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Política

WhatsApp admite, pela primeira vez, envio ilegal de mensagens em massa nas eleições de 2018 

Envio violou termos de uso da plataforma

08/10/2019 - 15h57 - Atualizada em: 08/10/2019 - 16h38

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Redação
Por Redação DC

*Patrícia Campos Mello

Pela primeira vez, o WhatsApp admitiu o envio em massa de mensagens, por meio de sistemas automatizados contratados de empresas, nas eleições de 2018 no Brasil. A informação foi divulgada nesta terça-feira (8) pelo jornal Folha de S.Paulo.

— Na eleição brasileira do ano passado houve a atuação de empresas fornecedoras de envios maciços de mensagens, que violaram nossos termos de uso para atingir um grande número de pessoas — disse o gerente de políticas públicas e eleições globais do WhatsApp Ben Supple, em palestra no Festival Gabo, segundo a Folha.

Ainda em outubro do ano passado, reportagem do jornal paulista relatava que empresas de marketing contrataram durante a campanha eleitoral o envio maciço de mensagens políticas. Segundo a Folha, eram usados de forma fraudulenta CPFs de idosos e, inclusive, contratando agências estrangeiras.

O uso de ferramentas de automatização, como os softwares de disparo em massa, é vedado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Conforme a Folha, disparos a favor e contra candidatos, sem que esses gastos fossem declarados à Justiça Eleitoral, foram contratados por empresários.

Ainda segundo a Folha de S.Paulo, o executivo do WhatsApp condenou os grupos públicos da plataforma acessados por meio de links que distribuem conteúdo político.

— Vemos esses grupos como tabloides sensacionalistas, onde as pessoas querem espalhar uma mensagem para uma plateia e normalmente divulgam conteúdo mais polêmico e problemático. Nossa visão é: não entre nesses grupos grandes, com gente que você não conhece: saia desses grupos e os denuncie.

Supple afirmou que o WhatsApp desencoraja "o uso dos grupos como listas de transmissão" de conteúdos.

— O WhatsApp foi criado para abrigar conversas orgânicas, entre famílias e amigos.

O executivo ainda afirmou que o caso "não viola [regras eleitorais] desde que se respeitem todos os termos de uso [que vedam automação e envio massivo]. Todos estão sujeitos aos mesmos critérios, não importa se quem usa é um candidato à Presidência ou um camponês do interior da Índia."

Supple reconhece que as eleições podem ser vencidas ou perdidas no WhatsApp. Por isso, a plataforma enviou equipes para acompanhar as eleições de Índia, Indonésia e Parlamento Europeu no primeiro semestre.

— Sempre soubemos que a eleição brasileira seria um desafio. Era uma eleição muito polarizada e as condições eram ideais para a disseminação de desinformação — disse Supple. — No Brasil, muita gente usa o WhatsApp como fonte primária de informação e não tem meios para verificar a veracidade do conteúdo.

O executivo ainda afirmou que apenas uma minoria comete irregularidades. O WhatsApp está adotando uma série de medidas para bloquear contas que violam as normas ao fazer envio automatizado ou maciço. Supple disse que, desde janeiro, quando o número de reencaminhamentos de uma mensagem foi limitado a cinco, o número total de reencaminhamentos caiu 25%. Além disso, 2 bilhões de contas são banidas por mês, segundo o executivo.

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