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    Vinho alemão não é só riesling

    Vinho tinto na Alemanha? A pinot noir está lá desde apenas o século XIII, quando foi plantada pela primeira vez ao longo do Reno por monges cistercienses, que realizaram a mesma boa ação na Borgonha

    03/09/2020 - 17h39

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    Por The New York Times
    vinho
    Muitas outras uvas produzem vinhos deliciosos na Alemanha.
    (Foto: )

    *Por Eric Asimov

    Entrar no mundo do riesling alemão é como um grande mergulho em uma piscina de vinhos deslumbrantes – graciosos, complexos e absolutamente deliciosos.

    Algumas pessoas pulam de cabeça. Outras se afastam, acreditando erroneamente que todos os rieslings são doces ou tentando se esquivar da nomenclatura supostamente indecifrável dos rótulos de vinhos alemães.

    Independentemente de sua posição, a maioria dos consumidores compartilha a percepção de que o riesling representa a totalidade do vinho desse país.

    Mas existe outra Alemanha, com uma miríade de tintos, rosés e brancos que deixam claro que o riesling é apenas parte da história do vinho daquela nação. Esses vinhos oferecem muitas das alegrias que atraem os amantes do riesling. E o melhor de tudo: muitas vezes, seus preços são ótimos.

    No entanto, surpreendentemente, são praticamente desconhecidos nos Estados Unidos, exceto por um pequeno grupo de importadores que os compra e um pequeno grupo de aficionados que os adora.

    Sou um deles. Inspirado por um delicioso pinot blanc alemão que encontrei para uma recente coluna "20 under $20", fiz compras em lojas de vinhos de Manhattan e consegui 12 garrafas soberbas que demonstram o apelo dos vinhos alemães além do riesling.

    Alguns desses vinhos podem parecer familiares, como o pinot noir, embora possa parecer surpreendente encontrá-los na Alemanha, onde a uva é frequentemente chamada de spätburgunder.

    Vinho tinto na Alemanha? A pinot noir está lá desde apenas o século XIII, quando foi plantada pela primeira vez ao longo do Reno por monges cistercienses, que realizaram a mesma boa ação na Borgonha.

    A pinot noir tinha problemas frequentes para amadurecer no clima frio alemão. Muitas vezes, saía magra e pálida; não que não fosse atraente, mas tinha pouca profundidade ou complexidade. Mas a mudança climática, embora seja uma ameaça à humanidade, aprimorou o pinot noir alemão, assim como os métodos agrícolas e o know-how.

    Muitas outras uvas produzem vinhos deliciosos na Alemanha. Entre elas está a pinot blanc, conhecida como weissburgunder em alemão; a blaufränkisch, que na Alemanha é geralmente chamada de lemberger; a silvaner, muitas vezes grafada sylvaner; e a trollinger, mais conhecida em italiano como schiava.

    Você também encontrará uvas totalmente obscuras como a elbling e a blauer portugieser, que não recebem outros nomes conhecidos.

    "O riesling ainda é o padrão na Alemanha, como o borgonha ou o bordeaux são na França, mas acho que o que está acontecendo é a percepção de que todas essas outras coisas têm um valor mais profundo que deve ser apresentado ao grande público", disse Stephen Bitterolf, cuja empresa de importação, a Vom Boden, é especializada em vinhos alemães, rieslings e outros.

    Não faz muito tempo que uma grande homogeneização do vinho parecia estar ocorrendo em todo o mundo. Países como a Itália e a Espanha, ricos em vinhos tradicionais, pareciam rejeitar suas variedades de uvas nativas em favor das internacionalmente conhecidas, como cabernet sauvignon, merlot e chardonnay.

    Nos últimos 20 anos ou mais, esses países e muitos outros redescobriram a diversidade de suas uvas e vinhos, cuja amplitude agora parece ser valorizada em todo o mundo.

    A Alemanha, porém, ficou para trás. A riesling sempre esteve em um patamar elevado, mas outras uvas, em sua maioria, eram menosprezadas pelo mercado. Bitterolf chama a isso um "círculo vicioso de vinhos baratos".

    "Você planta as uvas na pior área, as cultiva mal e então diz: 'São vinhos terríveis'", afirmou ele.

    Havia exceções, é claro. Produtores como Stefan Vetter procuravam vinhedos antigos da silvaner, por exemplo, cuidavam deles e, então, provavam como os vinhos poderiam ser bons.

    Bitterolf também citou consumidores de vinho mais jovens na Alemanha, que estavam mais abertos à exploração, que abraçaram a noção de que essas uvas, antes mantidas nas prateleiras mais baratas, poderiam resultar em excelentes vinhos.

    A Alemanha também foi tocada pela aceitação mundial dos vinhos naturais. Uma das grandes conquistas desse movimento tem sido a ressurreição das uvas nativas e dos costumes locais, que há muito tinham sido deixados de lado.

    Algumas das garrafas que achei se encaixam perfeitamente na categoria de vinho natural. Seu conteúdo pode não ter sido filtrado ou clareado, mas todos são absolutamente deliciosos.

    Ao lado de um novo elenco de uvas, perceber a diversidade da Alemanha também requer um novo olhar sobre sua geografia do vinho, indo além do quinteto das principais regiões de riesling: Mosel, Rheingau, Pfalz, Nahe e Rheinhessen.

    Os vinhos que escolhi vêm de lugares como Ahr, um vale fluvial que se estende a sudeste de Bonn, e Baden e Württemberg, no sudoeste, junto a algumas das regiões mais famosas.

    Alguns desses produtores não usam as denominações no rótulo, preferindo o termo genérico Landwein, assim como muitos excelentes produtores usam Vin de France na França ou Vino di Tavola na Itália. Em alguns casos, isso indica a não conformidade ou o desdém pelas burocracias ocultas que decidem o que é uma representação aceitável de uma denominação particular.

    Uma coisa importante a salientar: essas 12 garrafas vêm de pequenos produtores familiares. Não serão fáceis de encontrar. Se você tem acesso a boas lojas de vinho, no entanto, vai encontrar muitos outros além do riesling.

    Não hesite em experimentá-los. Minhas escolhas não se destinam a ser vistas como as melhores garrafas. São apenas 12 excelentes exemplos de vinhos alemães além do riesling.

    Aqui estão eles, ordenados por preço:

    Fürst Mosel Elbling Trocken 2018, US$ 13,96 o litro

    Jochen Beurer Württemberg Trollinger Trocken 2019, US$ 21,99

    Stein Mosel Rosé Trocken 2019, US$ 21,99

    Kraemer Franken Silvaner 2017, US$ 21,99

    2Naturkinder Kleine Heimat Landwein 2017, US$ 24,96

    Holger Koch Spätburgunder Kaiserstuhl 2018, US$ 25,99

    Julia Bertram Ahr Spätburgunder Handwerk 2017, US$ 27,96

    Roterfaden Landwein Lemberger Trocken 2017, US$ 29,99

    Schäfer-Fröhlich Nahe Pinot Noir Blanc de Noir Trocken 2019, US$ 31

    Dr. Heger Baden Ihringer Winklerberg Spätburgunder 2014, US$ 34,99

    Enderle & Moll Baden Pinot Noir Liaison 2018, US$ 36,99

    Stefan Vetter Rosenrain Sylvaner 2016, US$ 79,95

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