Às vésperas da campanha: o que explica demora de Flávio Bolsonaro e Zema para definir nomes de vices

Especialistas apontam problemas na articulação e escândalos na pré-campanha como fatores que atrasaram definição, mas aliança entre ambos não é descartada

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Flávio Bolsonaro e Romeu Zema

Flávio Bolsonaro e Romeu Zema ainda não definiram nome dos vices às vésperas do fim do prazo de convenções (Fotos: Roque de Sá, Agência Senado / Marcello Casal Jr., Agência Brasil)

Na véspera do fim do prazo para as convenções dos partidos e a apenas 12 dias do início da campanha eleitoral, ao menos duas das principais candidaturas a presidente da República ainda não têm o nome do vice definido. As chapas de Flávio Bolsonaro (PL) e de Romeu Zema (Novo) já foram confirmadas em convenção, mas ainda têm as vagas de vice em aberto à espera de uma definição.

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A demora na confirmação dos vices tem motivações diferentes entre as duas candidaturas, mas também é resultado de um contexto político em comum. No caso de Flávio Bolsonaro, o candidato tentou uma investida sobre a senadora Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura do governo Bolsonaro. Ela já foi definida como “sonho de consumo” para a vaga por Flávio, mas a ideia esbarrou no veto do PP, partido que vem se distanciando e sinalizando neutralidade na disputa presidencial nas últimas semanas.

Sem Tereza Cristina, as opções de Flávio passam a ser a ex-presidente da Caixa, Daniella Marques (Republicanos-SP), a deputada federal Simone Marquetto (PP-SP) ou até mesmo a deputada federal catarinense Júlia Zanatta (PL-SC).

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Já Romeu Zema ainda não tornou público um alvo preferido para a vaga de vice. Nos últimos meses, ele chegou a sinalizar nomes como Michelle Bolsonaro (PL-DF), que prontamente rejeitou a ideia mesmo após a crise dela com o enteado Flávio, e também o ex-ministro Joaquim Barbosa (DC), que desistiu de concorrer à Presidência no início do mês. Na semana passada, teve conversas com o pré-candidato Augusto Cury (Avante).

No entanto, até o momento não há sinais sobre quem pode ser o escolhido e nem mesmo de quando o Novo pretende bater o martelo sobre o vice de Zema. O prazo máximo é 15 de agosto, data-limite para os pedidos de registro das chapas na Justiça Eleitoral.

Entre os candidatos ao governo de Santa Catarina, entre os sete que confirmaram candidatura em convenções até o momento, somente Ralf Zimmer (PRD) ainda não definiu o nome do vice na chapa.

Articulação falha e escândalos explicam demora por vice

O doutor em Ciência Política e professor da faculdade Ielusc, de Joinville, João Kamradt, avalia que as dificuldades na escolha do vice de Flávio Bolsonaro envolvem ao menos quatro fatores. O primeiro deles seria uma articulação falha dele e do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.

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Muito dessa articulação falha, na leitura dele, decorre dos escândalos que cercaram a pré-campanha de Flávio e agravaram uma vulnerabilidade da campanha do filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro. É o caso do áudio em que Flávio pede dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para o filme Dark Horse, ou do vídeo de Michelle Bolsonaro em que a madrasta afirma ter sido maltratada por ele ao telefone.

Para o especialista, esses episódios distanciaram legendas próximas ao PL e dificultaram ainda mais a articulação.

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“Os escândalos afastaram dirigentes do Centrão que antes topariam esse apoio discreto, isso acabou afastando esses partidos”pontua.

Articulações nos estados

Os outros dois fatores, segundo o cientista político, são mais específicos: as alianças nos estados do PP e do União Brasil, que vêm preferindo não se vincular a uma candidatura específica a presidente, e também a articulação política do governo Lula, que contribui para buscar a neutralidade da federação de União e PP.

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“A vulnerabilidade de origem da candidatura de Flávio explica boa parte da dificuldade, mas a paralisia para a escolha do vice também tem uma camada de barganha estadual e de movimento do adversário, algo que merece uma pauta à parte, sobre como o candidato joga seu próprio jogo” analisa.

No caso de Romeu Zema, a dificuldade na definição do vice é decorrente mais de uma característica do próprio partido Novo.

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“Zema é o oposto disso. Está sem escândalo. O problema é o Novo, que é avesso a esse tipo de negociação ampla, e isso cobra preço na hora de montar uma chapa competitiva” pontua.

Possível aliança não é descartada

O professor de Administração Pública e pesquisador de Cultura Política da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), Daniel Pinheiro, lembra que por muito tempo se alimentou uma expectativa de que PL e Novo pudessem estar juntos na eleição presidencial, repetindo uma aliança construída em SC, em que as legendas terão a dobradinha Jorginho Mello (PL) e Adriano Silva (Novo).

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Na avaliação dele, a demora na definição do vice de ambos pode se dever ao fato de ainda estar havendo negociações de última hora para unir os candidatos.

Em contrapartida, em um cenário que a aliança de Flávio e Zema no primeiro turno já esteja descartada, outro fator para explicar a demora na definição dos vices seria a busca por um perfil que ampliasse o potencial de voto da chapa.

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“Se isso estiver resolvido [não haver aliança entre Flávio e Zema], a demora é para achar nomes que equilibrem ou deem essa base mais voltada ao eleitor de centro, alguém com quem todo mundo se sente confortável, que todo mundo vá” aponta.

Ele destaca que o vice em geral é pensado como alguém para ocupar um espaço que o candidato principal não alcança, e que os nomes apresentados até agora são em geral desconhecidos da maior parte do eleitorado. A expectativa, com isso, é de uma definição de última hora.