Os candidatos de Santa Catarina nas Eleições 2026 incluíram armas entre os bens declarados à Justiça Eleitoral. A lista de itens informados pelos postulantes no pedido de registro de candidatura inclui fuzil, pistola e uma coleção de armas.
No total, somente dois dos 692 candidatos de SC informaram à Justiça Eleitoral a posse de armas como patrimônio. O candidato ao Senado Jeferson da Rocha, do PRD, incluiu dois armamentos na sua declaração de bens.
O primeiro foi um Fuzil 556, da marca Taurus, avaliado em R$ 11 mil. O candidato também informou a posse de uma pistola da marca Glock, com valor estimado de R$ 3,8 mil.
Quem também informou a posse de armas à Justiça Eleitoral foi o coronel Jefferson Schmidt, ex-comandante da Polícia Militar de Blumenau, que concorre a deputado estadual pelo PSDB. O militar relacionou entre os bens uma coleção de armas de fogo, com valor estimado de R$ 45 mil. Ele acrescentou uma observação de que possui o registro de Colecionador, Atirador e Caçador, o chamado CAC.
Arma destinada à caça de javalis
Procurado pela reportagem, o candidato Jeferson da Rocha (PRD) afirmou que as armas foram declaradas à Justiça Eleitoral em respeito à transparência exigida dos candidatos e que são usadas por ele em atividades de tiro esportivo e caça.
Segundo Jeferson, a pistola Glock é usada para a prática de tiro esportivo, enquanto o fuzil é destinado principalmente a manejo e controle de javalis. O animal, considerado espécie exótica invasora, é apontado como causa de prejuízos ao meio rural de SC nos últimos anos e já motivou inclusive projetos de lei na Assembleia Legislativa (Alesc) na tentativa de controle. O manejo autorizado exige equipamento e calibre adequados, em razão da carapaça, uma espécie de escudo que os machos possuem na parte frontal do corpo.
“Portanto, não se trata de bens adquiridos por ostentação ou qualquer finalidade semelhante. São equipamentos relacionados às atividades que exerço e, no caso do fuzil, também ao controle de uma espécie invasora que representa um problema concreto para produtores rurais da nossa região”, detalhou o candidato a senador.
Já o candidato a deputado estadual Jefferson Schmidt (PSDB) informou que quando estava na ativa a coleção de armas informada estava registrada em acervo gerenciado pela PM, mas que ao passar para a reserva foi transferida para seu acervo de CAC. Ele disse que a declaração à Justiça Eleitoral foi feita exatamente como no seu Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF) do ano passado.
“São armas antigas sem uso e que não se encontram à venda no mercado, por isto os valores são estimados, não acompanham o mercado, até porque não estão à venda. Eu as coleciono, são revólveres antigos e uma espingarda. Embora funcionem não faço uso (para tiro esportivo ou caça), e sim as tenho como objeto de coleção. Quanto a procedência delas, é de origem familiar”, respondeu o candidato a deputado.
Quem são os candidatos ao Senado por SC
Candidatos de outros estados
Os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) também mostram candidatos de outros estados que incluíram armas entre os bens declarados à Justiça Eleitoral. Além do candidato a senador por SC, outros três postulantes do país informaram posse de fuzis.
O candidato a deputado estadual pelo Rio de Janeiro Alexandre Knoploch, do PL, incluiu na declaração de bens um fuzil Taurus T4, com valor de R$ 13 mil, e um fuzil carabina Taurus 40S W, de preço estimado de R$ 9,8 mil.
Por fim, o candidato à reeleição como deputado distrital do Distrito Federal, Joaquim Roriz Neto, do PL, também informou a posse de um fuzil da marca Taurus, de R$ 15 mil.
Já armamentos mais abrangentes, como pistolas e revólveres, são listados por pelo menos outros 15 candidatos de todo o país.













