Como será o protocolo “Não é Não”, que combate violência contra a mulher em bares e shows

Proposta prevê combate ao constrangimento e à violência contra a mulher em eventos

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Protocolo "Não é Não" foi aprovado esta semana pela Câmara

Protocolo "Não é Não" foi aprovado esta semana pela Câmara (Foto: Canva)

A Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei que cria o protocolo “Não é Não” para atender vítimas de assédio em locais como casas noturnas, boates, espetáculos musicais em locais fechados e shows com venda de bebida alcoólica. As regras valerão também para estádios e eventos esportivos.

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O texto havia sido aprovado pelos deputados em agosto, mas passou por modificações no Senado e retornou à Câmara. Na quarta-feira (6), os parlamentares rejeitaram as mudanças feitas pelos senadores e aprovaram a proposta original aceita em agosto.

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As votações na Câmara foram simbólicas, quando não é possível apontar o total de votos ou como votou cada deputado. Agora, o texto segue para a sanção do presidente Lula. Após essa etapa, o protocolo tem 180 dias para entrar em vigor.

O que está previsto na proposta

A proposta prevê o combate a dois tipos de agressões a mulheres: o constrangimento, quando há insistência física ou verbal mesmo depois de a mulher rejeitar qualquer abordagem, e a violência, que consiste no uso da força com consequências como lesão, dano psicológico ou morte.

O texto cria algumas regras como a disponibilidade de ao menos um funcionário do local qualificado para atender ao protocolo. Os estabelecimentos devem adotar medidas como afastar imediatamente a vítima do agressor, até mesmo do alcance visual dele, isolar o local em que haja vestígios da violência até a chegada da polícia, identificar possíveis testemunhas e preservar as imagens das câmeras de segurança por no mínimo 30 dias. Os empreendimentos também devem permitir que a mulher seja acompanhada de pessoa de sua escolha e permaneça em companhia até embarcar no transporte para deixar o local.

Também é preciso fixar em locais visíveis os telefones da polícia, da Central de Atendimento à Mulher (180) e orientações sobre como agir para pedir ajudar. Os locais também podem definir códigos próprios para pedidos de socorro. Em muitos bares, essas mensagens são fixadas nos banheiros femininos.

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Regras específicas também podem ser definidas pelos locais, como a expulsão do agressor. Os envolvidos também devem sofrer penalidades previstas em lei, mas o projeto aprovado esta semana não deixa claro quais devem ser as sanções.

As regras não valerão para cultos e eventos religiosos. Apesar disso, estabelecimentos que não têm obrigação pela lei de adotar o protocolo também podem fazê-lo. Um selo será distribuído identificando o local como seguro para mulheres.

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A proposta foi apresentada pela deputada Maria do Rosário (PT/RS) e tem autoria de outros 26 parlamentares. O texto foi aprovado em definitivo na Câmara junto de outras 14 propostas da bancada feminina com foco em combate e prevenção contra a violência à mulher.

O protocolo passou a ser discutido após a prisão do jogador brasileiro Daniel Alves em Barcelona, na Espanha, por acusação de estuprar uma jovem em uma casa noturna. Na cidade catalã já existe um padrão de procedimentos a serem adotados que ajudaram no atendimento à vítima e identificação do atleta como suspeito do crime. O protocolo chamado de “No Callem” foi inspiração para o projeto que cria o “Não é Não” no Brasil.

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