Conselho de Ética vai analisar deputada que fez blackface em discurso contra Erika Hilton

Fabiana Bolsonaro (PL) afirmou que mulheres trans não são mulheres em discurso feito na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp)

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Quem é a deputada estadual acusada de fazer blackface em discurso contra Erika Hilton

PSOL pediu para MPSP investigar caso (Foto: Reprodução)

A deputada estadual Fabiana Bolsonaro (PL) foi acionada no Conselho de Ética da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) por fazer blackface em plenário durante discurso contra a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP). A prática, que consiste no uso de maquiagem por pessoas brancas com o intuito de caricaturizar pessoas negras, é considerada racista.

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Fabiana foi eleita em 2022 e não tem parentesco com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), apesar do sobrenome. Segundo a pesquisa de legislação da Alesp, o único projeto de sua autoria que virou lei é uma proposta que institui o “Dia da Família Cristã”. Ela também aprovou projetos que expandem a lista de municípios de interesse turístico, assinado por dezenas de deputados, e uma PEC que permitiu a reeleição de André do Prado (PL).

Nas redes sociais, a parlamentar se posiciona como política conservadora. Ela é filha do pastor evangélico Adisol Barroso, fundador e presidente nacional do Partido Renovação Democrática (PRD). O primeiro cargo político exercido por ela foi de vice-prefeita de Barrinha, no interior de São Paulo, entre 2021 e 2023.

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Na Alesp, a parlamentar faz parte de três comissões permanentes da Casa: a Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência, a Comissão de Defesa e dos Direitos das Mulheres e a Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação e Informação.

Entenda o caso

A deputada estaudal fez um discurso para criticar a escolha da deputada federal Erika Hilton como presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados. Durante a fala, ela afirmou que mulheres trans não são mulheres, e tentou fazer uma comparação dizendo que, ao se pintar, de preto, também não viraria uma pessoa negra.

— Eu sendo uma pessoa branca, vivendo tudo o que vivi como uma pessoa branca, agora aos 32 anos decido me maquiar, me travestir como uma pessoa negra. E aqui eu pergunto: e agora? Eu virei negra? Eu senti o desprezo da sociedade por uma pessoa negra, que jamais deveria existir? Eu te pergunto, eu me pinando de negra sinto na pele a dor que uma pessoa negra sentiu pelo racismo? — falou.

O PSOL afirmou que fará uma representação na Comissão de Ética da Alesp por quebra de decoro, e também pedirá a abertura de uma investigação no Ministério Público de São Paulo (MP-SP) por racismo e transfobia.

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“A liberdade de manifestação parlamentar não autoriza a utilização do espaço institucional da Assembleia para a propagação de discurso discriminatório, ofensivo e excludente, especialmente quando dirigido à negação da identidade de gênero de pessoa determinada e à sua exclusão simbólica de espaço público legitimamente ocupado”, aponta o documento, assinado pela deputada Ediane Maria (PSOL).

Saiba mais sobre Erika Hilton

*Com informações do g1 e do O Globo.