Brasil influenciou em derrota de Trump nas eleições dos EUA? Americanos agradecem brasileiros após vitória democrata

Publicações nas redes sociais relacionaram vitória da esquerda no Brasil com avanço dos democratas no parlamento norte-americano

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Trump e Lula

Derrota dos republicanos, sob liderança de Trump, tem explicações domésticas, mas também foi associada a movimento registrado na vitória de Lula no Brasil (Fotos: Facebook, Reprodução / Ricardo Stucker, PR)

A vitória do Partido Democrata nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, as chamadas midterms, com formação de maioria no Congresso, rendeu uma série de publicações e comentários nas redes sociais relacionando o resultado com o triunfo de Lula nas eleições no Brasil, no mês passado.

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Mensagens de agradecimento como “obrigado, Brasil” e “vocês nos inspiraram” foram divulgadas em redes sociais como o X após a vitória democrata sobre o Partido Republicano, de Donald Trump.

O ativista político e criador de conteúdo aliado aos democratas Isaiah Martin fez uma postagem agradecendo ao Brasil por “mostrar o caminho” e utilizou a expressão “explode”, famoso jargão usado pelo deputado federal reeleito André Janones (Rede-MG) no canal de WhatsApp “Exército do Lula”.

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O grupo foi usado para engajamento digital da campanha de Lula no 2º turno e apontado como uma das razões para a virada surpreendente do petista sobre o candidato Flávio Bolsonaro (PL). Montagens nas redes sociais mostrando as estátuas da Liberdade e do Cristo Redentor “fazendo o L” também foram publicadas em forma de brincadeira por usuários nas redes sociais.

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Talarico e “PT”

Outra relação feita nas redes foi com o senador eleito James Talarico, do Partido Democrata, eleito no Texas e quebrando uma escrita de 38 anos de parlamentares republicanos eleitos no estado que é reduto do partido de Trump. Nesta quarta-feira (4), após a confirmação da vitória dele, usuários publicaram que Talarico faz parte de um grupo batizado de “Progress Texas”, cujo símbolo é uma estrela e a sigla, “PT”. Texas também é o estado em que Eduardo Bolsonaro (PL) foi morar após deixar o Brasil, em março do ano passado.

O diplomata Mohamad Safa também incluiu o resultado da eleição no Brasil na linha de acontecimentos que envolveu a disputa norte-americana. “Aconteceu na Sérvia. Aconteceu no Brasil. Acabou de acontecer nos EUA. E vai acontecer em breve na UE. As pessoas estão enviando uma mensagem clara — elas querem políticos que unem as pessoas em vez de dividi-las, e que gastam seu dinheiro atendendo às suas necessidades em vez de financiar guerras e bilionários”, escreveu, em uma publicação também no X.

Favoritismo prévio dos democratas

A possibilidade de vitória do Partido Democrata já era especulada nas últimas semanas. Em grande parte, o movimento pode se explicar por questões domésticas norte-americanas. O principal motivo era a queda na popularidade do republicano Donald Trump. Pesquisa da Reuters/Ipsos divulgada na semana apontou que 66% dos americanos reprovam a gestão do bilionário. O aumento do custo de vida nos EUA, com disparada de preços como da gasolina, agravada pelo conflito no Irã, e justamente a rejeição à política externa baseada em conflitos com outros países seriam algumas das principais causa da derrota dos republicanos na eleição ao Congresso.

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Relação com virada surpreendente de Lula

No entanto, o tamanho do triunfo democrata surpreendeu, com o partido adversário de Trump conquistando a maioria das cadeiras tanto no Senado quanto na Câmara dos Representantes. A onda democrata, então, passou a ser associada à mobilização que levou à vitória de Lula no Brasil. O movimento, apontado como inspiração também para manifestações por melhorias nos serviços públicos registradas nos últimos dias na Europa, e também a decisão do governo Trump de receber a família de Flávio Bolsonaro, privilegiando-o com visto de permanência no país, teriam sido fatores que aumentaram a rejeição a Trump e alavancado a preferência dos eleitores americanos por candidatos democratas.

A mobilização “à la Janones” também passou a ser explorada em outros países que vivem contexto eleitoral. Na Espanha, o grupo do primeiro-ministro Pedro Sanchez criou um grupo chamado de “Exército do Sanchez”, em que são enviadas mensagens para mobilizar eleitores a dominar as redes sociais, tal qual o deputado mineiro fez na campanha de Lula. O “L” de Lula também passou a ser feito em manifestações da esquerda em países como Espanha e França.

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Janones também esteve esta semana na Argentina e discutiu o tema com Sergio Massa, candidato a presidente do país vizinho derrotado por Javier Milei na última eleição do país. No país, um canal de WhatsApp chamado de “Ejército del Peronismo” foi criado inspirado na iniciativa de Janones para estimular o grupo político da esquerda no país.

Com ou sem influência do resultado eleitoral Brasileiro, a vitória democrata pode ter reflexos no Brasil em temas como as negociações sobre o tarifaço, as relações internacionais entre os dois países, a política econômica e até mesmo na postura do governo americano com membros da família Bolsonaro que foram para a terra de Trump.