Bolsonaro nega ter autorizado uso de imagem em vídeo com IA exibido por Flávio na convenção do PL

Defesa do ex-presidente argumentou que ele está impedido de receber visita do filho, o que impediria contato para pedir autorização para uso em vídeo

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Vídeo feito por IA foi exibido em convenção do PL que lançou candidatura de Flávio Bolsonaro

Vídeo feito por IA foi exibido em convenção do PL que lançou candidatura de Flávio Bolsonaro (Foto: YouTube, Reprodução)

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) negou que ele tenha autorizado o uso da sua imagem no vídeo feito com inteligência artificial (IA) divulgado na convenção que lançou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. Bolsonaro havia sido notificado a se manifestar sobre as imagens em até 48 horas, em decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) publicada na terça-feira (28).

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Na manifestação enviada a Moraes, a defesa de Bolsonaro pontua que o ex-presidente sequer poderia ter dado essa autorização por estar impedido de conversar com o filho Flávio por decisão do STF. A restrição foi imposta por Moraes por 90 dias após o senador exibir uma carta escrita por Bolsonaro em uma transmissão nas redes sociais, sendo que o ex-presidente está proibido de utilizar as redes, direta ou indiretamente.

As informações sobre a petição apresentada pela defesa de Bolsonaro foram publicadas pelo jornal O Globo. A manifestação nega que Bolsonaro tenha autorizado o uso de sua imagem e voz para o vídeo de IA e relembra que Flávio está proibido de visitá-lo por 90 dias, o que segundo os advogados impediria qualquer contato para obter essa possível autorização.

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Apesar disso, a defesa de Bolsonaro alega que os filhos dele sempre utilizaram sua imagem pública em atividades político-partidárias, com uso de fotos, gravações, discursos, entrevistas e outras manifestações públicas do ex-presidente. Essa prática, conforme os advogados, teria ocorrido de forma contínua e “sem qualquer oposição” de Bolsonaro. A conduta seria originada da relação de confiança entre Bolsonaro e Flávio.

Moraes deu prazo de 48 horas para ex-presidente

O questionamento sobre o vídeo com supostas imagens de Bolsonaro declarando voto em Flávio foi feito na ação de execução penal em que Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. Atualmente, ele está preso em regime domiciliar humanitário.

Na decisão que pedia a manifestação de Bolsonaro, Moraes alegava que caso tivesse dado autorização para o vídeo feito por IA, Bolsonaro teria infringido novamente uma restrição do seu atual regime de cumprimento de pena, o que poderia até mesmo fazê-lo voltar para o regime fechado. No entanto, caso o vídeo tivesse sido feito sem o aval de Bolsonaro, a peça poderia ser configurada como “deep fake”, formato no qual os criadores montam conteúdos para fazer pessoas aparecerem falando ou fazendo coisas que nunca fizeram. A prática é proibida pela legislação eleitoral e pode resultar em responsabilização de Flávio Bolsonaro e do PL na Justiça Eleitoral.