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Volta da bandeira amarela na tarifa de luz provoca reflexos a consumidores em SC

Setores como pequenas indústrias, estabelecimentos comerciais e clientes domésticos são os impactados pelo acréscimo. Celesc estima que alta em conta residencial padrão seja de 1,5%

08/05/2019 - 20h09 - Atualizada em: 08/05/2019 - 22h58

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Jean
Por Jean Laurindo
Em estabelecimentos como padarias, fornos são os principais responsáveis pelo consumo de energia - e pela conta mais alta
Em estabelecimentos como padarias, fornos são os principais responsáveis pelo consumo de energia - e pela conta mais alta
(Foto: )

A padaria que o empresário Anderson Francisco da Rosa administra há 22 anos no bairro Bela Vista, em São José, mal tinha superado as altas contas de energia elétrica de janeiro e já terá um custo a mais a partir deste mês. Em maio, a tarifa pelo serviço passa da bandeira verde para a amarela. Por isso, volta a ter a cobrança de um valor adicional de R$ 1 a cada 100 quilowatt-hora (leia mais abaixo).

O que mais consome energia elétrica na padaria da família Rosa é o forno, que fica ligado 14 horas por dia. Em janeiro, a conta saltou do valor médio de R$ 3,7 mil para R$ 5,1 mil – valor 38% maior. Um peso e tanto para o orçamento do negócio. O valor vinha diminuindo nos últimos meses e voltando ao patamar normal.

– Agora que estávamos ficando mais contentes, que a conta estava voltando ao normal, vem uma dessa. A venda se mantém estável, não cresce nessa proporção, o que aumenta é a despesa. O que acontece é que assim precisamos repassar algo para o produto, principalmente o pão – projeta Rosa.

Em outra padaria no Centro de Florianópolis, a conta de luz alta chegou a motivar a compra de um novo forno elétrico mais moderno para diminuir a despesa. Em nota, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) informou que o acionamento da bandeira amarela ocorre porque maio é o mês de início da estação seca nas principais bacias hidrográficas nas regiões de produção e transmissão de energia do país.

Desde dezembro do ano passado a conta de energia elétrica no país estava com a bandeira verde – quando não há acréscimo na tarifa. Novembro foi o último mês em que a tarifa teve sinalização amarela. O adicional de bandeira amarela, de R$ 1 por 100 quilowatt-hora, pode não representar o maior dos impactos nas contas. Segundo a Celesc, o custo extra significa uma alta média de 1,5% em uma conta média de uma casa ou apartamento de três quartos (consumo de 450 Kw/h ao mês).

No entanto, no ano passado, de junho a outubro, a tarifa teve a bandeira vermelha patamar 2, R$ 5 a mais a cada 100 quilowatt-hora, o valor mais alto da escala. Se as bandeiras repetirem o histórico do último ano – o que é possível porque elas se baseiam na condição climática – a conta de luz pode ter uma elevação ainda mais significativa no próximo mês. O que inspira cuidados desde já.

– A bandeira tarifária busca capturar uma receia para esse custo extra com o uso das termelétricas e, ao mesmo tempo, também sinaliza ao consumidor que a energia está mais cara e que é preciso economizar – alerta o assistente da diretoria comercial da Celesc, Vanio Moritz.

Economia que vira palavra de ordem em domicílios como os do administrador Wilson Vieira, 46 anos. O morador de Florianópolis diz que a incidência das bandeiras deixa, sim, a conta mais salgada. Aí não tem jeito: a saída é optar por medidas como apagar todas as luzes da casa à noite, diminuir a duração dos banhos e pedir mais cautela às mulheres da casa no uso de aparelhos como chapinha e secador de cabelos.

Contratos no mercado livre garantem impacto menor na indústria

No setor da indústria, a maior parte das empresas de médio e grande porte compra energia no chamado mercado livre, diretamente com os geradores de energia, a preços pré-fixados. Por isso, fica livre das oscilações de preço de bandeiras amarela ou vermelha. No entanto, quem tem consumo menor e compra energia no chamado mercado cativo, o mesmo dos consumidores residenciais, acaba sentindo os reflexos dessas altas sazonais na conta.

É o caso da Gabriella Revestimentos Cerâmicos, de Criciúma. O gerente de produção, Rodrigo Luiz Gonçalves, explica que a empresa utiliza gás natural na queima da cerâmica, mas que a energia elétrica é utilizada para o uso dos equipamentos usados na movimentação das peças e nas outras etapas de fabricação. A companhia não tem estimados os custos a mais que a bandeira amarela pode representar, mas admite que eles podem impactar nesse período, que é considerado de alta produção.

O presidente da Câmara de Energia da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), Otmar Muller, analisa que mesmo com casos pontuais como os do setor cerâmico, o impacto é baixo sobre a indústria pela adesão ao mercado livre. Ele também acredita que a bandeira tarifária não é exatamente um vilão da questão energética. Na avaliação dele, esse posto é ocupado pela carga tributária.

– Hoje na tarifa média da Celesc 38% são impostos ou encargos que vão ao governo federal ou estadual. O vilão maior é esse peso dos nossos governos, que impõe esse ônus aos consumidores – defende.

No comércio, o aumento da energia com a mudança das bandeiras é encarado como mais um agravante para os empresários levarem em conta na hora das decisões.

– Com a bandeira amarela é possível ter um aumento de 10% nos custos das empresas. Os empresários vão precisar fazer ajustes na alocação de recursos de modo a não ter que repassar esse aumento de custo ao consumidor – aponta o presidente da Fecomércio-SC, Bruno Breithaupt.

Geração própria de energia pode ser saída para escapar das oscilações

Energia solar é alternativa para empresas que buscam escapar das oscilações e aumentos da energia elétrica
Energia solar é alternativa para empresas que buscam escapar das oscilações e aumentos da energia elétrica
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Para compensar os efeitos da alta na bandeira, um caminho costuma ser economizar energia, mas essa receita nem sempre é tão fácil de aplicar na indústria, que precisa continuar sendo produtiva. Assim, uma saída para escapar das oscilações do mercado de energia é a geração própria por parte de empresas e até consumidores domésticos.

Muller afirma que essa atitude pode ajudar na falta de investimento na geração e que o retorno tem sido cada vez mais rápido.

– Muitas empresas pequenas, de comércio e serviços também, têm adotado a energia fotovoltaica e às vezes, em regiões mais rurais, até as Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs). Essa é uma alternativa importante. Claro que exige um aporte inicial, mas por outro lado em curto espaço de tempo você se livra totalmente da conta de energia – analisa.

Quem aderiu recentemente a esse formato foi a Segala’s Alimentos, do Vale do Itajaí. A empresa pertence a um mercado, dos atacadistas e distribuidores, que precisam de muita energia para manter alimentos refrigerados 24h por dia, e que consequentemente sofre mais com as altas na energia.

O sócio-diretor Alexandro Segala, que também é presidente da Câmara Frigorificada da Associação de Distribuidores e Atacadistas Catarinenses (Adac), conta que há duas semanas a empresa concluiu a instalação de placas para energia solar no teto da empresa. A empresa passou a estudar essa possibilidade após perceber a alta no preço da energia. Apesar do pouco tempo, a empresa já chegou a produzir energia excedente, que é distribuída à rede e revertida em crédito junto à concessionária.

– Com a energia solar, as mudanças de bandeiras tarifárias não vão nos gerar a dor de barriga que iriam provocar caso não tivéssemos instalado as placas. O investimento não é barato, mas quando fizemos a conta de que a economia pagaria a parcela e sobraria um pouco, foi o momento de investir no negócio – conta.

Entenda as bandeiras tarifárias

As bandeiras indicam o custo da energia elétrica, de acordo com a quantidade de chuvas na região das usinas geradoras. Quando há menos chuva, as usinas hidrelétricas, que respondem pela maior produção da matriz energética no Brasil, geram menos energia. Então é preciso recorrer em maior volume às termelétricas, que utilizam combustíveis e têm custo de geração mais alto. A diferença é cobrada na forma de um valor adicional conforme a bandeira.

Bandeira verde

Condições favoráveis de geração de energia. A tarifa não sofre nenhum acréscimo.

Bandeira amarela

Condições de geração menos favoráveis. A tarifa sofre acréscimo de R$ 1,00 para cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos.

Bandeira vermelha - Patamar 1

Condições mais custosas de geração. A tarifa sofre acréscimo de R$ 3,00 para cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumido.

Bandeira vermelha - Patamar 2

Condições ainda mais custosas de geração. A tarifa sofre acréscimo de R$ 5,00 para cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumido.

Fonte: Aneel

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