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Viagens espaciais: Um futuro novo grande passo para a humanidade

EUA lançam neste sábado primeiro voo tripulado ao espaço partindo de solo americano em nove anos. Nova missão pode catalisar um mercado de “órbita terrestre baixa”

30/05/2020 - 11h00 - Atualizada em: 30/05/2020 - 11h38

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Por AFP
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Ivan Couronne*

A princípio, o ceticismo era grande. Mas a SpaceX de Elon Musk desafiou as expectativas e se prepara para fazer história, ao transportar dois astronautas da Nasa ao espaço, no primeiro voo tripulado partindo de solo americano em nove anos. O lançamento Crew Dragon por um foguete Falcon 9 rumo à Estação Espacial Internacional (ISS) estava programado para ocorrer na última quarta-feira, dia 27, mas foi adiado, por causa do mau tempo. A próxima janela para a viagem está prevista para este sábado, dia 30, às 16h22min (horário de Brasília). Siga o Twitter da SpaceX para acompanhar em tempo real.

Destinado a desenvolver naves espaciais privadas para transportar astronautas americanos ao espaço, o programa de tripulação comercial da Nasa começou sob o governo de Barack Obama. O sucessor o vê como símbolo da estratégia para reafirmar o domínio americano do espaço, tanto militar, com a criação da Força Espacial, quanto civil.

Trump ordenou que a Nasa retorne à Lua em 2024, um cronograma difícil de cumprir, mas que deu impulso à famosa agência espacial. Nos 22 anos desde o lançamento dos primeiros componentes da ISS, apenas naves espaciais desenvolvidas pela Nasa e pela agência espacial russa levaram equipes para essa estação.

A Nasa utilizou o famoso programa de ônibus espaciais: naves espaciais enormes e complexas que levaram dezenas de astronautas ao espaço por três décadas. O custo impressionante – 200 bilhões de dólares para 135 voos – e dois acidentes fatais acabaram por encerrar o programa. O último ônibus espacial, Atlantis, viajou em 21 de julho de 2011.

Depois, os astronautas da Nasa tiveram de aprender russo e viajar para a ISS no foguete russo Soyuz, que decolou do Cazaquistão, em uma parceria que sobreviveu às tensões políticas entre Washington e Moscou. Os Estados Unidos pretendiam, no entanto, que este fosse um acordo temporário.

A Nasa confiou a duas empresas privadas, a gigante da aviação Boeing e a SpaceX, a tarefa de projetar e construir cápsulas que substituiriam os ônibus espaciais.

Nove anos depois, a SpaceX, fundada por Musk, o empresário sul-africano que também criou o PayPal e a Tesla, está pronta para o lançamento. A operação levou cinco anos a mais do que o planejado, mas a SpaceX superou a Boeing.

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“Uma história de sucesso”

A Nasa concedeu à SpaceX mais de 3 bilhões de dólares em contratos desde 2011 para construir a espaçonave. A cápsula será tripulada por Robert Behnken, 49 anos, e Douglas Hurley, 53, ambos com uma longa história de viagens espaciais: Hurley pilotou o Atlantis na última viagem.

– Tem sido uma história de sucesso – disse à AFP Scott Hubbard, ex-diretor do Centro Ames da NASA no Vale do Silício, que agora leciona em Stanford.

– Houve um grande ceticismo – lembrou Hubbard, que conheceu Musk antes da criação da SpaceX e também preside um painel consultivo de segurança da empresa.

Desde 2012, a empresa reabastece a ISS para a Nasa, graças à versão de carga da cápsula Dragon. A missão tripulada, chamada Demo-2, é de fundamental importância para Washington por duas razões. A primeira é quebrar a dependência da Nasa em relação à Rússia. E a segunda é catalisar um mercado privado de “órbita terrestre baixa”, aberta a turistas e empresas.

Musk mira mais alto: está construindo um enorme foguete, o Starship, para circunavegar a Lua, ou até viajar para Marte e, finalmente, tornar a humanidade uma “espécie que habite vários planetas”.

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