A ideia parece estranha, mas o “novo whey” pode estar mais perto do que a gente imagina. A farinha de grilo, rica em proteína e cheia de benefícios nutricionais, já chama atenção no mundo todo, mas ainda esbarra em regras e no preconceito para ganhar espaço no prato dos brasileiros.

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Se já deu nervoso só de imaginar comer inseto, calma que não é assim. A ideia é transformar o grilo em farinha, formando um pó proteico que pode ser usado em shakes, barras e até receitas do dia a dia, sem aquele aspecto esquisito.

De acordo com a engenheira de alimentos e professora da ESALQ/USP Camila Paglarini, em entrevista ao g1, a farinha feita à base de grilo contém todos os aminoácidos essenciais, aqueles que o corpo humano não produz e precisam ser obtidos pela alimentação.

Os grilos têm alto valor nutricional com proteínas de boa qualidade. Em alguns casos, eles chegam a ter níveis bem relevantes de proteína e ainda com menos gordura e impacto ambiental do que carnes tradicionais.

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Guilherme Tavares e outros pesquisadores da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Unicamp desenvolveram um ingrediente funcional de alto valor agregado a partir do Gryllus assimilis. — Foto: Igor Alisson - Inova Unicamp
Guilherme Tavares é um dos pesquisadores da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Unicamp que desenvolveu o ingrediente a partir do Gryllus assimilis. (Foto: Igor Alisson, Inova Unicamp)

Principais barreiras no Brasil

Então por que isso ainda não bombou no Brasil? A resposta é um combo de fatores. O principal deles é a falta de regulamentação. Hoje, não existem normas claras da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o consumo de insetos por humanos, o que trava a venda em larga escala.

O outro ponto é cultural, apesar de mais de 2 bilhões de pessoas no mundo consumirem insetos, por aqui a ideia ainda causa estranhamento. Muita gente associa o consumo a algo nojento, o que dificulta a aceitação, mesmo com todos os benefícios.

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O processo começa com a transformação do grilo (especialmente da espécie Gryllus assimilis, adaptada ao clima brasileiro) em farinha.

Por isso, a estratégia é disfarçar o ingrediente, transformando o grilo em farinha. Sem asas, sem pernas, sem cara de inseto, só proteína.

O grilo pode até ter potencial para virar o próximo queridinho fitness, mas antes vai precisar vencer a burocracia e a aceitação do consumidor brasileiro.

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