Recentemente, como quem está com tempo sobrando, resolvi voltar à sala de aula como aluno. Aproveitando que algumas universidades estão permitindo a frequência por módulo ou por disciplina, matriculei-me para assistir a um curso sobre Inteligência Emocional.

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“Mas você escreve na Vida Simples há 20 anos e ainda não tinha estudado esse assunto?”. Claro que sim. E foi por isso que voltei à escola. Para saber das novidades, pesquisas recentes, abordagens inéditas. O que vi foi que, desde que Aristóteles se referiu ao assunto, temos variado os exemplos, mas o conceito é o mesmo. Também aprendemos, com o tempo, a dar mais valor ao tema, por perceber o quanto ele pode nos ajudar. Ou nos trair.

Exercício do autocontrole

O melhor momento foi quando a professora pediu um exercício. Cada um deveria descrever situações diferentes da vida em que não fomos emocionalmente inteligentes. Situações em que as emoções nos dominaram e nós perdemos, ainda que por instantes, o controle. Procurei em meus arquivos neurais e juro que me assustei, pois encontrei uma enciclopédia de situações assim. Não sabia nem por onde começar a lista. Tratei, então, de criar uma classificação de minha “burrice emocional”, em vez de listar exemplos. Ficou assim:

  • Não fui emocionalmente inteligente quando minha reação foi desproporcional ao que a provocou;
  • Quando fui afetado por uma pessoa e culpei outra;
  • Quando tomei decisões e fiz escolhas puramente emocionais;
  • Quando não soube dizer “não” na hora certa e depois me arrependi;
  • Quando não relacionei as emoções do momento com suas consequências no futuro;
  • Quando não manifestei alegria, gratidão, indignação, medo ou outra emoção que seria legítima naquela situação.

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Mulher respirando com a mão no peito e uma cachoeira ao fundo
O autocontrole é a chave para uma vida mais equilibrada (Foto: Shutterstock)

Considerações do exercício

Criei essa lista como exercício de aula e também de autoconhecimento. Cada um pode ter sua própria classificação. Após o exercício, a professora continuou a aula ponderando que, naqueles momentos, nós fomos “aprisionados” pelas emoções, pois havíamos perdido a liberdade de conduzir nossa vida de maneira apropriada.

Foi quando me lembrei de Sêneca, que criou a expressão “servidão psicológica” e afirmou que os homens livres, em uma Roma devassa e corrupta, estavam sendo escravos de suas paixões descontroladas e que havia escravos mais livres que eles. Sábio mestre… Autocontrole é liberdade!

Texto originalmente publicado na revista Vida Simples (Edição 249).

*Por Eugenio Mussak

Palestrante, escritor, professor e médico especializado em Fisiologia Humana

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