Um registro impressionante das águas cristalinas da Praia do Pântano do Sul revelou o Navio Guarará, naufragado nos anos 50 em Florianópolis. O vídeo foi feito no sábado (3) pela empresa ADrones Floripa, e mostrou o mar em um dia de maré rasa e vento sudeste, condições favoráveis para que as águas fiquem claras e o navio reapareça na praia.

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Segundo Marcelo Martins, meteorologista da Epagri/Ciram, para que os resquícios do Navio Guarará possam ser vistos, depende da direção dos ventos. Por exemplo, vento nordeste traz águas mais escuras. Já o vento sudeste, que está passando pela Ilha nos últimos dias, deixa a água mais quente e mais clara, tornando possível a observação do barco afundado. Ainda segundo o meteorologista, o verão é a melhor época do ano para se observar o navio.

Veja fotos do navio

A história do Navio Guarará

Zenaide de Souza, nascida em 1944, é moradora nativa do Pântano do Sul. Há 33 anos, ela é a dona do tradicional bar Pedacinho do Céu, localizado em frente à praia. A senhora de 80 anos relembra de uma segunda-feira de inverno em 1954, noite em que o Navio Guarará naufragou:

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— Parecia uma cidade no mar de tão iluminado — diz Zenaide sobre a visão do navio. Na época, ela estava com seus 13 anos.

Dona Zenaide relembra o naufrágio do navio Guarará (Foto: Divulgação, Redes Sociais)

Dona Zenaide conta que um grupo de 15 homens apareceu no mar, pedindo ajuda, entre 19h e 20h. A comunidade do Pântano do Sul logo correu para a praia, hipnotizados com as luzes no mar.

— O olhar das pessoas era de admiração pelas luzes, mas também era de preocupação pelas pessoas que estavam no barco. Se eles não saíssem, iam morrer — relembra Zenaide.

Segundo o relato da moradora, havia animais, louças, comida seca e até geladeira boiando na água. O navio estava saindo de Imbituba em direção ao Rio de Janeiro. Felizmente, nenhum dos tripulantes ficou ferido, e alguns inclusive se encantaram com a hospitalidade da comunidade, e ficaram morando no Pântano do Sul.

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Havia 12 embarcações na frota do Navio Guarará, e este em questão, era o número oito. A moradora acredita que antes de afundar, o navio bateu em uma pedra. A embarcação estava carregada de carvão, o que fez com que a estrutura não aguentasse o peso e afundasse.

— A praia não prestava mais, ficou cheia de carvão. E pros pescadores foi ruim, porque o navio ficou bem no melhor lugar para a pesca da tainha.

Depois do naufrágio, a empresa até tentou retirar o navio mas não conseguiu. Dona Zenaide acredita que hoje, mesmo atrapalhando a pesca da tainha no local, o Navio Guarará não é retirado porque atrai turistas para a região, curiosos para ver os restos da embarcação.

Veja o vídeo do Navio Guarará

(Vídeo: ADronesFloripa)

*Sob supervisão de Andréa da Luz

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