O termo “Bolsonaro Talvane Albuquerque” ganhou repercussão nas redes sociais entre a noite da quinta-feira (22) e a manhã desta sexta-feira (23), após o deputado André Janones (Rede-MG) recomendar que apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pesquisassem a relação entre o ex-presidente Jair Bolsonaro e o ex-deputado federal Talvane Albuquerque.
A iniciativa levou o assunto aos trending topics do X e recuperou um episódio da Câmara dos Deputados em 1999, quando Bolsonaro se posicionou contra a cassação do mandato do parlamentar acusado de encomendar o assassinato de uma colega.
A repercussão remete à Chacina da Gruta, crime ocorrido em dezembro de 1998, em Maceió, que vitimou a deputada federal Ceci Cunha (PSDB-AL), seu marido e outros dois familiares. Anos depois, Talvane foi condenado como mandante dos quatro homicídios.
Entenda a busca por “Bolsonaro Talvane Albuquerque” nas redes
Em mensagem direcionada aos integrantes do canal Exército do Lula, André Janones sugeriu na quinta-feira que os participantes procurassem no Google a expressão “Bolsonaro Talvane Albuquerque”. A recomendação viralizou e levou o nome dos dois políticos aos assuntos mais comentados do X.
A pesquisa recupera o posicionamento adotado por Bolsonaro em abril de 1999, quando ele ocupava uma cadeira na Câmara pelo então Partido Progressista Brasileiro (PPB), representando o Rio de Janeiro. Na ocasião, o parlamentar discursou contra a cassação de Talvane, que era investigado pela morte de Ceci Cunha e de seus familiares.
A discussão parlamentar ocorreu antes da condenação criminal de Talvane. O debate sobre a perda do mandato envolvia a possibilidade de quebra de decoro parlamentar, em razão de contatos mantidos pelo então deputado com um homem investigado por participação no crime.
Assassinato de Ceci Cunha
Segundo os autos do processo, em 16 de dezembro de 1998, Ceci Cunha foi morta a tiros em Maceió, capital de Alagoas. Também morreram no ataque Juvenal Cunha, marido da deputada, e os familiares Iran Carlos Maranhão e Ítala Maranhão.
O crime aconteceu poucas horas depois de Ceci receber o diploma eleitoral referente à sua reeleição. O episódio ficou conhecido como Chacina da Gruta, nome associado ao bairro de Maceió onde os assassinatos ocorreram.
Talvane Albuquerque era o primeiro suplente da coligação pela qual Ceci havia sido eleita. Ele não conseguiu se eleger diretamente, mas acabou assumindo a vaga da deputada após sua morte.
As investigações apontaram Talvane como responsável por encomendar o assassinato, com o objetivo de ocupar a cadeira deixada pela parlamentar. A apuração identificou a contratação de executores para matar a titular do mandato.
Como terminou o processo criminal?
Em janeiro de 2012, o Tribunal do Júri da Justiça Federal em Alagoas condenou Talvane a 103 anos e quatro meses de prisão pelos quatro homicídios. Outros quatro réus também receberam penas de prisão por envolvimento na chacina.
Em 2021, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) revisou o cálculo da pena e reduziu a condenação para 92 anos, nove meses e 27 dias. A mudança não anulou a condenação pelos assassinatos.
Jair Bolsonaro se posicionou contra a cassação de Talvane Albuquerque
Em 7 de abril de 1999, a Câmara dos Deputados analisou a perda do mandato de Talvane. Bolsonaro, então deputado federal pelo PPB do Rio de Janeiro, discursou contra a cassação e argumentou que o Legislativo poderia cometer uma injustiça caso o investigado fosse posteriormente inocentado.
Durante a manifestação, Bolsonaro afirmou: “amanhã qualquer um de nós pode estar no lugar dele”.
O processo parlamentar não julgava diretamente a responsabilidade criminal de Talvane pelos assassinatos. A análise se concentrava na possível quebra de decoro, relacionada aos contatos que ele teria mantido com Maurício Guedes Novais, conhecido como Chapéu de Couro, investigado por envolvimento no crime.
Ao questionar se esse tipo de relação justificaria a perda do mandato, Bolsonaro perguntou aos demais parlamentares: “Mas quem aqui nunca teve contato ou conversou com um marginal?”



