O anúncio parece uma oportunidade: carro completo, sem pedal de embreagem e por um preço bem abaixo de modelos automáticos semelhantes. A economia, porém, pode desaparecer rapidamente quando o veículo tem um câmbio automatizado com manutenção atrasada ou sinais de desgaste.
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Dualogic, I-Motion, Easytronic, Easy’R e Powershift equiparam alguns dos carros mais vendidos do Brasil. Eles não tornam todo veículo problemático, mas ganharam má reputação por relatos de trancos, falhas nos engates, desgaste de embreagem e defeitos em componentes eletrônicos ou hidráulicos.
Por isso, o comprador precisa olhar além da lataria e da quilometragem quando for comprar um carro usado automático. Um reparo que envolva embreagem, atuador, bomba, sensores ou módulo eletrônico pode transformar um usado aparentemente barato em uma conta difícil de engolir.
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Nem todo carro sem pedal de embreagem é automático
Dualogic, I-Motion, Easytronic e Easy’R são câmbios manuais automatizados. Internamente, eles usam uma caixa semelhante à manual, mas robôs e módulos eletrônicos acionam a embreagem e fazem as trocas de marcha pelo motorista.
Essa solução ajudou as montadoras a oferecer carros sem pedal de embreagem por preços menores. Em contrapartida, as trocas costumam ser mais lentas e perceptíveis do que em um automático convencional com conversor de torque.
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Também existem mais componentes capazes de apresentar falhas. Desgaste da embreagem, vazamentos, problemas em atuadores, sensores e falta de calibração podem impedir o engate das marchas ou fazer o câmbio cair em neutro. Especialistas apontam embreagem e sistema de acionamento entre os pontos mais sensíveis desses equipamentos.
O Powershift segue outra receita. Ele é um automatizado de dupla embreagem, capaz de preparar antecipadamente a próxima marcha e realizar trocas mais rápidas. A versão usada nos modelos compactos da Ford, porém, trabalha com embreagens secas e acumulou reclamações no Brasil e em outros países.
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Dualogic: atenção à embreagem e ao robô

O Dualogic foi usado pela Fiat em modelos como Stilo, Punto, Idea, Linea, Bravo, 500, Palio, Siena, Strada e Palio Weekend. Existem diferentes gerações e evoluções do sistema, incluindo o Dualogic Plus.
Entre os sinais de alerta estão demora para engatar primeira marcha ou ré, fortes trepidações ao arrancar, mensagens de avaria no painel e mudanças inesperadas para a posição neutra.
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Nem sempre o problema significa a perda completa do câmbio. A origem pode estar na embreagem desgastada, no acumulador de pressão, em sensores, eletroválvulas, vazamentos ou no conjunto responsável por acionar as marchas. O diagnóstico correto é indispensável, porque trocar componentes por tentativa pode deixar o conserto ainda mais caro.
Antes da compra, vale conferir se já houve troca da embreagem, reparo do robô ou substituição do fluido do sistema automatizado. Notas fiscais e ordens de serviço são mais confiáveis do que a promessa de que o câmbio “nunca deu problema”.
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I-Motion: funcionamento parecido e cuidados semelhantes

Gol, Voyage, Fox, CrossFox, SpaceFox e up! estão entre os Volkswagen que tiveram versões I-Motion. Assim como o Dualogic, ele automatiza uma caixa manual e depende de atuadores para controlar a embreagem e selecionar as marchas.
Pequenas interrupções de força durante as trocas fazem parte das características desse tipo de transmissão. Trancos violentos, demora excessiva, cheiro de embreagem queimada, dificuldade para engatar a ré e luzes de advertência, porém, não devem ser tratados como comportamento normal.
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Também é importante dirigir o carro depois que o conjunto estiver aquecido. Algumas falhas aparecem somente após vários minutos no trânsito, quando o sistema começa a trabalhar em temperaturas mais altas.
Um I-Motion revisado e conduzido corretamente pode continuar funcionando, mas comprar um exemplar sem histórico significa assumir o risco de encontrar embreagem, atuador ou unidade de acionamento perto do fim da vida útil.
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Easytronic: Meriva e Agile exigem investigação

O Easytronic apareceu principalmente no Chevrolet Meriva e, mais tarde, no Agile. O sistema prometia combinar a facilidade de um automático com consumo semelhante ao de um manual, mas recebeu críticas pela lentidão das trocas e pelo histórico de reparos.
No caso da Meriva, há registros antigos de reclamações relacionadas ao equipamento e de proprietários que chegaram a converter o veículo para câmbio manual. A versão usada posteriormente no Agile recebeu atualizações, mas preservou o funcionamento automatizado de uma única embreagem.
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Trepidação, perda de referência das marchas, dificuldade para sair do neutro e falhas nos módulos de acionamento são motivos para interromper a negociação até que uma oficina especializada faça a avaliação.
O preço baixo de algumas unidades Easytronic pode ser atraente, principalmente quando comparado ao de carros automáticos convencionais. Essa diferença precisa ser suficiente para compensar o risco e o custo de uma possível intervenção.
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Easy’R: cuidado com o desgaste escondido

O Easy’R foi oferecido em Renault Logan, Sandero e Sandero Stepway. Ele também utiliza uma caixa manual automatizada de cinco marchas e pode apresentar as conhecidas pausas durante as trocas.
Por ser encontrado em carros relativamente simples, espaçosos e econômicos, costuma chamar atenção no mercado de usados. O comprador, no entanto, deve observar trepidações nas arrancadas, hesitação para engatar, ruídos e comportamento irregular no trânsito lento.
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Uma condução inadequada pode acelerar o desgaste. Segurar o carro em uma subida usando apenas o acelerador, por exemplo, faz o sistema manter a embreagem parcialmente acionada. O mesmo vale para avançar poucos centímetros repetidamente em congestionamentos.
Mais uma vez, o estado do veículo específico pesa mais do que apenas o nome do câmbio. Um Easy’R com manutenção comprovada merece uma análise diferente daquela reservada a um carro sem histórico ou vendido logo após o aparecimento de falhas.
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Powershift: o alerta mais sério da lista

Usado em versões de Ford Fiesta, EcoSport e Focus, o Powershift oferece trocas rápidas e desempenho agradável quando funciona corretamente. Seu histórico, entretanto, exige atenção redobrada.
A transmissão de seis marchas possui duas embreagens secas e um módulo eletrônico conhecido como TCM. Proprietários relataram trepidações, hesitação, superaquecimento, perda de tração, falhas no módulo e necessidade de trocar o conjunto de embreagens.
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A repercussão foi tão grande que a Ford concedeu coberturas adicionais para componentes do sistema em determinados veículos. Em 2020, o Procon-SP chegou a cobrar explicações da montadora sobre o tratamento dado aos consumidores brasileiros após um acordo relacionado ao Powershift nos Estados Unidos.
Quem estiver avaliando um Ford com esse câmbio deve consultar o chassi em uma concessionária, verificar serviços anteriores e confirmar quais peças já foram substituídas. O fato de o carro estar funcionando bem durante uma volta curta não elimina o risco.
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Como testar o câmbio antes de comprar
O ideal é começar o teste com o motor e a transmissão frios. Desconfie quando o vendedor já entrega o carro aquecido, pois isso pode esconder ruídos ou comportamentos que aparecem na primeira partida.
Engate ré e primeira marcha várias vezes, teste arrancadas suaves, passe por subidas e enfrente alguns minutos de trânsito lento. O câmbio não deve demorar exageradamente, cair em neutro, acender alertas ou produzir pancadas fortes.
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