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    VÍDEO: saiba como se formam os principais tipos de marés do litoral de SC

    Astronomia e meteorologia estão entre os principais sistemas influenciadores no nível do mar

    23/09/2019 - 18h24 - Atualizada em: 24/09/2019 - 18h19

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    Por Priscila Araújo
    Praia do Campeche, em Florianópolis, em fevereiro de 2019
    (Foto: )

    Todos os dias o oceano sofre influências naturais e as consequências desses acontecimentos na costa são chamadas de marés. São alterações cíclicas do nível da água causadas por diferentes fenômenos como, por exemplo, a rotação da Terra combinada com as forças gravitacionais entre a Lua e o Sol sobre o campo gravitacional do planeta.

    Mauro Michelena Andrade, professor do Laboratório de Oceanografia Física da Universidade do Vale do Itajaí (Univali) esclarece que são seis as oscilações já registradas pela área de estudo nos níveis das orlas. Ele explica que a Maré Astronômica e a Maré Meteorológica são as mais comuns em Santa Catarina.

    Há três eventos menos habituais no Estado. Um deles é o barômetro invertido, que é causado pelas variações na pressão atmosférica acima do oceano. Existem também os processos de Wind set-up e set-down, que na oceanografia são usados para caracterizar os efeitos no nível d’água causados pelo vento perpendicular à costa durante um pequeno período de tempo.

    O terceiro é a Maré de Tempestade, que é resultado dos furacões, como os que acontecem na costa norte-americana.

    Confira em vídeo quais são os principais tipos de marés:

    Maré Astronômica

    A Maré Astronômica, como o nome sugere, é caracterizada pela interferência da atração gravitacional exercida pela Lua e pelo Sol sobre a Terra. Desta forma, o mar, estuários e lagunas, por exemplo, sofrem movimentos verticais do ritmo de subida e descida da água a cada seis horas aproximadamente. Na orla de SC, essa maré acontece quatro vezes por dia.

    — Mais precisamente essas duas subidas e descidas ocorrem em um período de 24 horas e 50 minutos. Por isso, o horário das marés conhecidas como alta e baixa não são sempre os mesmos — explica o professor Mauro Michelena Andrade.

    O fluxo e refluxo da maré na região costeira é uma manifestação do aumento e diminuição do nível do mar causado pelo movimento de uma onda de longo comprimento, que afeta os oceanos e as orlas. Essa ondulação é a onda de maré que é formada pela força gravitacional entre a Terra e a Lua e a Terra e o Sol.

    — Os movimentos das marés astronômicas são bastante regulares, e as magnitudes podem ser precisamente formuladas. Embora a resposta dos oceanos para estas forças seja modificada pela topografia e pelos efeitos transitórios das condições meteorológicas, é possível fazer previsões confiáveis das marés astronômicas séculos à frente e até mesmo relacionar eventos históricos específicos para os estados de marés muitos séculos no passado — complementa Andrade.

    Maré de Sizígia

    Sizígia é a nomenclatura usada em astronomia para designar o posicionamento de três corpos celestes pertencentes a um mesmo sistema gravitacional que estão temporariamente dispostos em linha reta.

    Desta forma, a Maré Sizígia é formada pela resposta simultânea do oceano à inércia e à força gravitacional da Lua e do Sol. Considerando que a declinação entre os sistemas Terra-Lua e Terra-Sol é zero, e o alinhamento entre eles, esse acontecimento faz com que as forças geradoras de maré de cada um deles ajam nas mesmas direções. Isso causa amplitudes de variação do nível do mar maiores do que normalmente observadas.

    — Ou seja, estarão em fase, de modo que elas reforçam uma a outra. O resultado? A amplitude das marés produzidas é maior do que a média, ou seja, a maré alta é mais alta e a maré baixa é mais baixa, resultando nas marés de sizígia ou marés vivas — afirma Andrade.

    A cada duas semanas durante as fases cheia e nova da Lua, esse fenômeno ocorre. E o alinhamento pode acontecer quando a Lua está do lado oposto ou entre a Terra e o Sol (em conjunção). Em geral na costa catarinense, e especialmente em Itajaí, no Litoral Norte, a variação total entre o nível mais alto e mais baixo na maré de sizígia típica é de 1,5 m.

    Dessa forma, a Maré Astronômica pode ocorrer de duas formas, sendo uma delas com influencia da Sizígia e a outra da Maré de Quadratura, que é quando a Lua está nas fases crescente e minguante. Ela é determinada não apenas pelas fases lunares, mas também pelas posições em que os astros se encontram.

    — Quando o Sol e a Lua formam ângulos retos entre si, as marés solares e lunares estão fora de fase, e não se reforçam mutuamente. Assim, a amplitude das marés é menor do que a média e são conhecidas como marés de quadratura ou marés mortas. Normalmente em Santa Catarina a variação nesse contexto é em torno de 0,4 m — conclui o professor da Univali.

    Maré Meteorológica

    Outra oscilação no nível do mar é conhecida como Maré Meteorológica, influenciada principalmente pela força do vento paralelo à costa.

    — É definida como sendo a diferença entre o nível do mar observado e a maré astronômica. As marés meteorológicas podem aumentar ou diminuir a altura das cristas da maré astronômica sendo considerada uma sobre elevação do nível do mar — afirma Mauro Michelena Andrade.

    Segundo ele, o fator mais importante para a geração desta maré é a pista de vento, que corresponde ao tamanho da área oceânica onde efetivamente ocorre a troca de velocidade entre o ar e o mar. Além do tamanho da pista, é preciso que a ação do vento se mantenha por certo tempo, de modo a transferir energia suficiente para que este efeito seja perceptível ou predominante.

    — Esta transferência de energia cinética ocorre devido à tensão de cisalhamento (transfere energia do vento atuante na superfície para o mar por meio da força de atrito) causando as variações do nível médio do mar. Portanto a maré meteorológica é responsável pela diferença entre o nível do mar observado em um local em relação às marés astronômicas previstas para o determinado local — esclarece Andrade.

    Geralmente, esse fenômeno é mais importante quando níveis são muito maiores do que os previstos na Maré Astronômica, o que acaba fazendo com que a água salgada chegue a lugares onde ela normalmente não atinge, causando inundações e estragos.

    — Ou então, ocasionando níveis extremamente baixos, impedindo a navegação nos canais de acesso a portos — diz o professor.

    As duas situações de níveis muito altos ou muito baixos do mar apresentam impactos também na ecologia costeira, ou seja, afetam a vegetação e organismo que vivem fixos no costão, por exemplo. Eles podem ficar muito tempo submersos ou muito tempo expostos ao sol e a dessecação quando ocorre um nível mais baixo do que o normal.

    Além disso, no caso de níveis de água extremamente altos, é comum ocorrer o fenômeno chamado de ressaca, que é quando as ondas da superfície — vistas das praias — têm alturas maiores do que a média.

    — Elas quebram ao longo das praias, formando extensos rolos de espuma. A ressaca pode ser mais intensa dependendo da altura e período das ondas e também das condições do tempo, no entanto tem duração menor do que as inundações causadas pela maré meteorológica — afirma Andrade.

    A Maré meteorológica associada a ventos muito fortes pode causar erosão na praia e diminuição do volume das dunas, por exemplo. Os efeitos de oscilações do nível do mar em função das forçantes meteorológicas não estão necessariamente relacionados às estações do ano, como diz o professor da Univali:

    — Intensos sistemas atmosféricos transientes podem ocorrer em qualquer época do ano. No entanto, em latitudes médias, geralmente os sistemas meteorológicos são mais intensos durante os meses de inverno.

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