Um vídeo gravado em frente ao Morro do Mocotó, no Centro de Florianópolis, causou revolta entre moradores da comunidade. A gravação foi publicada na terça-feira (20) nas redes sociais do vereador de Joinville Mateus Batista (União Brasil) e de Felipe Barcellos, ambos integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL).
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No vídeo, a dupla chama o local de “lixo” e diz que Florianópolis está virando um “grande favelão”.
— Isso aqui é Florianópolis que tá virando um grande favelão (…) Esse lixo aqui tá crescendo todo ano e a insegurança da população só sobe — afirmam.
Diante da repercussão, o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) recebeu uma denúncia e encaminhou o caso nesta quarta-feira (21) para análise da 40ª Promotoria de Justiça da Capital, especializada no combate à intolerância, ao preconceito e à discriminação.
Saiba a história do Morro do Mocotó
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Comunidade reage e denuncia preconceito
O vídeo causou revolta nas redes sociais e, até 16h desta quarta-feira (21). Nos comentários, moradores acusaram os autores do vídeo de preconceito, generalização e desinformação sobre a realidade da comunidade.
“Sou da comunidade citada no texto. Nasci, cresci e vivi ali por muitos anos. E me senti profundamente desrespeitada com a forma rasa, generalista e preconceituosa com que essa comunidade foi retratada. Falar de criminalidade sem contexto, sem dados e sem conhecer a história das pessoas é fácil. Difícil é reconhecer que ali existem famílias trabalhadoras, gente honesta, mulheres que criam filhos sozinhas, jovens que estudam, sonham e vencem”, escreveu uma moradora de Florianópolis, nos comentários.
O líder comunitário Taffarel Lopes fez uma publicação afirmando que iria tomar medidas contra o vídeo. “Não é fácil ouvir esse tipo de ataque, carregado de preconceito e desrespeito, direcionado a um lugar que é o nosso lar. Nossas crianças, nossas famílias e todos os moradores merecem respeito, dignidade e reconhecimento”, escreveu Taffarel.
Vereador faz denúncia ao MPF
O vereador Leonel Camasão (PSOL) informou que também apresentou denúncia ao Ministério Público Federal (MPF), apontando possível prática de racismo e xenofobia no conteúdo divulgado.
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Procurado pelo NSC Total , o Ministério Público Federal (MPF) informou que está analisando a notícia-crime para definir se dá início, ou não, a uma investigação.
Felipe Barcellos nega xenofobia
Em nota, Felipe Barcellos reiterou seu posicionamento e afirma que suas declarações foram contra o crime organizado.
“Reitero absolutamente tudo o que foi dito. O Mocotó e outras favelas são controladas por facção, e as lideranças políticas escolhem ignorar esse fato e fingir que a crítica é direcionada aos moradores, o que em nenhum momento foi feito”, diz a nota.
Além disso, Felipe Barcellos alega que, mesmo após repercussão do vídeo, a posição segue a mesma. Ele também negou que tenha cometido xenofobia. “Pra deixar claro, não existe xenofobia, estamos pelos trabalhadores. Amo a cidade em que minha família está faz mais de 3 gerações e não quero ver ela destruída pelo crime organizado”, acrescentou.
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O vereador Mateus Batista foi procurado pela reportagem, mas não respondeu até o fechamento do texto.






