Em alguns dos clubes de bem-estar mais disputados de Londres, Nova York e Dubai, a musculação já não ocupa necessariamente o centro da experiência. Entre uma sessão de treino e outra, os frequentadores podem passar pelo spa, participar de práticas de recuperação, encontrar amigos para um café ou simplesmente permanecer no espaço por algumas horas. 

Continua depois da publicidade

A proposta reflete uma mudança na forma como o mercado tem passado a enxergar saúde e qualidade de vida. Hoje, os wellness clubs são mais do que a prática de atividades físicas, são espaços exclusivos e autênticos que unem diversas atividades dedicadas ao bem-estar, à socialização e a experiências de alto padrão.

Bem-estar como estilo de vida

O movimento acompanha a expansão da chamada economia do bem-estar. Segundo o Global Wellness Institute (GWI), principal entidade internacional dedicada ao estudo do setor, o mercado global de wellness movimentou US$ 6,8 trilhões em 2024 e deve alcançar US$ 9,8 trilhões até 2029.

A procura por esse tipo de espaço reflete uma mudança de comportamento. Para muitos consumidores, a academia deixou de ser apenas um local para treinar e passou a integrar uma rotina que inclui recuperação, saúde mental e hábitos voltados à longevidade.

Empresas como a Equinox, nos Estados Unidos, a espanhola SHA Wellness Clinic e hotéis de luxo que ampliaram sua atuação para o universo do wellness, como o Fasano, mostram como o bem-estar passou a ocupar um papel central na experiência oferecida aos clientes.

Continua depois da publicidade

Em muitos casos, os wellness clubs incorporam características dos clubes privados e da hotelaria de luxo. Ambientes planejados para permanência, atendimento individualizado e espaços de convivência ajudam a transformar a ida à academia em uma experiência mais ampla de comunidade e estilo de vida.

Wellness clubs brasileiros

A tendência também avança no Brasil. Inspirados em modelos internacionais, novos empreendimentos vêm ampliando a oferta de experiências premium voltadas ao bem-estar integral. Como exemplos, temos a Six Sport Life, uma rede de academias de alto padrão criada em São Paulo que se expandiu para outras regiões do Brasil. Com uma das mensalidades mais caras do país, o espaço oferece diversas modalidades esportivas, além de um espaço luxuoso para recuperação e serviços terapêuticos.

A Unique Academia, localizada em Brasília, é outro exemplo de espaços wellness luxuosos que oferecem uma experiência exclusiva em saúde e bem-estar.  Em Florianópolis, a Joy Wellness Club é também um case de sucesso no setor. Com um amplo espaço que inclui atividades físicas guiadas por coaches, gastronomia e serviços terapêuticos de alto padrão, a Joy se tornou um ponto de encontro na região central da capital catarinense.

O crescimento desse segmento reflete uma mudança no comportamento dos consumidores, que passam a valorizar ambientes capazes de reunir saúde, lazer, recuperação e convivência em um único local.

Continua depois da publicidade

Segundo Marcelo Stefani, CEO da JOY Wellness Club, os empreendimentos mais bem-sucedidos do segmento deixaram de enxergar o exercício físico como seu principal produto.

– O propósito desses espaços é transformar o exercício físico, que muitas vezes as pessoas veem como uma obrigação, em algo prazeroso. As melhores referências do mundo conseguem criar experiências que fazem com que as pessoas queiram estar ali, independentemente do treino – afirma.

Social Clubs: a tendência que deu origem aos wellness clubs

Os social clubs vivem um novo ciclo de expansão no mercado de luxo mundial. Se antes eram associados apenas a espaços privados de convivência e networking, hoje se posicionam como ecossistemas de experiências, comunidade e estilo de vida. 

Clubes como a Soho House ajudaram a consolidar essa tendência ao criar ambientes que unem hospitalidade, cultura, gastronomia, eventos e networking em torno de uma comunidade selecionada de membros. 

Continua depois da publicidade

Nos últimos anos, o conceito evoluiu e abriu espaço para uma nova geração de clubes voltados ao bem-estar, acompanhando o avanço da chamada economia da longevidade — mercado que reúne produtos, serviços e experiências destinados a ampliar a qualidade de vida e o envelhecimento saudável.

Nesse contexto surgem os wellness clubs, que se inspiram na lógica dos social clubs, mas substituem o foco principal na socialização pelo cuidado integral com a saúde. Exemplos como o Remedy Place e o Kontrast Club combinam atividades físicas, terapias de recuperação, protocolos de performance, experiências de relaxamento, alimentação saudável e eventos voltados à construção de comunidade. 

Mais do que academias de alto padrão, esses espaços se tornam pontos de encontro para pessoas que compartilham o interesse por saúde, bem-estar e longevidade, transformando o autocuidado em uma experiência social.