto (online) estão cada vez mais disponíveis, aproximando de forma prática e segura os pacientes da assistência especializada”.

Impacto nas crianças e adolescentes

O uso desregulado de telas na infância e adolescência é apontado como um dos principais fatores para o aumento de problemas de saúde mental nessa faixa etária. A pediatra cooperada da Unimed Grande Florianópolis, Ana Camila Flores Farah, observa efeitos que vão desde irritabilidade, atraso de linguagem e dificuldade de concentração até impactos mais graves na autoestima.

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— Isso afeta a qualidade de vida das crianças de várias formas: rendimento escolar, capacidade de socialização, disposição física e até no crescimento saudável, já que o sedentarismo e o mau sono se tornam frequentes. O bem-estar emocional também é prejudicado, aumentando a vulnerabilidade a transtornos mentais — explica.

A pediatra defende que a prevenção deve ser conduzida no ambiente familiar, com limites claros para o tempo de tela, incentivo a atividades físicas e convivência social, além de diálogo aberto sobre emoções.

— O exemplo também é fundamental. Pais que conseguem equilibrar o próprio uso de telas ensinam mais pelo comportamento do que pelas palavras. É importante acompanhar de perto a vida digital dos filhos, conversar sobre conteúdos, estabelecer rotinas de sono, estudo e lazer, além de oferecer experiências reais, como esportes, leitura e momentos em família — afirma.

A profissional comenta, ainda, que o pediatra deve ser o primeiro ponto de apoio para os pais procurarem quando precisarem de ajuda. É o médico que deve avaliar o quadro, orientar a família e, se necessário, encaminhar para psicólogos ou psiquiatras infantis.

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Para saber mais informações ou buscar orientações, acesse o site da Unimed Gran