O deputado federal André Janones (Rede-MG) mobilizou os mais de cinco milhões de seguidores do canal “Exército do Lula”, no WhatsApp, a impulsionar pesquisas sobre casos relacionados ao candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) no último domingo (18). Um dos casos, sobre a morte da menina de 5 anos Ana Clara Gomes Machado, ultrapassou 100 mil pesquisas, segundo a Gazeta do Povo.
O caso se refere a morte Ana Clara Gomes Machado, de cinco anos, que foi morta por disparos de fuzil em fevereiro de 2021, em Niterói, no Rio de Janeiro, enquanto brincava na porta de casa com o irmão. O policial militar foi acusado pelo Ministério Público de atirar.
O senador e candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) atuou como advogado de graça no caso, segundo informações divulgadas pelo UOL. Na época, Flávio Bolsonaro (PL) integrou a defesa do policial e assinou um recurso ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) contra a decisão de levá-lo a júri popular.
Senador advogou de graça
Segundo informações obtidas pelo UOL, não há nenhuma nota fiscal em nome do policial ou de outras bancas de advogados entre as notas fiscais do escritório de Flávio. Ao todo, foram quase R$ 14 milhões faturados desde 2023.
Além disso, também não há registros de nota fiscal em nome do escritório que representa o policial. Segundo nota enviada à Folha de S.Paulo por um dos defensores do policial, o advogado Paulo Klein, o senador atuou no caso a convite dele, por meio do Instituto Família Policial.
De acordo com o UOL, o trabalho feito pelo instituto neste e em outros casos é no modelo pro bono, quando não há cobrança de honorários pela atuação jurídica.
O instituto foi criado, segundo o advogado, para “que policiais e suas famílias que vivem em um estado narcoterrorista possam ter o mínimo de dignidade em suas defesas e foi com isso que o senador se identificou com sua longa história de defesa dos agentes da lei que colocam suas vidas em risco para o bem da sociedade”.
O NSC Total procurou a assessoria do candidato à Presidência, mas não obteve retorno até o momento. O espaço segue aberto.
O que diz a defesa do policial
A defesa do policial afirmou na nota à Folha de S.Paulo que “no caso concreto, este policial assim como seus colegas foram recebidos a tiros de fuzil dentro de uma comunidade e ao reagirem para se proteger e proteger a comunidade, uma criança ficou na linha de tiros e veio a óbito. Justamente por isso a defesa adotou todos os meios legais para que este caso fosse enviado a Justiça Militar para processamento e julgamento e não ao tribunal do júri”.
O advogado afirmou ter convidado Flávio para integrar a defesa quando o caso chegou ao Superior Tribunal de Justiça (STF).
“Julgado o caso, o STJ entendeu que não tínhamos razão e determinou que o caso fosse a júri popular que está marcado para o início do próximo ano. Portanto, a atuação do senador Flávio bem como do meu escritório se deu dentro da mais absoluta transparência, ética e profissionalismo, que a propósito, sempre pautaram a nossa atuação”, afirma a nota.
A defesa ainda afirma que o policial é inocente e que “os atos praticados por sua defesa com o apoio do senador Flávio Bolsonaro estão em perfeita consonância com o exercício da advocacia”.
Buscas pelo caso aumentam nas redes sociais
Segundo o UOL, os termos “flavio bolsonaro caso ana clara” registraram mais de um milhão de pesquisas no Google, e “flavio ana clara” ultrapassou 200 mil, durante um dos debates do candidato no último domingo (18).
Outros termos relacionados ao candidato, como “Bolsonaro Talvane Albuquerque”, também ganharam repercussão nas redes sociais entre a noite da quinta-feira (22) e a manhã desta sexta-feira (23), após o deputado André Janones (Rede-MG) recomendar que apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pesquisassem a relação entre o ex-presidente Jair Bolsonaro e o ex-deputado federal Talvane Albuquerque.
Em mensagem direcionada aos integrantes do canal Exército do Lula, Janones sugeriu na quinta-feira que os participantes procurassem no Google a expressão “Bolsonaro Talvane Albuquerque”. A recomendação viralizou e levou o nome dos dois políticos aos assuntos mais comentados do X.
