Os 5,7 milhões de eleitores de Santa Catarina vão às urnas neste domingo (4) com uma tarefa que aparenta ser breve. A Justiça Eleitoral estima uma duração média de um minuto para cada eleitor apertar os botões necessários para escolher os seis cargos em disputa: deputado federal, deputado estadual, dois senadores, governador e presidente da República. Na apuração, estima-se que os resultados sejam conhecidos em poucas horas após o fim da votação.
O domingo de eleição, no entanto, é um daqueles em que o tempo não é apenas cronológico. Um minuto pode ser suficiente para votar e algumas horas bastarão para conhecer os resultados, mas as escolhas feitas nas urnas vão produzir efeitos por, pelo menos, quatro anos.
Foram 49 dias de campanha eleitoral entre agosto e a ida às urnas neste domingo. Três disputas eleitorais com dinâmicas distintas disputaram a atenção do eleitor ao longo desse tempo. Na corrida presidencial, esse intervalo passou em disparada enquanto era levado a decidir sobre continuidade ou renovação.
Escândalos revelados por meio do WhatsApp do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e denúncias contra lideranças da direita a esquerda colocaram a República em erupção. Uma crise em que cada decisão produzia reflexos eleitorais atingiu até o Supremo Tribunal Federal (STF), acirrando ainda mais a polarização política. Na reta final, uma sucessão acelerada de polêmicas sobre a imagem de Nossa Senhora Aparecida, o impacto das bets e o esvaziamento de debates fizeram até mesmo o eleitor mais atento se sentir atrasado no ritmo das notícias.
A disputa presidencial deve ter no segundo turno uma provável prorrogação até um cenário inédito: um quarto mandato de Lula ou, em caso de vitória de Flávio Bolsonaro, a primeira vez que um filho de ex-presidente se elege chefe de Estado no Brasil.
Disputa estadual em ritmo distinto
Na disputa estadual de SC, o tempo pareceu correr em outro ritmo. O governador Jorginho Mello (PL) liderou as pesquisas de intenção de voto apresentadas até a última semana e monopolizou grande parte da agenda da campanha. Em parte, pela estratégia de apostar na divulgação de obras e ações do atual mandato, e em outra parte por ter a gestão colocada no centro das atenções para escrutínio pelos adversários. Temas como filas da saúde, indicadores ainda baixos do Estado em saneamento básico e até polemicas como o caso do Cão Orelha foram explorados por rivais como João Rodrigues (PSD) e Gelson Merisio (PSB).
A dificuldade em contrapor o grupo político de Jorginho, no entanto, fez com que a corrida pelo governo de SC parecesse seguir um ritmo mais lento e, em alguma medida, previsível. Na última semana, o debate da NSC TV e os números da última pesquisa Quaest contratada pela NSC, prevista para a véspera do 1º turno, ajudaram a aumentar a ansiedade para as decisões dos eleitores catarinenses nas urnas. A expectativa até o dia da votação é para saber se a lógica das pesquisas se confirma ou se uma reviravolta surpreende os eleitores catarinenses.
Quem são os candidatos ao governo de SC nas Eleições 2026
Senado em SC: indefinição maior a cada dia
Já na disputa pelo Senado em SC, cada dia pareceu acrescentar uma nova incerteza à corrida eleitoral. O cargo que mais gerou idas e vindas na pré-campanha foi também aquele em que os candidatos mais aproveitaram o tempo para tentar mobilizar eleitores e até eleitores de grupos divergentes.
A chapa de Carol de Toni e Carlos Bolsonaro (PL) foi a aposta de Jorginho Mello e do líder Jair Bolsonaro para ver as duas cadeiras de senador em disputa nas eleições deste ano serem ocupadas por bolsonaristas. No entanto, a ida do senador Esperidião Amin (PP) à chapa de João Rodrigues, após ver o governador fechar a porta no grupo governista, colocou um terceiro bolsonarista com força na briga. Carlos, Carol e Amin disputaram dia após dia o carinho do eleitorado, trocando críticas sobre votações, postura e relação com o Estado.
Correndo por fora, o ex-presidente do Sebrae Décio Lima (PT) tentava aproveitar os dias restantes da campanha para se favorecer do racha no bolsonarismo e tentar canalizar para si os votos da fatia lulista de SC. O resultado são pelo menos quatro candidatos em faixas próximas de intenção de votos nas últimas pesquisas, com apenas duas cadeiras em disputa. O cenário em que parece residir a maior chance de virada é onde a decisão deve se dar voto a voto, podendo mudar até os últimos minutos da apuração.
É neste cenário de disputas eleitorais diversas e de diferentes cadências que os eleitores catarinenses vão às urnas neste domingo. O tempo da política nem sempre acompanha a urgência da vida real, mas o voto depositado em poucos segundos pode ter reflexo nos anos seguintes, na taxa de juros, no valor dos impostos, no atendimento da saúde ou vagas nas escolas. Diante da urna, é como se o eleitor buscasse entrar num acordo com o tempo: fazer em segundos as escolhas que espalhem benefícios pelos anos seguintes.








