A vida é rara no Universo. Essa é, ao menos, uma teoria muito defendida pela ciência. E um estudo recente mostra que só foi possível nos desenvolvermos aqui no nosso planeta por algo que pode ser chamado de sorte. Um “acaso químico” aconteceu em nosso núcleo e, só por isso, a Terra se tornou um lugar habitável.
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Pesquisadores da ETH Zurich, uma das melhores universidades do mundo e que se tornou famosa por formar e empregar Albert Einstein, publicaram um estudo que revela que uma atividade rara aconteceu no núcleo da Terra há 4,6 bilhões de anos. A dinâmica afetou outros sistemas e possibilitou o início da geração de vida no nosso planeta.
O estudo liderado pelo doutorando do Centro de Origem e Prevalência da Vida da universidade, e que contou com a participação da professora Maria Schönbächler, foi publicado na revista Nature Astronomy na última segunda-feira (9) e fez revelações impressionantes sobre alguns elementos fundamentais para a vida e como eles interagiram para tornar a Terra um planeta habitável.
As revelações do estudo
Os resultados da pesquisa mostram que, enquanto núcleo do nosso planeta se formava, o oxigênio esteve presente na quantidade exatamente necessária para fazer da Terra um mundo habitável. Mais do que isso, o gás foi determinante para que o nitrogênio e o fósforo, dois elementos essenciais para a vida, fossem acessíveis e se mantivessem presentes no manto e na crosta terrestre.
Sem essa interação equilibrada, um planeta rochoso como a Terra até pode aparentar uma superfície habitável, mas não reúne condições químicas suficientes para sustentar vida, especialmente em formas mais complexas e desenvolvidas.
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Em situações com pouco oxigênio, por exemplo, o fósforo se fundiria com o ferro, ficando inacessível para processos biológicos como a formação de DNA e RNA. No cenário oposto, o excesso de oxigênio “expulsaria” o nitrogênio para o espaço, impedindo qualquer interação química que pudesse gerar vida.
O “acaso químico” que possibilitou vida na Terra
Enquanto estão sendo formados, os planetas rochosos como a Terra seguem uma tendência: os metais pesados como o ferro descem para o núcleo, enquanto elementos mais leves permanecem nas camadas externas. Durante essas formações, a quantidade de oxigênio determina o comportamento de outros elementos químicos.
O estudo mostra que o oxigênio precisa estar em uma faixa estreita, chamada de “zona Goldilocks química”, para que o fósforo e o nitrogênio permaneçam acessíveis e em quantidades suficientes no manto.
E a Terra foi formada exatamente nessa faixa. A quantidade de oxigênio foi exatamente o que precisava para que o fósforo e o nitrogênio conseguissem realizar as dinâmicas essenciais, permitindo o desenvolvimento de processos químicos e, posteriormente, o surgimento de algumas formas de vida.
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Não foi apenas sorte
A Terra ter se formado dentro dessa zona com a quantidade exata de oxigênio, além das dinâmicas e outras condições essenciais para o surgimento da vida, não foi apenas um acaso químico raro ou uma espécie de sorte. Boa parte desses fenômenos tem relação direta com o Sol.
Os planetas geralmente se formam no mesmo campo de gás e poeira que a estrela que orbita. Ou seja, a composição química do Sol determinou a quantidade de oxigênio no momento da formação da Terra.
Nosso planeta herdou boa parte das condições químicas básicas para a vida do Sol – ou de interações no espaço relacionadas à atividade solar. Isso reforça uma tese defendida por alguns grupos de cientistas de que a vida no Universo só existe em sistemas solares muito semelhantes quimicamente ao nosso.
