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    Vice-prefeito de São Bento do Sul é suspeito de receber R$ 10 mil por mês em propinas, diz delegado 

    Inquérito policial foi instaurado para apurar a suposta prática do crime de concussão

    03/07/2019 - 12h06 - Atualizada em: 03/07/2019 - 13h41

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    Redação
    Por Redação AN
    Cerca de R$ 1.700,00 estava no gabinete do vice na hora da prisão
    Cerca de R$ 1.700,00 estava no gabinete do vice na hora da prisão
    (Foto: )

    Vice-prefeito de São Bento do Sul, Márcio Dreveck – preso nesta segunda-feira (1) suspeito de exigir parte de salário de comissionados – recebia mais de R$ 10 mil, em média, por mês em propinas. De acordo com o delegado Gustavo Muniz, da Divisão de Investigação Criminal (DIC), a Polícia Civil há uma denúncia de um dos casos em que o servidor recebia R$ 7.400,00 mensais e entregava cerca de R$ 1.900,00 à Dreveck.

    — Pelo temos de informação até o momento, o valor a ser pago dependia do cargo que ele indicou. Se fossem cargos e salários menores, o suspeito cobrava um percentual. Os mais elevados, como da diretoria, eram cobrados valores variados – com uma parte para ele, outra em tese para o partido e até outros servidores teria também uma cobrança – afirmou o delegado, em entrevista a NSC TV.

    Ainda de acordo com o delegado, a parcela só teria sido reduzida para R$ 1.700,00 há cinco meses, porque o servidor reivindicou que o valor estava muito alto. O valor mensal que seria recebido por Dreveck pode ser maior ou menor que os R$ 10 mil. Como as investigações ainda estão em curso, só será possível estimar um valor final após a oitiva de todas as testemunhas.

    O vice-prefeito está no Executivo há dois anos. A polícia já solicitou prefeitura um levantamento de quantos cargos comissionados foram nomeados pelo vice-prefeito. O vice-prefeito pode responder pelo crime de concussão, previsto no artigo 316 do Código Penal que determina pena de reclusão de dois a oito anos, e multa, para crimes praticados por funcionário público em que ele exige vantagem indevida para si ou para outras pessoas usando o cargo que ocupa.

    O que diz a defesa

    Em entrevista à NSC TV, o advogado de defesa do vice-presidente, Manolo Del Olmo, informou que os valores foram pagos como contribuição espontânea pelos servidores para despesas do diretório municipal do partido. Conforme ele, os pagamentos não têm relação com o preenchimento dos cargos indicados, nem com campanhas políticas e os gastos pessoais de Dreveck.

    — Em razão de que um ou dois servidores estavam devendo esta quantia há mais tempo, totalizaram os R$1700,00 que foram pegos com ele — explica o advogado.

    Investigação começou em fevereiro depois de uma denúncia

    Depois de uma denúncia, a Polícia Civil passou a monitorar os servidores e o vice-prefeito. As investigações apontaram que Dreveck indicava os comissionados e já exigia os valores em troca do cargo, o pagamento deveria ser feito após o recebimento do primeiro salário. Segundo Muniz, não há indícios, até o momento, da participação do prefeito da cidade ou de que ele sabia do suposto esquema.

    De acordo com o delegado, o dinheiro encontrado no gabinete durante o cumprimento da ordem judicial seria o pagamento de um dos servidores comissionados. A polícia deve ouvir testemunhas e servidores da prefeitura de São Bento ao longo desta semana para corroborar com as investigações. Dreveck está preso preventivamente no Presídio Regional de Mafra.

    Veja nota da prefeitura na íntegra:

    A Prefeitura Municipal de São Bento do Sul vem a público para informar que está acompanhando atentamente o desenrolar dos fatos que envolvem a apuração de supostos atos praticados pelo Vice-Prefeito da cidade.

    O Poder Público Municipal informa que o Vice-Prefeito não ocupava nenhum outro cargo na Prefeitura e sua função baseava-se apenas em eventualmente substituir o Prefeito nos casos de férias ou afastamentos.

    A Administração Municipal não tolerará condutas que, se comprovadas, comprometam a atuação ética, a dignidade da função pública e o compromisso da gestão em promover um trabalho de qualidade e pautado na eficiência, transparência e zelo com as pessoas e com o dinheiro público.

    Os casos pontuais devem ser analisados de forma isolada e certamente serão punidos com rigor. A investigação vem sendo integralmente conduzida pelas autoridades competentes, a quem pertence a função de emitir juízo de culpabilidade ou não, após o devido processo legal, de modo que a Prefeitura, por meio de seus agentes políticos e servidores, colaborarão no que for preciso para combater eventuais transgressões apontadas.

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