O empresário Luciano Hang, dono da rede de lojas Havan, desembarcou em Assunção para uma agenda que incluiu até um encontro com o presidente paraguaio, Santiago Peña, na última semana. A visita foi registrada pelo próprio Hang pelas redes sociais, onde publicou fotos ao lado de Peña e brincou sobre uma unidade da varejista em Ciudad del Este. 

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Em um vídeo publicado após a viagem, Hang chegou a escrever que ficou “impressionado” com a forma com que o Paraguai trata as questões tributárias:

“Fiquei impressionado com tudo, mas uma frase dele chamou muito a minha atenção: ‘No Paraguai, não cobramos muitos impostos para o governo não crescer demais. Quem deve crescer é a iniciativa privada, gerando empregos, investimentos e oportunidades’. Isso vai totalmente ao encontro do que penso”, escreveu o empresário.

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O anúncio teve repercussão imediata entre apoiadores do empresário da Havan, que interpretaram a iniciativa como um gesto de descontentamento com o ambiente político e econômico brasileiro sob o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A ida de Hang ao Paraguai, no entanto, não aconteceu em um vácuo. Ela se insere em um movimento que começou a tomar forma em 2022.

O que está por trás dessa “Onda Paraguaia”?

Tudo começou em outubro de quatro anos atrás. A derrota de Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial gerou reações em uma parcela de seus eleitores. Em grupos de WhatsApp, canais de Telegram e perfis em redes sociais, ganhou força a narrativa de que o Brasil entraria em uma fase de restrições a liberdades individuais, risco à propriedade privada e perseguição política — algo que, claro, não se confirmou.

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Foi nesse ambiente que começaram a circular mensagens sugerindo a migração para o Paraguai como alternativa. O que inicialmente eram desabafos e especulações foi, aos poucos, dando lugar a planejamentos concretos de mudança.

Luciano Hang e presidente Santiago Peña durante visita do empresário ao Paraguai (Foto: Instagram, Reprodução, Redes Sociais)

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Por que o Paraguai?

O Paraguai passou a ser citado por esses grupos como um destino viável por uma série de razões. Geograficamente, está ao alcance de uma viagem de carro a partir de estados como Paraná e Santa Catarina, o que permite deslocamentos frequentes para visitar parentes ou resolver questões no Brasil. 

Economicamente, o custo da terra é significativamente menor: um hectare no departamento de Alto Paraná pode ser adquirido por valores que no Brasil não comprariam uma fração equivalente em regiões agrícolas valorizadas. 

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Além disso, a legislação paraguaia também impõe menos barreiras à compra de imóveis rurais por estrangeiros. No campo político, o país é governado pelo Partido Colorado, de direita, que ocupa o poder de forma quase ininterrupta desde 1947. 

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Primeiros “movimentos ao Paraguai”

A partir de 2023, os primeiros grupos de brasileiros começaram a se estabelecer em cidades como Santa Rita, no departamento de Alto Paraná. A região já abrigava uma colônia brasileira antiga, formada a partir dos anos 1970 por agricultores que cruzaram a fronteira em busca de terras mais baratas. 

Foi sobre essa base já estabelecida que a visita de Luciano Hang ganhou significado. O empresário, que durante o governo Bolsonaro se tornou uma figura pública do campo da direita, já havia manifestado em outras ocasiões seu descontentamento com o governo Lula. 

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Ao anunciar o desejo de abrir uma loja no Paraguai e ao se reunir com o presidente Santiago Peña, Hang deu visibilidade empresarial a um movimento que, até então, era protagonizado por cidadãos anônimos. Suas publicações nas redes sociais mencionaram o ambiente de negócios paraguaio como “favorável” e foram compartilhadas por seguidores.

O encontro com Peña, registrado com aperto de mãos e sorrisos, foi apresentado como um sinal de boas-vindas do governo paraguaio a investidores brasileiros.

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“Com certeza, essa viagem foi muito importante para vermos que aqui do nosso lado existe um grande exemplo de um país que mantém seus valores e costumes, gera oportunidades e cresce com impostos baixos, liberdade econômica e contas públicas equilibradas”, finalizou o empresário.