O pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL) chega à convenção em que terá a candidatura lançada sem um nome de vice definido. Envolto em polêmica na pré-campanha há mais de dois meses, com a divulgação de um áudio em que pedia dinheiro para o filme Dark Horse ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e com um vídeo da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro acusando-o de tê-la maltratado em um telefonema, Flávio viu partidos do Centrão se distanciarem.
Nesta semana, o PP e o União Brasil sinalizaram que devem indicar neutralidade no primeiro turno da corrida presidencial. As legendas eram apoios considerados importantes para Flávio. Agora, o pré-candidato tenta selar o acordo com o Republicanos.
Junto com o distanciamento de partidos do Centrão afastaram-se também nomes cogitados pela equipe de Flávio para ocupar o posto de candidata a vice-presidente na chapa bolsonarista. Um dos nomes favoritos, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) já rejeitou um convite no início desta semana, em reunião com o dirigente do PL, Valdemar Costa Neto. O afastamento do PP diminuiu também a chance de a vaga ficar com a deputada federal Simone Torquatto (PP-SP), outro nome já citado por Flávio.
Veja fotos dos pré-candidatos a presidente nas Eleições 2026
O pré-candidato do PL nunca escondeu que prefere uma mulher para ser sua companheira de chapa. Ele confirmou o desejo em entrevista ao podcast Café nas Eleições, do NSC Total, no início de maio.
— Eu gosto do perfil de mulher [como vice], mas não apenas por ser mulher. Que agregue ainda mais competência, ainda mais seriedade, ainda mais experiência para esse projeto de resgate do Brasil — disse Flávio, à época.
Nos dias que antecedem a convenção do PL, alguns nomes seguiam como as mais cotadas para ser vice de Flávio nas Eleições 2026. Confira abaixo:
Daniella Marques (Republicanos)

A ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Daniella Marques (Republicanos) é considerada uma das favoritas a ser indicada a vice. Considerada “braço-direito” do ex-ministro da Economia, Paulo Guedes, pelo tempo em que atuou como sua assessora, Daniella aderiu à pré-campanha de Flávio nas últimas semanas e apareceu em uma transmissão on-line do bolsonarista.
Daniella é formada em Administração pela PUC-Rio, tem MBA em Finanças e construiu carreira no setor financeiro. O apoio da chamada “Faria Lima”, expressão usada para resumir o mercado financeiro, é considerado um diferencial. Ela deve ajudar a campanha de Flávio na definição da proposta econômica e do plano de governo, o que a faz também ser apontada como possível nome para eventual equipe econômica em caso de vitória do PL.
Priscila Costa (PL)

Vereadora de Fortaleza (CE), Priscila Costa foi a pivô do polêmico vídeo em que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro critica o enteado Flávio e o acusa de tê-la maltratado em um telefonema. Na gravação, Michelle reclama de não ter voz ativa na definição de candidaturas femininas do partido para as eleições deste ano. O principal exemplo citado por ela é o Ceará. Naquele estado, o PL local teria decidido apoiar a candidatura do ex-adversário Ciro Gomes (PSDB) a governador para tentar vencer a candidatura petista, em um arranjo que fechava as portas para a aliada Priscila Costa ser candidata ao Senado.
O vídeo de Michelle provocou uma crise de semanas na pré-campanha de Flávio e resultou em ataques a Michelle e a Priscila por meio do eleitorado mais fiel aos filhos de Jair Bolsonaro. Nesta semana, porém, Priscila Costa desistiu de tentar concorrer ao Senado e lançou uma pré-candidatura a deputada federal. A mudança de planos gerou especulações sobre uma possibilidade de que Priscila seja, na verdade, convidada a ser vice de Flávio, em um arranjo que reaproximasse Flávio e Michelle Bolsonaro. Nesta semana, os dois trocaram vídeos de pedido de desculpas, em um sinal de reconciliação às vésperas da convenção que deve lançar a candidatura de Flávio.
Júlia Zanatta (PL)

Neste cenário de superação de crises e de indefinição na escolha da vice, quem também correria por fora com chances de ser convidada ao posto é a deputada federal catarinense Júlia Zanatta (PL). Embora seja de um estado em que Flávio já tem eleitorado consolidado, a parlamentar é citada como possível nome que atenderia ao perfil desejado pelo senador para compor a chapa.
Ao seu lado, ela teria figuras como o irmão de Flávio, Carlos Bolsonaro (PL), pré-candidato a senador por Santa Catarina e que estaria tentando aumentar a identificação da família Bolsonaro com o Estado. Também é vista com potencial de ampliar a popularidade de Flávio junto ao eleitorado feminino, embora também tenha identificação com a militância mais conservadora do bolsonarismo.
Há cerca de um mês, quando teve o nome cogitado pela primeira vez para o cargo em um vídeo do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), Zanatta afirmou estar “sempre pronta para o combate”, sinalizando empolgação com a ideia. Por enquanto, ela é pré-candidata à reeleição como deputada federal.













